
Meu Querido Amigo
Escrevo-te já na minha terra.
Voltei numa porcaria de um avião
onde o espaço disponível, está indisponível
pela falta de espaço.
Que fazer das pernas numa viagem de 11 horas?
A companhia Air France, viabiliza-se pelas suas poupanças,
poupando no espaço da viatura.
Mas isso não interessa.
Valeu muito a pena ter ido,
Encontrámos um Maestro e uma Orquestra exemplar.
Estes séculos passados em Macau,
Teriam na comunicação e no diálogo a velha questão de sempre.
É possível comunicar e encontrar um entendimento único e próprio.
Sabemos da utilidade do futebol, tal como os signos do zodíaco,
para iniciar uma bela conversa.
A Música é a Paz.
O diálogo torna-se sensitivo, subtil e sincero.
O produto final adquire uma nova nacionalidade.
A paz.
segunda-feira, março 20, 2006
Musica e Paz
Publicada por
João Gil
à(s)
3:06 da tarde
quinta-feira, março 16, 2006
O brio

Grande Quase
Como é que isso vai?
Já passaram aquelas mazelas?
Há coisas que a idade não perdoa tio...
Eheheh
Por aqui a coisa está do melhor,
A orquestra tem um maestro prestigiado
e arrojado.
Os músicos são bem comportados,
E não como alguns dos seus colegas de Portugal,
agrilhoados por fantasmas de funcionalismo-público,
de comportamentos de putos por infância não tida.
Encontro brio por estas paragens,
Uma outra maneira.
Comunicamos.
Cruzamos a informação.
Tem sido bom.
Aceita o meu abraço.
Publicada por
João Gil
à(s)
2:31 da manhã
terça-feira, março 14, 2006
segunda-feira, março 13, 2006
Basicamente

Meu querido estimado
Escrevo-te em pleno voo.
São uma data de horas cumprindo um programa restrito
de possibilidades para espapassar o tempo.
As pessoas são basicamente iguais.
Têm os mesmos pavores e medos.
Isso transforma os circunstanciais comportamentos
em reacções semelhantes,
Eu gosto de voar por isso ya meu tásse bem!
Pensei nessas palavras que me deixaste.
Sim é verdade,
Manuel de Oliveira é para muitos, um factor de união
pelo riso e chacota de quem julga julgar.
Ele há de tudo.
É bom rir de nós,
dessacralizar,
não nos levarmos tão a peito.
Mas não creio ser esse o caso.
As maiorias têm as suas razões.
Então vá, vou aguardar o tempo
Acertando pela hora local e fazer o que dizes:
Estarei atento e activo,
Algo que me ocorra de relevo
Fotografarei
Cuida de ti
Publicada por
João Gil
à(s)
5:32 da manhã
sábado, março 11, 2006
Os papagaios da ignorancia

Antes de mais, faz boa viagem João.
Aproveita essas oportunidades raras
e retém toda a informação envolvente.
sabores
cores
rumores
amores
aromas
Dar-lhe-ás a melhor utilidade
Leva-me a escrever-te
o teu compatriota e realizador
Manuel de Oliveira.
Tornou-se entre muitas pessoas que conheces
o uso capião de escarnear M.O.
sempre a propósito de algo de muito lento,
pesado ou maçador.
Por sua vez habituados e educados segundo
as normas do cinema em que os truques substituem
e compensam o enorme vazio, mostram toda a sua deseducação e indisponibilidade aos horizontes de outras aproximações artísticas.
Presta bem atenção às entrevistas de ensinamento
que Manuel de Oliveira raramente faz.
São as lições de vida que os jovens deviam
ouvir e reflectir.
Aprender sempre com os que sabem
deveria ser o lema.
Não desactives João.
Estarei sempre aqui para o que desejares.
Diz coisas de ti e de lá.
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
12:40 da tarde
quinta-feira, março 09, 2006
O frango etico
Ó Quase!
Lá vou eu de novo.
Pra lá de cascos de rolha mais exactamente.
Uma aldeola lá no sol posto,
mais ou menos atrás das pedras percebes?
Longe como o caneco!
No epicentro de muitas doenças para lá de perigosas.
Conheço um restaurante de cozinha Tai que é do melhor.
Passarei lá a minha vidinha não tenhas a mínima dúvida.
Arroz introduzido dentro do ananás com os pedaços do mesmo.
Bom!
Já comeste cobra?
É tipo frango com espinha vertebral.
Frango ético?
Carne algo musculada digo.
Bué bom!
Invariavelmente, terei saudades da posta de bacalhau,
com uma brutalidade de azeite.
Assim desta maneira, ligo a Pátria ao estômago nostálgico.
Um novo conceito de nação surge nas entranhas é o que é.
Entendo tão bem os emigrantes, com o bacalhau e o queijo,
embrulhados oleosamente em papel pardo.
Meu querido amigo
Vou para mais velho e volto mais novo
como de costume
Hei-de contar-te um dia porque é que os prédios
altos têm grades nas janelas.
Ah! (esta coisa do ah, lembra-me o detective Columbo)
A propósito da ética galinácea, eu por mim, se fosse deputado da bancada da dita,
teria aplaudido o novo Presidente de Portugal.
É a partir de agora e para todos os efeitos, o meu Presidente.
Publicada por
João Gil
à(s)
10:06 da tarde
quarta-feira, março 08, 2006
Espelhos

Oli Quasi
Fotografê prá ócê
A bonomia de uma tarde
A primeira aula de fotografia
A nabice da focagem óbvia
A simetria mais que aborrecida
- Sim, todos tiramos a mesma e depois?
Se partir esta foto, serão sete anos de azar ou mais.

Publicada por
João Gil
à(s)
4:57 da tarde
O dia do homem

Não sei o que o meu estimado amigo
pensa sobre o assunto que logo pela manhã ouvia
de um respeitado senhor a propósito deste dia 8 de Março.
Dizia então o senhor:
- Quero deixar um beijinho especial
à mulher que me atura lá em casa!
Ao princípio até achei normal,
mais um dia entre muitos,
o dia da mulher, que uma vez por ano,
por ser apenas um momento tão especial,
nós reconhecemos todo um esforço de assinalar.
que até merece uma rosa!!!!
Assim, ao urso branco, ao panda, ao S. Valentim,
E por aí fora, junta-se também a mulher, esse animal diferente,
que também tem direito a um dia.
Mas apenas um.
Não abusar.
Para mim,
dia após dia, rosa após rosa.
Fiquei sim, convencido quando ouvi
o respeitável senhor,
Que hoje é de facto mais um dia de homem.
Ah!!
Hoje pode ser o dia do Benfas!!!
Publicada por
João Gil
à(s)
1:59 da tarde
terça-feira, março 07, 2006
A mulher deitada

Meu Querido Amigo
São reconfortantes e sábias, as palavras por ti
sussurradas na sua maior doce evidência.
Assunto encerrado!
Há uns dias, pelas terras do meu interior,
no crepúsculo montanheiro,
misturava no horizonte
este registo sugestivo.
Esta mulher nua e deitada parecia
nadar em braçadas de terra até ao mar.
Ou simplesmente pousava para o meu desenho?
Fixei-a retinamente
Já viste a rapidez e a velocidade dos nossos sentidos?
Vão e vêm num abrir e fechar.
Toma-a nos teus olhos e vai em paz.
Publicada por
João Gil
à(s)
11:31 da tarde
segunda-feira, março 06, 2006
O campo de milho
Carissimo João
Vejo-te inteiro.
Ainda bem.
Sabes que a ponderação tem o som
da harpa que se ouve quando atravessas
um campo de milho?
Sabes que a inveja é uma das doenças
que mais mortes tem provocado no teu povo,
meticulosamente e sempre à hora certa?
Sabes que a mediocridade tem um público
fervoroso e convencido da sua arrogante
verdade?
Digo-te como teu amigo sincero:
Corta a manipulação pelo mal
da rua raíz.
Sigo-te de perto meu estimado amigo
Q.
Abbas Kiarostami
Publicada por
João Gil
à(s)
8:06 da tarde
domingo, março 05, 2006
A vertigem
Estou de volta meu amigo Q.
Confio-te algumas das palavras que a mim sorriram,
apanhadas do céu mais à mão:
Cintilas meu amor
Voo mais alto
Voo mais perto
Na tua vertigem
No teu mais fundo
Eu
Agarro-te
Apanho-te
Seguro-te
Não fujas antes que o sol te encubra
Não te escondas meu amor
que a noite mata-me só
e não tarda a ser dia
Publicada por
João Gil
à(s)
12:54 da manhã
19
comentários
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Subir ao fundo
Meu estimado
Volto à montanha.
Talvez perceba um dia
porque voo tantas vezes em sonhos
de janela em janela
pelos beirais das casas de Lisboa.
Entendo o João Garcia.
A tentação de subir ao fundo do abismo.
O perigo de morrer ao fugir dela.
A gravidade em movimento ascendente.
Apressadamente!
Somos seres estranhos, nós os humanos.
Donde vimos?
Publicada por
João Gil
à(s)
4:36 da tarde
12
comentários
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Gatuno! Gatuno! Gatuno!

Olha Quase
Digo-te, este fenómeno do futebol tem
na verdade algo de muito que se lhe diga,
e o que te trago apenas faz sentido
porque tudo o que se passa fora das quatro linhas
atinge proporções que não têm absolutamente nada a ver com o próprio desporto em causa.
Apesar da evolução tecnológica, dos interesses dos dirigentes dos clubes, do seu poder indescritível, dos inúmeros programas de TV, da imprensa altamente rentável, dos fanáticos das bandeiras e claques, dos apaixonados que libertam a sua pressão, dos ferraris, de todo o azeite que escorre das cabeças platinadas, dos gestos provocatórios, apesar de tudo e tudo o que agora não me ocorre neste texto inacabado,
realizo que a chave do segredo do sucesso do futebol assenta na incapacidade de controlo total sobre tudo o que acontece em tempo real, sem hipótese de retorno.
Se algo acontece, simplesmente já passou, já era!
Se não, vira futebol americano, com as paragens para publicidade, para a revisão dos lances e sua possível correcção.
Lá se vai a piada da coisa.
Somos levados a concluir então, que a discussão durante a semana dos casos polémicos, são a negação da essência do futebol.
Tudo se esgota no final do jogo.
Não???
Ok!
Então vá!
Continuem...
Força!
Gatuno!
Gatuno!
Metem dó...
Ainda por cima vê-se logo que nunca jogaram futebol.
Publicada por
João Gil
à(s)
11:54 da tarde
6
comentários
A janela embaciada
Querido Amigo
Não é que a luz faltou exactamente
na parte em que o actor, aquele do matrix,
um pouco duro, canastrãozito mas enfim,
ao contrário da... nem encontro palavras,
Charlize...
Chorei baba e ranho só podia.
Às vezes chora-se nas banhadas americanas.
Porquê?
Um sinal de fraqueza!
Que franqueza!
Fui à janela para ver se era geral... a avaria entenda-se.
Apenas no meu quarteirão.
Só para chatear mesmo ali ao lado, o projector
ilumina agressivamente o prédio em frente,
A pirraça do rico... palhaço!
Enquanto espero pelo piquete da EDP à espera da sua Opá,
embacio o vidro da janela com fúria de mestre.
Atenuo a violência do chato do foco, e penso numa data de gente antes de desenhar no vidro em branco.
Se um dia escreveres algum nome na tua janela,
foi porque pensaste numa data de gente também, mas...
Que a luz nunca te falte!
Publicada por
João Gil
à(s)
1:15 da manhã
5
comentários
sábado, fevereiro 18, 2006
A muda mudança muda?
Estimado
Sorrateiramente e como quem não quer,
o DNA finou-se.
Tinhas dado por isso?
Pois...
Mudar, tem de se mudar, fazer qualquer coisa,
mudar apenas, aparecer com outra cara,
Rejuvenescer?
Não creio.
Passou-me ao lado a justificação, se é que foi dada.
De quem é o DN?
Quem são?
Não interessa.
Olha Quase, já me convenci que nos dias que correm,
a mudança só por si, passou a ser um acontecimento,
um facto em si mesma.
Fica-se mudo de tanta mudança Meu Deus!!!
Sim, serei sempre naifezito...
Nas tintas.
Quando as coisas mudam para pior manifestamente...
Era caro fazer o DNA?
Cansaço?
Sei que um dia um amigo dirá algo que assente na mão
como a defesa pela luva de Ricardo.
Para mim, já perderam.
Já não compro o DN à sexta.
Também, quem se irá importar.
E tu Quase, estás sempre na mesma.
Vais ficar quieto?
Publicada por
João Gil
à(s)
12:51 da manhã
7
comentários
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Os cravos de fevereiro
Carissimo João
Disse-te uma vez que não iria nunca
responder à letra sobre as coisas que te trazem a mim...
Hoje passei por aí, e vi que tinhas cravos vermelhos na tua mesa.
Pensei que seria interessante falar-te disso.
Sabes que os cravos são as flores da época?
Sim, têm a conotação de uma época que vocês viveram mais tarde em Abril de 1974.
Em Itália também curiosamente.
É claramente a estação do ano em que a natureza rompe e renasce pelos buracos do muro do inverno ainda.
Aproveitei para te falar de Liberdade,
do quanto é difícil o seu exercício,
falar-te do sítio onde acaba a nossa e começa a liberdade dos outros.
Foram séculos de experimentação.
Respeitar a diferença?
Quantas vidas não terão custado?
Qual foi o preço que se pagou na luta por tudo
o que tu e os teus amigos agora usufruem?
Olha para trás, estuda a tua civilização,
porque ela edificou-se, por sua vez, em cima de todo o tipo de
Barbárie, por invasões em nome de Deus, por todo o tipo de atropelos até que, contradição ou não, a consciência cresceu ao ponto da vossa capacidade de autocrítica e auto análise definir as margens da clarividência, com uma clareza indesmentível.
Nada mau!
Gosto de te achar eufórico, um pouco ansioso e impulsivo todavia, sim...
Conta comigo tu, e claro os teus amigos pendulares também.
Não deixes de lutar sempre.
Q.
Vieira da Silva
Publicada por
João Gil
à(s)
11:40 da tarde
4
comentários
O dia a dia
Ó camarada Quase
Já agora o que me dizes...
Dia dos canhotos
Dia dos que usam óculos
Dia dos que ainda vêm alguma coisa
Dia do peão
Dia do gato
Dia de e do cão
Dia dos avós
Dia do neto
Dia do tuning
Dia da OPA
E mais outros tantos
que fariam do nosso dia
um verdadeiro dia a dia.
O comércio agradece.
E nós, ya! É aquela!
Um abraço
Publicada por
João Gil
à(s)
12:51 da manhã
4
comentários
terça-feira, fevereiro 14, 2006
A cidade do namoro
Caro João
Pondera
São séculos de tradição
Os teu antepassados levaram os costumes
Cruzaram informação genética
Dizes que te sentes leve
Que não te deixas contaminar
Pensa que o povo é soberano
Eles adoram matrafonarem-se
Deixa lá
É a imagem do seu ideal
e quem sabe dualidade sexual não assumida
Desconfia quando ouvires os teus amigos
exercitando a ideia de se acharem o macho
Vai a Veneza
Subtil
Sinuoso
Sensual
Secreto
Compreendo o que te irrita
Mas
Vai por Lisboa ao acaso
Encontras o inesperado
Nada se repete
Uma rua nunca é igual a outra
E vais encontrar
Uma rapariga descalça e leve
Descendo degraus e degraus e degraus
Até ao rio
Namora
Não odeies
Um abraço sem pontuação
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
11:48 da manhã
5
comentários
Odeio o carnaval
Estimadissimo Quase
Quero que saibas
Ninguém me pode levar a mal
Mas eu odeio o carnaval
Não é fácil esclarecer
Sem ofensa ou maldizer
isto assim até morrer
Desconforto de assumir
Nem sequer admitir
Sem vergonha ou que tal
Por favor e sem mal
Eu odeio o carnaval
Um dia uma canção
Sobre tema tão distinto
Seja branco seja tinto
Como o circo no natal
Depressivo e fatal
Faça chuva ou faça vento
Eis chegado o momento
Encarar o que é real
Vou lutar o ideal
O fado negro que souber
O bem haja ao que houver
Vou-me rir o ano inteiro
Como ouro a seu mineiro
Não me levem a mal
Mas eu odeio o carnaval
E toda a pontuação
O meu nome é João
Ponto
Publicada por
João Gil
à(s)
1:40 da manhã
8
comentários







