Querido Amigo
Não é que a luz faltou exactamente
na parte em que o actor, aquele do matrix,
um pouco duro, canastrãozito mas enfim,
ao contrário da... nem encontro palavras,
Charlize...
Chorei baba e ranho só podia.
Às vezes chora-se nas banhadas americanas.
Porquê?
Um sinal de fraqueza!
Que franqueza!
Fui à janela para ver se era geral... a avaria entenda-se.
Apenas no meu quarteirão.
Só para chatear mesmo ali ao lado, o projector
ilumina agressivamente o prédio em frente,
A pirraça do rico... palhaço!
Enquanto espero pelo piquete da EDP à espera da sua Opá,
embacio o vidro da janela com fúria de mestre.
Atenuo a violência do chato do foco, e penso numa data de gente antes de desenhar no vidro em branco.
Se um dia escreveres algum nome na tua janela,
foi porque pensaste numa data de gente também, mas...
Que a luz nunca te falte!
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
A janela embaciada
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João Gil
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1:15 da manhã
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sábado, fevereiro 18, 2006
A muda mudança muda?
Estimado
Sorrateiramente e como quem não quer,
o DNA finou-se.
Tinhas dado por isso?
Pois...
Mudar, tem de se mudar, fazer qualquer coisa,
mudar apenas, aparecer com outra cara,
Rejuvenescer?
Não creio.
Passou-me ao lado a justificação, se é que foi dada.
De quem é o DN?
Quem são?
Não interessa.
Olha Quase, já me convenci que nos dias que correm,
a mudança só por si, passou a ser um acontecimento,
um facto em si mesma.
Fica-se mudo de tanta mudança Meu Deus!!!
Sim, serei sempre naifezito...
Nas tintas.
Quando as coisas mudam para pior manifestamente...
Era caro fazer o DNA?
Cansaço?
Sei que um dia um amigo dirá algo que assente na mão
como a defesa pela luva de Ricardo.
Para mim, já perderam.
Já não compro o DN à sexta.
Também, quem se irá importar.
E tu Quase, estás sempre na mesma.
Vais ficar quieto?
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João Gil
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12:51 da manhã
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quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Os cravos de fevereiro
Carissimo João
Disse-te uma vez que não iria nunca
responder à letra sobre as coisas que te trazem a mim...
Hoje passei por aí, e vi que tinhas cravos vermelhos na tua mesa.
Pensei que seria interessante falar-te disso.
Sabes que os cravos são as flores da época?
Sim, têm a conotação de uma época que vocês viveram mais tarde em Abril de 1974.
Em Itália também curiosamente.
É claramente a estação do ano em que a natureza rompe e renasce pelos buracos do muro do inverno ainda.
Aproveitei para te falar de Liberdade,
do quanto é difícil o seu exercício,
falar-te do sítio onde acaba a nossa e começa a liberdade dos outros.
Foram séculos de experimentação.
Respeitar a diferença?
Quantas vidas não terão custado?
Qual foi o preço que se pagou na luta por tudo
o que tu e os teus amigos agora usufruem?
Olha para trás, estuda a tua civilização,
porque ela edificou-se, por sua vez, em cima de todo o tipo de
Barbárie, por invasões em nome de Deus, por todo o tipo de atropelos até que, contradição ou não, a consciência cresceu ao ponto da vossa capacidade de autocrítica e auto análise definir as margens da clarividência, com uma clareza indesmentível.
Nada mau!
Gosto de te achar eufórico, um pouco ansioso e impulsivo todavia, sim...
Conta comigo tu, e claro os teus amigos pendulares também.
Não deixes de lutar sempre.
Q.
Vieira da Silva
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João Gil
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11:40 da tarde
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O dia a dia
Ó camarada Quase
Já agora o que me dizes...
Dia dos canhotos
Dia dos que usam óculos
Dia dos que ainda vêm alguma coisa
Dia do peão
Dia do gato
Dia de e do cão
Dia dos avós
Dia do neto
Dia do tuning
Dia da OPA
E mais outros tantos
que fariam do nosso dia
um verdadeiro dia a dia.
O comércio agradece.
E nós, ya! É aquela!
Um abraço
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João Gil
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12:51 da manhã
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terça-feira, fevereiro 14, 2006
A cidade do namoro
Caro João
Pondera
São séculos de tradição
Os teu antepassados levaram os costumes
Cruzaram informação genética
Dizes que te sentes leve
Que não te deixas contaminar
Pensa que o povo é soberano
Eles adoram matrafonarem-se
Deixa lá
É a imagem do seu ideal
e quem sabe dualidade sexual não assumida
Desconfia quando ouvires os teus amigos
exercitando a ideia de se acharem o macho
Vai a Veneza
Subtil
Sinuoso
Sensual
Secreto
Compreendo o que te irrita
Mas
Vai por Lisboa ao acaso
Encontras o inesperado
Nada se repete
Uma rua nunca é igual a outra
E vais encontrar
Uma rapariga descalça e leve
Descendo degraus e degraus e degraus
Até ao rio
Namora
Não odeies
Um abraço sem pontuação
Q.
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11:48 da manhã
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Odeio o carnaval
Estimadissimo Quase
Quero que saibas
Ninguém me pode levar a mal
Mas eu odeio o carnaval
Não é fácil esclarecer
Sem ofensa ou maldizer
isto assim até morrer
Desconforto de assumir
Nem sequer admitir
Sem vergonha ou que tal
Por favor e sem mal
Eu odeio o carnaval
Um dia uma canção
Sobre tema tão distinto
Seja branco seja tinto
Como o circo no natal
Depressivo e fatal
Faça chuva ou faça vento
Eis chegado o momento
Encarar o que é real
Vou lutar o ideal
O fado negro que souber
O bem haja ao que houver
Vou-me rir o ano inteiro
Como ouro a seu mineiro
Não me levem a mal
Mas eu odeio o carnaval
E toda a pontuação
O meu nome é João
Ponto
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João Gil
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1:40 da manhã
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sexta-feira, fevereiro 10, 2006
A campainha
Caro João
Ocorreu-me que poderias achar piada:
“ Toca-me no nariz
Sempre que me encontrares
Abre a minha porta
Tocaram os sinos do teu povo
A rebate repicando
Vieram todos e todos
E no fundo dos teus olhos
A chama do teu brilho
Brilhou
Tanto que não me perdi
Tanto que nem me lembro
Onde estive “
Q.
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João Gil
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11:33 da tarde
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A luz ao fundo
Meu velho amigo,
não duvides,
isto anda perigoso.
À violência da representação cartonista ocidental,
a resposta violenta que não se fez esperar.
Mudo a agulha,
falo-te de uma iniciativa em que participei,
que de tão inédita e tão interessante
faço tudo para a expandir,
com toda a minha força.
Participei num encontro promovido por várias famílias
em que abertamente se discutiram assuntos,
que no meu caso, implicitamente tiveram incidência evidente
na Música Portuguesa dos últimos anos
e no ensino, e não só mas também, na razão proporcional
de uma actividade física a começar na primeira infância.
Este encontro deu-se numa sala de estar de uma casa privada.
Toda a gente sentada em silêncio activo.
Imagina tu
que este tão pequeno evento privado
insuflaria de tal maneira,
que todos aqueles nos quais as pessoas confiaram a sua memória,
escritores, pintores, filósofos, políticos, jornalistas, etc. etc.
iriam em tournée gigantesca pelas famílias de Portugal, que se
preocupam e investem na qualidade do tempo que passam com os filhos?
Terias aqui um belo exemplo de partilha, em que as mentes se questionariam mais do que a fatal opinião formatada
por televisões de qualidade duvidosa, inevitavelmente fariam, e... fazem.
Acredita que a utopia tem um túnel cuja luz
lá no fundo adquire todas as colorações que quiseres.
No fundo... uma questão de imaginação.
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João Gil
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10:08 da tarde
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terça-feira, fevereiro 07, 2006
Não!
Meu estimadíssimo:
Ouve, tenho mesmo que desabafar,
que caraças!
Chego a um estabelecimento por volta do meio dia,
procuro se podem fazer uma matrícula nova.
Há dois dias que me passeava sem que ninguém desse por nada,
a não ser eu, com aquela sensação da meia rôta no dedo do pé grande... sim... no dedo grande do pé.
Toda a gente a olhar para nós...
Em menos de uma hora, tinha de novo a matrícula, e seguia viagem.
Agora que já passou, diz-me por favor, porque é que a primeira resposta do senhor ao balcão foi:
- Isso para hoje não vai ser possível.
Duvidei...
A segunda:
- Estão cerca de sete placas para fazer antes da sua.
Sorri...
A terceira finalmente:
- Se quiser esperar, pode ser que tenha sorte.
Abri o sorriso...
A sério, ajuda-me, diz-me a razão de ser para este comportamento tão estranho e tão corrente entre nós.
Porquê?
Sempre que alguém pede uma info ou um serviço,
vem de lá invariavelmente um:
NÃO!!!
Vais aqui a Espanha, entras numa tasca a abarrotar de gente,
pedes um bocadillo de qualquer coisa e a primeira coisa que tu ouves é:
Ahora mismo lo traigo!
Agora entendo as reportagens cada vez mais deprimentes,
sobre o que todos fariam se fossem os europremiados,
mudariam de emprego...
Nota-se mesmo sem prémio.
Que merda!
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10:16 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Mergulho nocturno
Querido Amigo:
Queres saber o que um invisual sente?
Mergulha no oceano até ao fundo da noite
e sente apenas
Era noite quando chegaste
Vendei os meus olhos
e mergulhei ao largo no mar profundo
Todos os sentidos se apuram no estranho meio
de te não ver
Foi então que te descobri
Rápido ancorei o meu batel em ti e
sem tempo a perder na tua praia rezei a primeira missa
Trocamos objectos de boas vindas
as palavras escolhidas ao acaso poético
a silhueta da tua alma
ali na minha mão
Sei agora que se pode amar uma alma
Por isso acredita
Almo-te meu almor!
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João Gil
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terça-feira, janeiro 31, 2006
o bocejo
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Quaaaaaaase.
Estás?
Ouve:
Diz lá muito rápido:
Ó vida das vidas que a vida minha me deu,
que até a vida das mais vividas vidas,
ensina a viver com tudo o que a vida me dá.
Isto tudo dentro de um bocejo.
Já viste?
Experimenta.
Mas...também tens a alternativa do meu bocejo cristão:
Ai Jesus Maria
Santíssima do
Sacramento do
Rosário de
Fátima...
Amén!
Este tem mais groove.
Escolhe.
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João Gil
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10:48 da tarde
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segunda-feira, janeiro 30, 2006
7 beijos







Meu Querido Amigo:
A vida continua orgânica tal como nos foi dada a conhecer.
Uma bola parada
Um gesto provocatório
Um floco em Lisboa
Uma cidade recolhida
Uma criança salva
Uma boa notícia
Um café com vista
Um beijo de relance
Um olhar penetrante
Um frio de rachar
Um copo de vinho
Um mau resultado
Um cheiro de mar
Uma noite devida
Uma ideia feita
Um beijo
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João Gil
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12:59 da manhã
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sexta-feira, janeiro 27, 2006
Mozart
João:
Que bom festejar.
Fantasiar.
Tantos artigos e páginas de jornais e revistas.
Endeusar um jovem compositor.
Ainda bem.
Passaram 250 anos.
Mozart continua por aí.
Podia ser um milagre da passagem de Deus pela terra.
Mas, não figuram músicos nos altares.
Mozart.
A música revela-se!
Declara-se!
A luz .
A vida.
É possível viver nos intervalos da morte.
Eleva-te!
Vai!
Q.
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João Gil
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2:20 da tarde
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quarta-feira, janeiro 25, 2006
O custo de vida

Andreas Gursky
Desculpa-me Quase,
nem era para te ligar, mas achas normal que uma conhecida marca
de hiper-mercado se vanglorie constantemente de,
ano após ano, conseguir baixar os preços,
suportando o aumento do IVA, aguentando tudo?
Pois eu digo-te qual o sub texto de tão subtil
publicidade generosa e caridosa:
Especularam tanto e tanto,
os preços eram de tal maneira elevados,
que agora se dão ao luxo de gozar com a situação.
Fica aqui registado, da minha parte,
a certeza de que o custo de vida em Portugal
podia não ser tão elevado.
Olha Quase, há coisas de que não me importo de saber,
apesar de as compreender na sua essência,
mas gozar com a nossa cara é um pouco demais.
Imagina que na minha retrosaria faço o mesmo?
Está certo!
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João Gil
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10:52 da tarde
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Delicadamente a oriente
Estimado e delicado:
Como vão as coisas Quase?
Sei que ouves sem que te sintas obrigado a responder.
É tão difícil que alguém nos ouça... apenas.
Não! Não me queixo.
Quero apenas que saibas o quanto aprecio essa tua maneira de me ouvires, sem que venha daí uma interferência ou julgamento.
Confio-me a ti.
Lembrei-me de te falar dum comportamento exemplar,
que dificilmente, a não ser por pânico geral, terá espaço entre nós.
Se fores a Tóquio, verás que todas as pessoas que têm sinais de gripe ou constipações virais de estirpes variadas,
identificam-se e protegem os demais, usando máscaras brancas,
anulando ao máximo o contágio normal transmitido por via aérea.
Nas ruas, nos autocarros, no metro, nas empresas ou em casa,
as pessoas respeitam-se a esse ponto.
Achas que um dia faremos tal?
Entrarias num táxi, cujo condutor tivesse uma máscara sem que
concluísses que tu correrias algum perigo?
Aqui entre nós, o perigo anda sempre escondido e a céu aberto.
Espero que estejas bem.
Um abraço.
Araki
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João Gil
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5:47 da tarde
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segunda-feira, janeiro 23, 2006
O Presidente Sampaio
Grande Quase:
Vim só para te deixar um recado,
ao qual darás o melhor seguimento:
Diz ao ainda presidente Jorge Sampaio,
que o abraço com o barulho a condizer.
Que lhe agradeço o convite que nos fez juntar de novo
no pavilhão atlântico.
Que vamos ter saudades das suas lágrimas fáceis e generosas.
Que não esqueceremos nunca a expressão da sua alma enquanto cantávamos a Timor.
Que um bom Presidente é aquele que chora por ver o seu Povo a rir de sua alegria.
Que terá de todos nós o que muito merece:
A nossa admiração.
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João Gil
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10:45 da tarde
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Dois homens e um destino
Estimado:
Já sabes de tudo não?
Estamos todos felizes por aqui.
A harmonia.
A retoma vem aí com o salvador.
Viva!
De que se queixam os Portugueses?
Vá, tudo a trabalhar e alegria nisso.
Isto agora é que é!
Ganhou o candidato que melhor acerta o seu relógio
pelas políticas deste governo desenhadas previamente na europa central.
Duvidas?
Eu, se fosse o Primeiro, não hesitaria em fazer o mais possível
Para por tudo em prática.
Já!
Será que a oposição já realizou que não falta nenhuma a partir de agora?
Um pouco exagerado...
A oportunidade para a grande unidade.
O bloco central domina agora em toda a linha.
Julgas que pratico o escárnio não é?
Conheço esse teu riso.
Fico no entanto um pouco curioso sobre o desenrolar
da nova novela que está a ser rodada na OTA.
Como vai acabar?
Quem foi o assassino?
Não desejo o mal de ninguém, e muito menos do povo a que pertenço.
Para o que der e vier sou um deles.
Um abraço!
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João Gil
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2:21 da tarde
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sexta-feira, janeiro 20, 2006
O peixe a cana e a sabedoria
Meu querido amigo Quase:
Nunca falámos de eleições,
nunca soube o teu sentido de voto.
Creio aliás que tu nunca votaste em Portugal,
estou errado?
Queria estar no teu lugar,
queria estar em todo o lado e em nenhum,
teria outro tipo de deveres, outro tipo de obrigações.
Não estaria preocupado com assuntos pontuais de cada país,
região, cidade ou clube de esquina.
Nunca teríamos esta necessidade comum, de comprar as coisas
de que necessitamos realmente para sobreviver, e termos de ganhar dinheiro para isso.
De termos de guerrear constantemente por afirmação de identidade ou valores éticos.
Quase:
Ajuda-nos!
Não tens de nos dar o peixe, a cana ou sua aprendizagem,
Dá-nos a compreensão,
Dá-nos a lucidez
Dá-nos a sabedoria
Ensina-nos!
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João Gil
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7:06 da tarde
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quarta-feira, janeiro 18, 2006
Sou Angolano

Muito bem!
Julgo ter entendido Quase...
Mas que raio de coisa tu fazias em Lisboa naquele ano?
Donde vens tu?
Hei-de saber um dia.
Juro-te!
Antes de te enxovalhar na tua petulância Caravaggiana,
Dedico-te uma bela canção:
Linda é linda...
Desculpa!
Deixo-te dois contrastes que falam a mesma língua,
pode ser?
A piscadela de olhos que José Rodrigues dos Santos
decidiu implementar na informação mais credível de tão tão tão e mais tão, serviço público ser...
que por tal e tal e... mais tal, me apetece endossar para ele, o destino cúmplice da parte que me cabe nos meus impostos.
A chamada instituição do olho.
Por outro,
A comovente declaração de Pedro Mantorras, que não festejaria um golo marcado a Portugal.
Por ele e por muito, considero-me Angolano.
Agora sim Quase:
Vai-te esconder!
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João Gil
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9:39 da tarde
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O mercador de Lisboa
Ouve João:
Não te vou responder à letra.
Tudo o que seja relativo à tua vida profissional,
e ao respectivo encaixe social,
será sempre uma descoberta que terás de fazer sózinho.
Pelo teu próprio pé.
Prefiro contar-te isto que se passou bem perto de mim:
Estaríamos aproximadamente no ano de 1510,
vejo um mercador de pêra e bigode, saindo apressadamente de uma casa,
uma rapariga de tez ruiva, gritando atrás dele cai desamparada.
Sem hesitar, parei o meu trânsito e ajudei a levantar aquela criatura de cabelos de fogo e olhos negros.
Beijei sua mão e deixei-a por ali, um pouco mais recomposta.
Iniciei o meu passeio pela orla ribeira, inspirado pela maresia robalina até que
dou de caras com o dito cavalheiro gritando para um Genovês,
que lhe pagaria mais pela mercadoria desejada por outro mais que viesse.
Entretanto chegou um Castelhano que exigia, com ganas, aquilo que acordara anteriormente com o Genovês.
O mercador inflectiu então num discurso inflamado, que jamais faria tal coisa a um colega.
Fosse ele cão.
Contribuí à cena com o sorriso mais generoso que me saiu ao momento.
Com meus áás continuei continuei continuei e... quando o sol há muito arrefecera,
entrei num dos muitos tascos do campo das cebolas, que nunca apreciei seja sincero
e lá estava o nosso homem, embezanado pelo vinho mais ácido até então, cantando mal, uma velha melodia que, segundo ele, teria ouvido de um cantor marinheiro vindo dos mares do norte:
-Ai lambiu beibi...
E nos intervalos de tão gemido desafinado, dizia ele para o tasqueiro que o olhava sem ser nos olhos:
Esta minha vida é um desenrascanço!
Suspirava...
Acredito João, que tu e os teus, descendem daquele mercador incansável no seu serviço.
Não te ofendas!
Às vezes lembro-me de Caravaggio,
como ele se ria desbragando as suas bandeiras.
Respeitosamente
Q.
Caravaggio, O sacrifício de Isaac
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João Gil
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8:09 da tarde
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