segunda-feira, novembro 21, 2005

A dois terços de uma quase utopia

Meu querido quase diário:
Quero falar-te de uma questão quase utópica:
Vá lá!
Leva-me a sério de quando em quando.
Não sejas assim.

Quais os mecanismos que nós,(os que não estão lá na feira quando a campanha passa), poderíamos utilizar
que obrigasse a classe política a um entendimento numa determinada matéria sensível?
Explico:
Imagina que, tal como o documento da constituição, a Assembleia decidia, por maioria de dois terços, um projecto para 30 anos na área da educação, discutido abertamente por toda a sociedade civil, o tempo que fosse necessário,
até ao equilibrio mínimo de um consenso algures.
Depois, uma vez aprovado, uma vez respeitado, uma vez sacralizado,
seria por todos aplicado como mandariam as regras.
Não será esse o Portugal que nós deveríamos exigir?

Porque não nos entregamos a uma relação de novo tipo?
Uns com os outros?
Um País que saltita de quatro em quatro, nem sempre anda bem.

Deixo-te estes tópicos de uma quase utopia.
Pensa nisso.
Qualquer dia volto a chatear-te...

....Sim...continuo a pôr fotos...

domingo, novembro 20, 2005

O DNA na estrada






sexta-feira, novembro 18, 2005

Caradepreocupaçãodemúsicodejazzábeiradafotografia

Bom dia irmão diário:
Hoje vou para o sul.
Estarei nas minhas funções, cumprindo o matrimónio da filgil.
Se fosse um treinador diria algo como:
- Sabemos as qualidades do adversário, no entanto, podemos ir lá fazer história.
...como de seu costume dizem.

...e como de costume:
- Ó senhor João, vem aqui na revista...apreensivo de imediato, leio e....
passo em revista o que me lembro da conversa com a jornalista sempre muito,
mas mesmo muito simpáaaaaaatica,
- Como é que surgiu a ideia do livro?
- Que tal a experiência de falar da sua música para setenta crianças?
- Como foi trabalhar com todos estes autores e cantores?
E...continuava interessadíssima no processo de construção do livro...e tal e tal.
Tentei corresponder nas respostas como seria natural.
Pois o que saíu foi algo de especulativo sobre uma possível colaboração com...
Fiquei irritado da minha ingénua simpatia desprevenida e disponível.
Aprendo na próxima, deixa estar.

Imagina, meu querido diário, de que côr se reveste essa coisa?

Trago-te figos se quiseres, sim?

Ah....tenho de te falar da cara de preocupação do músico de jazz
à beira de ser fotografado...assim de testa franzida...desfocando nas teclas...ou nas cordas,
transmitindo uma sensação de absorção do problema em causa...está em mim a salvação...
e provavelmente a sua evolução.
Acho que vou praticar.



Chet, 1989

quarta-feira, novembro 16, 2005

Lisboa/Porto

Meu querido e viajado diário:
Há quanto tempo não fazes Lisboa/Porto by train?
Pareço um puto chavalo e feliz...
Um turista interno...bruto.
Só me faltam os calções e a camisa da Flórida…
Escrevo na maçã, bebo um café, leio o jornal.
Belisco-me, pelo sim pelo não.
Será isto tudo verdade?
Que dizer da aparente velocidade do abiãoue?
Saloiices?
Qualquer dia lembram-se do quimboio,
os homens da pasta preta.
Tira o cavalinho da chuva meu querido,
porque eu, meu caro, romantizo sempre a cena.
Gosto de andar à chuva.
Gosto de me molhar pelo prazer.
Porque me limpas meu amor?
Quem te disse que era sujo, o óleo que da minha carruagem
exala de tábua em tábua...até à estação seguinte.
Agora entendo-te Sérgio...à espera do comboio,
na paragem do autocarro.








terça-feira, novembro 15, 2005

Próximos concertos



Foto: Vasco Gil


Filarmónica Gil

18/11 - Vilamoura
19/11 - Montegordo
25/11 - Sintra

sábado, novembro 12, 2005

Um livro de canções

Meu querido amigo:
Esta semana que se apresenta vai ser tanto estranha como especial e singular.
Nesta terça, na casa da música do Porto, é editado o meu primeiro livro de canções.
Trinta anos passaram desde o dia em que...coiso...
São estas coisas que me obrigam a ter uma relação com a porcaria do relógio.
O casco vai envelhecendo, eu sei, a água vai ficando mais pesada, ouvi falar.
Mas a cabeça? Meu amigo...distancia-se procurando a clarividência que só o tempo parece dar.
Seja como for, se puder ser útil, se o meu trabalho se confundir e partir memória fora?
- Então que vá.
- Que faça muito boa viagem.
- Que chegue a quem lhe pertence.

Adeus meu querido diário.

Podes sempre contar comigo.

Na América II

Em plena 6ª Av, abri os braços e gritei-te ao mundo.
Cósmico-cidadão do mundo...
Livre...cheio...completo.

Entro a fumegar a toda a mecha, no central...e caraças!!!
O grande Rafael Marques apresenta-me a Benoit..
A tal que se amedalhou de ouro no dia do nosso Lopes.

Great!

Tudo me acontece meu querido amigo diário.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Na América I

Meu querido diário:

Confesso-te a minha relação difícil com os taxistas.
Isto vem do tempo em que morava nos Olivais.
Chegava de longe... por vezes em directa...
É pro Olivais... já com um certo receio... suplicando.
Se a resposta era a simpatia, respondia eu com um triplo pagamento.
E uma anedota a condizer, só para abrilhantar a situação... tal a felicidade pela excepção.
De contrario, nem mais um tostão pás colónias, e claro um pontapé na porta seguido
de todos os impropérios devidos à ocasião.

Alex, antigo músico na sua terra natal na antiga U.R.S.S. (ah! Apanhei-te a cantar o hino),
actual taxidraivista em N.Y. desajeitado e desonrientado apesar dos três anos já ali.
Quando lhe disse que os “timberland” tinham custado apenas 40,00 us money,
o homem vocifera um arafatiano e perceptível protesto:
Faque man!!
Fiodia-se!!
Look... made in Italy. 160.00 dioliaries.
Enquanto diz tal, tunga!
Saca do sapato para mostrar a etiqueta.
De imediato abro um bocadinho a janela sem ferir a susceptível nausea…
Compreendi-te!
Vascosantaniei.

Leve-me ao Bairro já agora.

quinta-feira, novembro 10, 2005

N.Y.








NY, 2005

quarta-feira, novembro 09, 2005

segunda-feira, novembro 07, 2005

Lista


Foto: Vasco Gil


Caro João,

antecipando o espírito natalício, aproveito para te pedir de Nova Iorque:

- O novo filme do Scorsese (No Direction Home), zona 2
- Uma Ricoh gr1 (analógica)
- Uma guitarra de doze cordas (escolhe tu)

[aceitam-se mais pedidos, claro]

quarta-feira, novembro 02, 2005

V de volta

Ó meu querido diário:
Perdoa-me, vou deixar-te por uns dias...sentirás a minha falta?
Vou p'rá América,que é mesmo aqui ao lado...n'abéricaaaa...(sotaque almadense)
Trago-te uma camisa, boa?
Não te entristeças...eu volto sempre.
Quando tocar o apito para a partida da corrida de Nova York, vou lembrar-me de todos.
Aqueles que por aqui passam e deixam impressões...sensíveis e comoventes.

Venho de volta...a tempo da estreia do meu "Romeu e Julieta".
Vais gostar.

Adeus, meu querido amigo.

Vou sentir a tua falta.

Um abraço.
Esbruga-te na tua atitude.


manhattan

segunda-feira, outubro 31, 2005

A paixão de Ludwig

Krido diário:
Ocorrem-me coisas que sabes lá tu.
O putos são pequenas unidades cósmicas tão importantes que receio falar-te banalmente.
São lugares tão comuns que me arrisco a escrever ao mais elevado paternal estilo-suplemento de fim de semana, em pose de foto... pais e filhos...
Tu entendes.
Lembrei-me de te atazanar a paciência com esta cena do álóíne.
Vem de onde?
- Numa noite profunnnnnda...negra....
Em plena floresta das Ardenas, uma luz única persiste, apesar do veeennnnnnntuuuuu
fustigar o velho "kaiser" - o pastor alemão que guarda o medo da estalagem de Fritz Graammg.
Espreitam os mortos por entre janelas, em véspera do primeiro de novembro.
Xuuu...

Soubeste da reconstrução da catedral de Dresden?
Aquilo foi horrivel na altura.
Foi escusado...além disso, os alemães já estavam derrotados.
Pura vingança.
Mais de 35000 mortos.
Todo este processo da recuperação da Frauenkirche teve como dinamizador
um trompetista e professor de nome Ludwig Guettler.
Tudo isto para te apelar para a importância de aprender um instrumento.
Sabes que, aliás como se pode ver aqui, todos putos que, durante a sua aprendizagem de crescer,
têm acesso à musica e a tocar um instrumento serão adultos com maior vocabulário?
Mais sensíveis?
Como se tu não soubesses o que bem sabes.

Diáriozinho lindo,

- Quantos corações tens?

sábado, outubro 29, 2005

Nuvens de Areia

Meu querido diário de sábado à noite:
Hoje, se olhasses para o areal, terias visto as nuvens de fumo rasteirando praia fora.

O mar revoltoso, um radical aos gritos de prazer no seu cayaque, um café e uma levíssima...
Perfeito!
Folheio a revista "Grande Reportagem" e dou de caras com o Herman José, respondendo a um daqueles questionários que só o verão consegue ver, mas enfim...

Mostra o nosso "Tio" algum arrependimento por não ter emigrado a determinada altura...
Não ter seguido as pegadas de Joaquim de Almeida...

Fiquei a esquizófrenar à espera que o mar bruásse.
Pensar...pensar...
Mais dinheiro?
Mais reconhecimento?
Mais tarde se verá.
Não stresses, "Tio".
Vai por mim.
Aguenta os cavalos.
Não tens de dizer tudo.
O País pode não não achar piada.
Tu é que sabes...

Razão tem Lobo Antunes:
A tropa era do Benfica,
O M.P.L.A. era do Benfica,
A guerra parava.

Então corri...corri...contra o sentido do vento ...gaivotando...atrás dos putos que a virose fará tombar pela noite mais tarde,
já estou mesmo a ver.

É bonito o Inverno, sim senhor.

Como eu gosto de ti, Meu Amor.

Um dia especial

Meu querido poeta diário:
Não tenhas dúvida!
Hoje foi um dia terrivelmente especial.
Sempre que receberes um livro de poesia, será sempre um dia absolutamente...inquebrável.

Lembrei-me da maratona de leitura que a culturgest promove agora neste outubro...ler, ler, ouvir, ouvir.


A propósito, está no ar da rádio, um spot da Avó da Fóne, rapariga da minha criação, aliás, um texto abosolutamente e
deliciosamente mastigalido pela actriz Isabel Abreu.
Não me venham com merdas...
Parabéns Isabel!


Vai e apanha do chão esse livro que te deixo por aí.
Teixeira de Pascoaes, numa antologia organizada exemplarmente por Mário Cesariny.
e...matas as saudades que me dão a tua vida.

A minha prendinha tem, no seu final, uma lista de aforismos que só tirando o meu chapéu,
me dou conta que não o uso.

Deixo-te aqui uma lista para tua reflexão...e caramba!
Liga-me cacete!
Sou sempre eu...


" Cada homem é a medida do Universo "

" O homem é um animal apaixonado "

" O som é o espírito da cor "

" Só a nudez é luminosa "




- Um abraço meu velho

sexta-feira, outubro 28, 2005

A nossa querida língua Inglesa

My dear diáriozito:
já andava há uns dias para te falar neste assunto, até que
encontro uma amiga inglesa no café do S. Luis, prestes a entrar no ensaio.
Eram umas onze e meia, a chuva no seu apogeu matinal e ...
Lembrei-me de ...deixa lá ver a reacção:

- Como é que te soam os Portugueses quando cantam em inglês?
Sem resposta imediata, achei melhor reformular:
- Não te preocupes, tenho curiosidade em saber a tua opinião...apenas por mera ...
Não muda nada...acrescentei.
- Bom, sabes...(hesitando e procurando algo que fosse correcto) os Portugueses dizem as ...P A L A V R A S ...muito bem
D I T A S .
Demasiado...tudo muito bem falado....como nenhum Inglês jamais diria....olha , tenho de ir andando! ...
Disse apressada, e se calhar, um pouco incomodada com a conversa.

Como não podia deixar de ser, fiquei a matutar um segundo...e muitas coisas me passaram pelo estreito.

É um assunto delicado e sensível, meu querido diário.
Não me quero precipitar em conclusões a propósito de algo mais ou menos convenientemente expiatório...
Mas nem isso....apesar de tanto energúmeno ignorante em estágio de jornalista à procura ...

Para mim, são Portugueses como eu, os que se exprimem em Inglês...sem dúvida.

Mas...

Alguém os leva a sério?

quinta-feira, outubro 27, 2005

Bailarinos de todo o mundo, dancem!

Boa noite estimado diário,
Sempre a considerar!
Quero brindar contigo, este belo copo de vinho "Lagido" da ilha do Pico.
Conheces os Açores?
Que parvoíce! Claro que sim.
Hoje falei com uma amiga, sobre o ritual Sufi e o percurso do grande império árabe que nos imperou.
Voltas sobre voltas em crescendo numa hipnose embriagante, em esferas desenhadas no espaço,
como as nossas avós cantavam o seu terço ao fim da tarde na religião que lhes foi ensinada por sua Graça.
A elevação.
A meditação.
A alma que se solta de um corpo que procura o seu Deus.
Alá neste caso.
Ali a base religiosa de uma dança.
Sabemos tão pouco...
A passagem pela planície flamenquista.
A torreira do sol.
O trabalho.
As mulheres.
E depois a noite...o fado...lisboa....um xaile...
Já agora a Amália...a comunidade gay...tudo num belo postal para turista acidentalmente moderno...
Bah!
Claro que estou no gozo.

- Será que o presidente Iraniano, quando disse que Israel devia ser riscado do mapa, estaria a beber vinho como eu?

- Ou, de facto, são apenas os músicos a ter esta capacidade de juntar os povos debaixo do mesmo acorde?
Sim ...não se zangem! Ó bailarinos de todo o mundo...dancem!!

Entendes agora porque medalhei Kofy Anann?

Àh Nã??

quarta-feira, outubro 26, 2005

Os acólitos anónimos

Meu querido e fervoroso diário:
Tu por acaso sabias desta coisa bizarra da igreja, até à data não conceder aos divorciados o direito de comungar como outro fiel?
Iguais por fora, mesmo que se escondam por dentro?
Sim, porque o pecado de ter pecado não tem vergonha que se veja à vista.
Eles lá sabem, muito embora te diga que me faz alguma confusão. Se bem me lembro, acólitozito a preto e branco da RTP, o puto que levava lambadas ruidosas, por comer hóstias?
Valha-me Deus!
Juro por tal, e Ele sabe muitíssimo bem que não estavam ainda benzidas.
Vamos lá!
Pão...simplesmente.

Então lá vem o recado anunciado ao mundo:
Sejam discretos!
Podem fazê-lo, mas atenção:
façam-no longe do vosso agregado familiar e social.
É importante que venham todos à igreja. Clamam!!

Foi o que li há dias atrás no D.N.
O artigo não estava assinado...e nem me dá gozo especial em glosar o assunto. Diga-se de passagem de versículo porém.
Mas até não me espantava que fosse tal e qual, ou mais coisa menos coisa.
Cousas, aliás, que se falam pouco todavia, um pouco inibidos de abordar o tema por delicado aparentar ficamos.

Mas... seja eu perdoado, se do pão abençoado quiser um dia.
Farei meu à Tua altura, Querido Deus.
À nossa imagem!

Um pouco mais evoluído se não Te importares.


Ah!!! já agora deixa-me confessar-Te que jamais abri o sacrário às escondidas.

Tu sabes bem,


De Sica, 1948

terça-feira, outubro 25, 2005

Dores de amor

Ó meu querido diário:
Apanhei-te, apanheiiiiiiite!
Já tinhas saudades....confessa!
Não conhecias o sabor dessa palavra maldita,
desconhecias por completo que, inclusivamente, ah! ah!
Provocava danos e até quem sabe...dores?
Sabes porventura que aqueles que amam sentem... dores?
Pois...
É tão bom ter dores de amor,
Sentir a falta de alguém.
Deu-me pra isto, falar-te assim de coração.
Não ligues a coisas de nada.
Deixa....

Digo-te:
Hoje, quase noite, corria com o João Pedro Pais, que é o único maluco como eu,
e faziamos diagonais no relvado do estádio nacional,
Vai vai...aguenta...puxa agora....
Sem luz, sem ver, gritei-lhe, em pleno voo, se ele já tinha sonhado que corria por cima do mar?
Ele bofejou que sim.

Um dia destes falo-te dos sonhos em que voo, de varanda em parapeito,

Procurando por ti.

Tenho dores de ti.



Wim Wenders

sexta-feira, outubro 21, 2005

Love is a place

Caríssimo amigo diário:
Escusas de fazer essa cara,
sei perfeitamente que vais ficar magoado,
se não te deixar na caixa do correio mais notícias frescas.
Vou ter um fim-de-semana agitado.
Desde já te aviso que...vá lá,
Não te irrites por favor.
Sim?

Vê lá se gostas:

" love is a place
& through this place of
love move
(with brightness of peace)
all places

yes is a world
& in this world of
yes live
(skilfully curled)
all worlds "

e.e. cummings, 1935


Acredita no meu abraço, disse-me um dia um amigo:

- Que a voz, mesmo que te doa, nunca te falte.


PS:
Desculpa, antes que me esqueça:
Sabias que a equipa do Vitória de Setubal, há uma data de tempo que não recebe os salários?
Ocupa o quinto lugar, e faz questão de separar o dinheiro do amor à causa?

Depois falamos mais, sim?
Vou para a Covilhã, lá onde estão mulheres que brilham mais alto.