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Sua
Diz
Diz
Diz
Diz
sábado, dezembro 31, 2005
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Estamos Juntos

Meu estimado e querido Quase diário:
De acordo contigo, a última crónica 2005, deveria exigir
outra roupinha...
Isto não são maneiras de te escrever...
Mas tu, com as costas largas, já sabes.
Nestes dias lembro-me sempre de meu Pai.
Natural!
Pegava no cinzeiro mais à mão e... zás janela fora.
E nós todos lá em casa, pensávamos se não seria
o desejo, embora não correspondido, de largar aquela droga da merda dos cigarros.
Ao dia primeiro, a primeira coisa que fazia era puxar do cigarro,
depois de um pequeno almoço, rápido pretexto.
Aquela maldita tosse matinal que não me larga os ouvidos.
Se ele tivesse largado aquela porcaria, enfim...
Estava escrito!
Mas voltando,
O que é que vou deitar fora este ano?
O que nós deveríamos deitar fora deste ano?
Seria tão óbvio que não me atrevo ao consenso natalício.
Estamos, nesta matéria, justamente de acordo.
Coisas como a Paz, a Saúde... por aí fora fazem parte do desejo comum,
todavia, necessariamente diferentes, os caminhos tortuosos e divergentes.
Os partidos alternam nos favores às suas clientelas, e a coisa equilibra-se.
Apresenta-se o contrário disto tudo, como o mais excitante e inovador.
O que guardar deste ano?
É isso que te venho propôr.
Pensa nisso, porque será isso que nos faz caminhar aqui,
enquanto houver, esta estrada para andar, neste caso é mais Palmar.
Gostei de iniciar esta nossa conversa à vista de todos.
Creio que te protegi de alguma maneira,
O teu gato, os peixes, os teus filhos, os amigos,
Ah! O papagaio, embora aqui eu seja o teu químico,
a tua figura anexa, o teu xerox.
Estamos juntos.
Sempre!
Até!
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João Gil
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Ir a Allen pensando ver woody
Ó Quase:
O C.C.B. encheu-se para uma sessão especial de cinema.
Era um dia único.
Juntou-se o povo para ver a retrospectiva dedicada a Woody.
Como nem sempre é possível ver o realizador ao vivo,
este tipo de eventos raros revestem-se sempre de algum aparato extra.
Um certame!!!
A RTP mandou o seu repórter de charme.
A SIC e a sua pequena brigada de riso.
A TVI já se sabe.
Vieram todos a correr, numa espécie de ciclo da cinemateca.
Qualquer coisa de anos cinquenta em pleno Salazarismo,
recebendo uma estrela de cinema qualquer.
Então, lá foram todos, só que para azar,
a máquina de projecção avariou, pifou, deu o berro.
Apenas se ouviu a música... para além dos impropérios ao afamado marreco.
Uns senhores assim... já entradotes, entendes?
Qualquer coisa de... quê?
New Orleans creio, bem! Não estou lá muito seguro.
Não interessa.
Foram ver o Woody Allen, mais nada, pronto!
Não te ponhas com coisas.
Um dia, caro quase, fui a Roma ver o Papa e,
por falta de Papa, acabei por ver Roma.
Nada mau.
Tens a certeza que o pessoal foi ouvir música?
Sim, tens toda a razão.
Desculpa-me!
Há quanto tempo não ouvia esta palavra... certame.
Bué antiga!
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João Gil
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quarta-feira, dezembro 28, 2005
Uma bica e um blogue

Ya! Quase, tá-se?
Não sei bem porque te abordo assim.
Tantos os que duvidam deste género.
Ouvi há dias atrás um daqueles tipos,
digno representante de grupos empresariais,
misturando tudo e todos, num saco enorme de incompetentes
que não se podem comparar a jornalistas,
muito menos, substituir a imprensa credível...continuava o dito.
Praguejei e arrematei com galhardia:
Este tipo está com medo!
Gritei para o aparelho de rádio.
Estranho, o edifício literário em que vivemos.
Dominado pela ausência de regras,
ouso praticar a invenção das palavras quando calha.
Saio à rua e, zás!
Caio atingido por um raio.
Sou um fulminado, seja cão, e ladro porque não!
Somos todos iguais nessa net!
Cantava o Lins.
A delinquência da escrita de rajada?
A falta de rigor verbal?
O meio mal frequentado?
Será que esta nossa comunicação sanguínea,
retira-lhes protagonismo manipulador?
Mas, alguém pretende?
Por mim...
A todos eles o belo traque pois então.
Traga-me um café e uma água, por favor...
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terça-feira, dezembro 27, 2005
TV laica

Bom dia meu quase diário:
Ah! Ah! Ah!
Nesta "igreja" estatal, muito visitada pelas comunidades
de língua Portuguesa, a fé cristã é espalhada quase diariamente.
Um padre cantor à paisana, que simpaticamente se chama de Borga..., um palácio respeitado que se apelida das Necessidades,
um cemitério que de Prazeres se enterra... enfim, são os mistérios da língua Portuguesa.
Não tenho nada contra a omnipresença do Senhor pela voz daquele simpático também senhor padre, mas não te entendo, ó meu querido estado laico equidistante e justo.
Não te preocupes, nós somos todos uma cambada de carneiros, e andamos cá para ver andar os outros.
Afinal, as escolas primárias não têm audiências que se vejam por aí e além.
Deixa lá.
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12:32 da tarde
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Vietato!

Ó Quase:
Aprendi tanta coisa contigo que já me esqueci de muito.
Era proibido proibir, lembras-te?
Que havia mulheres que jamais deveriam conhecer a dor.
Que homens havia, em nosso altar para sempre acenderiam.
Que iríamos lutar até à exaustão.
Que a cedência nem por nada, seria concedida.
Que a nossa consciência seria algo de novo.
Que a liberdade não teria palavras.
Que a música pela respiração se daria a revelar.
Que aos velhos não faríamos o mesmo.
Que daríamos sempre conta do recado.
Que a inveja dos merdosos seria a única arma que teriam.
Que o sexo não seria escondido.
Lembras-te?
Continuo por cá.
O mesmo.
Não há saída, disseste um dia, para quem, beijo ante beijo, se faz convidado à alma dos outros.
Digo-te:
Há mulheres que só por serem, darei lugar no meu autocarro.
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João Gil
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1:16 da manhã
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segunda-feira, dezembro 26, 2005
A nave
Então Quase, estás bom?
Tive sorte.
Livros e vinho tinto.
Gosto.
Tocar nos livros.
Se fosse o super homem dava-lhes uma vista de olhos.
Assim, pego neles, viro-os, cheiro-os, e dou-lhes a volta.
Há putos como eu que recebem uma data de prendas, fingem ser distraídos e tal, mas não as perdem de vista.
Um dia vou pegar-lhes:
Trinta por uma linha farei deles quase que rotos e maltrapilhos, pelas mãos estafados antes que alguém lhes faça um filme.
Os livros?
São para ler e deitar fora da boca.
Junto-os todos lá atrás e esqueço-me deles até me lembrar.
As palavras chegam e partem numa nave.
Aceno com o lenço branco sempre que vejo um livro ao aproximar-se no horizonte.
Leva-me daqui as palavras, desampara-me esta loja, e limpa-me esse convés, homem de Deus!
Quando acostares, levanta bem os braços para te ver.
Gosto dessa cara que fazes quando me vês chegar.
Agora vai, aproveita esta chuva,
esgueira-te pelos intervalos dela,
e vai, vai e leva-lhe um beijo como deve ser.
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3:24 da manhã
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sexta-feira, dezembro 23, 2005
Zona G
Olá meu diário G:
A zona gástrica demonstra ser a mais dominante e complexa do intestino cujo.
Toda a nossa vida é regimentada pela alimentação.
Que merda!
Animais fingidos de petulâncias várias que aparentam não ter fome.
Coitadinhos de nós.
Sempre que posso, mergulho num qualquer prato que justifique o pretexto do azeite.
Uns singelos salmonetes, são muitas vezes, o ponto de partida
para uma ideia tão original, como a existência do universo.
O carbono com o pão azeitado, os legumes cozidos, aconchegam a batata esquecida da sua fase clerasil.
Dantes pensava que as pessoas chegavam tarde ao início do teatro por motivos de exposição no hall de entrada.
Não, tudo se prende com o atravancamento da hora de jantar.
O País de Portugal tem um G de gastro, tem uma zona de prazer, que está perto do seu intestino, a nossa tripa colectiva.
Não elevamos o nosso espírito no estado de vazio G.
O povo com os seus penteados cheirosos vai à revista num sábado à noite... de barriga vazia?
Nunca!
Jamais!
A piadinha fácil nem se levanta nem se ri, mesmo que à velocidade foda-se.
S.Carlos, noite fria em dia de estreia, um perfume suave e envolvente sai do pescoço mesmo à minha frente.
Meto uma pastilha elástica e, disfarço... a fome.
Será que conseguimos apreciar alguma coisa assim, vazios e esburacados que nem passe vites?
Por exemplo e sem ofensa:
Mário Soares: Cozido à Portuguesa bem servido e farto só de ver.
Cavaco Silva: Cataplana de Cherne descongelado no micro-ondas.
Manuel Alegre: Iscas à Portuguesa, enjoativas e demasiado grossas.
Jerónimo de Sousa: Ensopado de Borrego com batatas a mais.
Francisco Louçã: Perdiz estufada à Seminarista com batatas e ervilhas armadas ao pingarelho.
Por vezes, ouço-os ao longe, todos eles, muito bem sentados na sua própria voz.
Fará sentido?
Cá para mim, farei um arrozinho de cabrito com míscaros,
e convidarei o excelente e competente Garcia Pereira, para ouvir de sua justiça, isto porque os canais de TV, decidiram cozinhar numa panelinha, onde apenas se cozem os pratos institucionais de apenas cinco sabores.
O incrível, é que a maior parte das pessoas com má digestão, somatiza e manda tudo lá para baixo, adquirindo
azias, úlceras e coisas do género, tendo um péssimo acordar, e claro,
um feitio de trampa... até comerem algo açucarado.
Que pena!
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11:44 da tarde
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quinta-feira, dezembro 22, 2005
Uma salsicha emotiva

Braga por um copo
Meu Quase:
Que tal vai a coisa?
Sentes-te bem?
Ainda não rebentaste com tanta comidinha boa?
Ele é grão
Ele é cozido
Ele é bacalhau
Ele é tudo
Será que tu também recebes montes e montes de SMSs de Natal e Ano Novo, desejando o mesmo para todos indiscriminadamente?
Não me entendas mal!
Claro que desejo o mesmo, mas não se trata disso.
As pessoas como tu gostam de um tratamento singular, não?
Calculo que dê algum trabalho, mas caramba!
Tudo igual para todos de seguida?
Tipo salsicha emotiva?
Daquelas que, por timidez, volta para trás?
Tipo cagalhão popular, ou resquício de prisão de ventre materno em versão um pouco mais cuidada?
Sabes?
Já nem leio.
Já não respondo sequer.
Os meus amigos não gostariam de saber que ando para aí
a distribuir abraços por atacado,
juras falsas de amor pouco sério.
Há um lado que me encanta na frivolidade
de quem, muitas vezes, espalha simpatia avenida acima.
No entanto, irrita-me solenemente o esbanjamento afectivo,
esticando as peles do coração no passeio da lista de contactos abaixo.
Mas, reconheço o imenso conforto de quem recebe um SMS inesperado.
Liga-me!
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2:05 da manhã
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quarta-feira, dezembro 21, 2005
Jorge de Sangue

Meu estimado:
Sabes que é verdade.
Eu sempre gostei deste homem.
Sempre o admirei.
Temo por ele.
O meu irmão mais velho que já não tenho.
Há amigos como ele, que se eu pudesse, faria uma espécie de pacto,
Irmão de sangue.
Jorge,
Cuida de ti.
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4:50 da manhã
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terça-feira, dezembro 20, 2005
Estamos em guerra

Meu sempre:
O parlamento prepara-se para discutir e aprovar
uma nova lei que impõe regras de passagem
da música feita em Portugal.
Define a lei, no meu entender correctamente e justamente, a música a ser protegida, contemplando todos os seus aspectos.
Realço aqui, todos os que se exprimem em Inglês e todos os mais recentes projectos, que precisam sempre de mais visibilidade.
Lendo o editorial do director do Público que confunde a questão com a obesidade do estado, lendo o artigo que o DN reserva ao assunto, sem sequer ter em conta as opiniões dos autores, compositores, músicos e editores,
não é preciso ser muito inteligente para concluir que eles representam uma linha de força, nitidamente de um dos lados de uma barricada.
Para mim, a dita lei em discussão peca por ser pouco ambiciosa.
Mas entendo-a como essencial, tal como o cinto de segurança, protege a vida, embora, como se sabe, amarrote a camisa.
Estamos, evidentemente, perante uma guerra de interesses.
O que me parece estranho é que a imprensa credível não ouça. Todos os lados interessados.
Nós, sim, Nós, todos os que lutámos pela liberdade de imprensa, somos agora vítimas do seu ostracismo.
Enfim, fala-se do mar, mas não se ouvem os peixes.
Muito bem!
Obviamente, os grandes grupos de imprensa têm os seu peões de serviço.
Acredita, isto é uma guerra em que os nossos inimigos falam a mesma língua.
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6:29 da tarde
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Digam o que disserem

Meu estimado:
Digam o que disserem, este é um grande fado!
Dizia assim na rádio um locutor,
Pensando ele:
- Quero lá saber o que vocês acham!
Digam o que se disserem:
O dia vem sempre depois da noite
O ontem vai ser amanhã
A sombra nem sempre arrefece
O fogo pode não queimar
A humildade pode ser arrogante
A inveja pode matar
O Benfica é uma nação
O Sporting... também
O Porto, sim... também
A indiferença também mata
Uma criança pode ser cruel
Um guarda prisional está preso parte do seu tempo
Está frio lá fora
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2:35 da manhã
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sexta-feira, dezembro 16, 2005
Manobras de solidariedade
Meu estimado solidário:
Estou literalmente absorvido de tanta manobra de solidariedade.
A agenda fica preenchida por acções que se confundem e se atravessam no caminho dos três reis.
As televisões aproveitam para fazer a sua programação a custo baixo, tudo em nome do espírito natalício.
Os artistas da cassette aproveitam e aparecem.
É, por muitas razões, uma época de venda.
Um mercado aberto.
Todos responsáveis, caminhamos na nossa tarefa de viver pacatamente.
Como é que são as traseiras do Natal?
Não te rias...já te conheço.
Até a Disney tem aquela versão do velhinho vagabundo a espreitar uma família lourinha, abrindo prendinhas, tudo isto acompanhado de muitos violinos, neve e algumas lágrimas.
Mas há uma coisa que me deixa inquieto:
Porque é que muitos dos nossos velhos mais queridos escolhem o Natal para se despedirem da vida?
Vou de fim de semana alucinante.
Ainda não tenho prenda para ti.
Adeus, até segunda.
Esbruga-te na atitude!
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João Gil
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2:58 da tarde
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quinta-feira, dezembro 15, 2005
Os amigos

Meu amigo e estimado:
Sei que é um pouco tarde,
Estás tão ferrado a dormir que não há problema.
Amanhã, por favor, quando acordares, lê este abraço
que te deixo aqui escarrapachado, e liga urgentemente a todos os amigos que tens.
Diz-lhes que:
Eles são tão importantes como a água do rio que passa por aí.
Que sem Eles, tal e qual Eles são, nada faria sentido.
Eles são a razão de todo o meu ser, e, Eles sabem disso.
Que jamais Os evito quando me cruzo na Sua memória.
Que ponho velas por Eles, nas igrejas que encontro por onde passo.
Eles que não se preocupem, que Deus aprova um qualquer compasso de espera.
Que Eles não tenham medo que eu, protejo-Os.
Que por causa Deles, são Eles a minha causa.
Fosse eu uma árvore, e, Eles poderiam fazer um pic-nic à minha sombra.
Que Eles, são a minha iluminação de natal em pleno dia.
Que gosto muito Deles.
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terça-feira, dezembro 13, 2005
Bom dia

Meu diário da manhã:
É cedo,
A rádio anuncia:
O governador do Estado da Califórnia decidiu.
Decidiu.
A vingança ganhou.
Um duelo ao sol no dead valley.
A morte sorriu.
Um agente da polícia é baleado cobardemente em Portugal.
Sabes quando pela manhã o vento de Lisboa corta na cara?
Imagino como deve doer o acordar dos sem abrigo.
A angústia que se vê nas janelas ainda fechadas ao frio da noite.
Arranco em velocidade como um touro rumo à sorte.
Desvio-me.
Bom dia!
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segunda-feira, dezembro 12, 2005
Que horror!

Caríssimo amigo diário de parede:
Tenho este hábito de espiolhar todos os cantos desta cidade de luz branca.
Uma obsessão.
As paredes estão forradas a net, há blogues por tudo o que é sítio, a spray ou a pincel.
A expressão está na rua!
Tudo é legítimo na arte da escrita em betão.
Confesso-te que me deu um certo gozo, em 1972, pintalgar o meu liceu D. Pedro V, com escritos alusivos à guerra colonial.
Saía logo depois de jantar, com o meu kispo, o barrete tipo IRA, as botas associativas de atributos múltiplos, umas calças pretas a condizer com a noite.
No dia seguinte era bom de ver, aqui o teu amigo ufano e feliz do trabalho realizado,
entrando liceu adentro, olhando em redor e tal e tal...
Respirava-se na época um ar de quase liberdade, o meu liceu era pioneiro, de fazer babar os meus invejosos amigos do Camões, de tantas mulheres bonitas por metro quadrado...
O que lá vai, lá vai.
Eis porém que vou muito bem a passar e...
Fonix!!!
Salazar volta?????
Como?
Só se for para ir dentro.
Responsável por acentuar e potenciar tudo o que define o que há de pior nos Portugueses.
Por tudo e tudo que conserve bem viva a nossa memória colectiva, eu deixo-te aqui a sombra do meu dedo médio
de Ronaldo, bem erguido e desenhado no chão.
Há sombras que não podemos apagar nunca.
Sim... de acordo!
Dá uma volta!
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sábado, dezembro 10, 2005
A pesca radical do caranguejo
Como vais?
Caríssimo amigo e radical diário.
O fim de semana conduz invariavelmente a dois registos diferentes:
Por um lado as notícias semanais dão-nos o zoom alargado ao mundo.
As grandes questões, mesmo que fora da nossa mão, estão ao alcance dum golpe de vista. Ajudados ou não, vamos construindo uma ideia ainda que vaga, mas absolutamente necessária, sob pena da atrofia do músculo mental, por ver os seus campos de preocupação estreitados por fronteiras que só a sobrevivência pode ditar.
Por outro, e mesmo que nos demos ao trabalho da leitura, o que origina sempre um esforço adicional, há em nós um estiramento físico do nosso estado mental.
Um certo abandalhamento, uma total desarrumação, uma barba que roça o aspecto fashion picante de sábado em estado febril.
Deixo-te uma proposta para o teu ócio das tardes pós leitura.
Sintonizas o aparelho no discovery, e procuras a pesca radical ao caranguejo gigante nos mares do Alasca.
Sim, é uma aventura a luta daqueles homens no seu ganha-pão, mas o mais excitante para nós espectadores, são as interpretações que os nossos homens nos mares do estúdio se entregam na árdua tarefa da dobragem.
Alucinante!
A vertigem dos timbres.
A vozes expressivas ao extremo.
Tudo tudo muito muito tão tão... eis assim o belo canto da representação.
Lembro-me de uma vez, quando em pleno workshop, na fase da primeira leitura dos textos do Romeu e Julieta, por ausência de um dos actores, fui "obrigado" a ler o personagem Mercúcio... e.... imaginas...
É parecido.
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Ecos do deserto
Meu querido diário do deserto:
Só de pensar no assunto que te trago, imagino-te de colete tapioca falando aos solavancos para um videofone.
Em pleno 11 de Setembro fiz uma aposta ao que tudo indica: perdi!
Certo que ainda não paguei o jantar aos meus queridos amigos Ricardo Machaqueiro
e Henrique Cayatte, com quem tive o prazer de discutir, acidamente, a ideia que a China transgredia cobardemente contra os States. Pura especulação, talvez... imaginando que um possível conflito, no futuro, tivesse ali a sua primeira simulação.
Pronto, a coisa já me passou, embora...
Quando estoiraram as primeiras bombas em Bagdad, e depois de tudo o que veio a acontecer, disse para uns amigos meus que habitualmente desconfiam de mim:
-Atenção pessoal!
Isto tem a ver com o Irão.
O Iraque é apenas o pretexto para os americanos se fixarem na região.
- Lá estás tu e a tua mania da conspiração permanente...
Vieram as luas e as monções, os ventos e as marés, o grande espírito de Mao assomou à janela e teceu as considerações sobre o novo mundo... e eu, pobre tuga práqui no meu canto luso, acreditando que as ameaças do senhor da gola alta que do alto do seu Irão ameaça até mais não...
Reflito na minha varandinha:
-Isto traz água no bico.
Os homens da gola alta já têm a bomba.
Não, não é a Fernanda Serrano, seus básicos incultos!
A ver vamos.
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quinta-feira, dezembro 08, 2005
Dia santo na loja / Praxis do Cruxis
Meu querido e laico diário:
Sei que tiveste uma educação cristã do mais fino recorte.
Foste um acólito anónimo como tantas crianças lá no teu bairro.
Lembro-me que uma vez contaste uma estória lá da tua escola:
Só a tua professora tinha um pequeno radiador, não era?
Disseste também que vocês, os putos malandros, davam pontapés na parede
para aquecer os pés e circular o sangue à força do frio.
Estava por lá o tal cruxifixo na parede por cima do quadro, não?
Sabes que hoje é um feriado religioso?
E tens consciência que os laicos, como tu, aproveitam o facto para tirar umas fériazitas?
Então, se estás de acordo em tirar os cruxis, deverias dar de volta estes dias de lazer forçado, não achas?
Deixa!
Sou eu a conjecturar…
Estado e sociedade equidistantes entre si...
Na História da Arte,
sempre me habituei a ouvir alguns sábios antropólogos defenderem que a nossa
civilização cruza entre si elementos pagãos com aspectos da vida religiosa, na tradição católica, após séculos de coexistência nem sempre pacífica.
A nossa música popular ou erudita tem inúmeros exemplos disso mesmo.
Os hábitos alimentares e os rituais cristãos sempre se digeriram ao mesmo tempo.
Tantas e tantas coisas que fizeram e definiram os povos e suas linguagens.
Isto para te dizer que acho esse gesto de tirar os cruxis como um acto de demagogia temporal, muito fácil de aplicar rapidamente.
A nossa sociedade pode e tem de respirar a tolerância.
O estado, obviamente que tem de ser o mesmo perante todos os que vivem por cá.
Mas não foi Cristo um homem que marcou os nossos dias pagãos?
Ora deixa cá ver:
Os antigos cruzas fixaram cruxis história fora... ou melhor: paredes a dentro!
Bah! Nã sê se gosto.
Eu deixava lá os cruxis onde estão.
Não é isso que me faz entrar no céu.
Nem me torna mais ateu.
Sou apenas...
O teu.
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João Gil
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quarta-feira, dezembro 07, 2005
Os dias
Ó meu diário matinal:
Sabes que os dias já estão maiores?
Acordei cedo meu amor
O dia era já
Tinha nascido
Na minha raia
O teu rumor
Na fronteira
Manhecido
Não vale pisar riscos
Não tires os meus olhos
de ti
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João Gil
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