terça-feira, janeiro 17, 2006

Traje de luzes

Sim João, de facto a lide, e a ideia de sol e sombra,
tem suscitado de tudo um pouco.
O sol que ilumina o gesto,
a luz de um traje que pelo animal estropiado,
tem gerado palavras, cujo peso e massa
dele brilham, brotam e sangram.
A sombra feita por um animal barbarizado,
mas cuja vida depende apenas da má sorte que lhe está destinada, como uma galinha que nasce para o efeito
sem uma causa...
Nada te choro.
Quem enfrenta um animal ferido, sangrado e enfraquecido,
às penas e lamentos não deve exigir.
Sei que os códigos de afirmação entre um grupo de homens,
nascidos e criados em lezírias, encontram muitas vezes na arena,
a galhardia e a coragem de um vínculo, uma identificação ou um sinal dentro de uma tribo qualquer.
Depois, vêm suas mães lamentar e apanhar a dor que caiu por terra.
Tudo isto tem um passado.
Sim, tens razão que me deu um certo jeito,
não tenho que me justificar a ti ou a quem quer que seja,
mas não tenhas dúvidas:
É na verdade mais fácil escudar uma opinião numa verdade aparentemente justa e correcta.
Mas não chega para entrar no céu.
Consuma-se internamente no presente colectivo... apenas.
Por isso, apelo-te para a compreensão dos homens, para a explicação das estrelas.
Porquê tudo?
Não te apresses a dizer não.


Cordialmente

Q.


segunda-feira, janeiro 16, 2006

Campo de silhuetas





Quaaaaaaaaaase:
Estás aí?
Não?
Estás bom?
Já te passou aquela dor?
A idade não te perdoa...
A malta compreende.
Já tinha uma mão cheiinha de saudades.
Vinha no caminho com um olho no infinito
e o outro tentando adivinhar o centro exacto
entre os pinôcos que estão na berma do alcatrão.
E assim, batia com o pé ao encontro de uma cadência.
Uma maneira de compassar o tempo certo na velocidade constante.
A estrada sempre me encantou.
E tu, como encontras a velocidade e o movimento nas tuas abstracções coloridas?
Adorava assistir às tuas aulas, mas tu tens cá um feitiozinho... Jasus Maria...
Foi então que no outro olho, o do infinito topas? Enfrentei esta silhueta
que indentifica a léguas este enorme Pais cheio de Países.
Reconheces que esta velha questão da lide, faz de cólera os suaves Portugueses,
tornando-os bravos bravios da Paz entre os animais, não? Não! Nãuu?? Não!!!!
Vês? Não é fácil, por isso fecho-me em copas até encontrar um jeito
de exprimir seja o que for, sobre uma matéria tão controversa.
Dirás da tua justiça se achares por bem,
mas tu próprio sabes que a gestualidade tauromáquica,
foi-te de feição naquele teu quadro um pouco Goyanista mas enfim...
Havemos de falar mais sobre isto.

Agradeço-te as palavras, sei que não facilitas a ausência de não estar.

Estou-te grato por tudo.

Um Abraço meu querido amigo, e boas melhoras.

domingo, janeiro 15, 2006

A espantosa realidade

Olá João:
Na tua ausência tenho pensado nas coisas que me tens segredado.
Nos teus amigos, nas pessoas que amas,
no teu País e, por vezes, no impulso imediato que te leva por aí adiante, sempre tomado e possuído por uma intuição
que te ilude na ilusão.
Enfim lá vais, lá continuas.
Ainda esta semana, um aluno me questionava sobre a intuição que o tinha assistido na hora de uma decisão dolorosa, acerca de uma relação profissional que, uma vez chegada ao seu termo, estava agora a provocar-lhe alguns danos no sangue de sua afectividade e, enquanto ouvia..., pensava em ti,
e em que sorte foi a tua.
Preocupa-te.
Não te percas nem te distraias.
Ouve os outros.
Observa.
Já viste o que pode estar por detrás de cada rosto?
Tudo o que me dizias das traseiras de uma cidade,
também se encontra nos olhares que se cruzam casualmente.
Alguns, são tristes de castanho intenso, outros de azul esquecido e vago, muitos tocam e fogem, temerosos por desvendarem coisas da sua alma.
Lá vão na sua caminhada diária, espantados pela espantosa realidade.

Olha bem e vê.

Deixa-te levar pela intimidade da intuição.

Cordial o meu abraço.

Q.



Sebastião Salgado

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Caro Joao

Caro João :
Inesperadamente,
sou eu que te escrevo desta,
e faço-o com o gosto que imaginas.
Não te quero sentir assim ao longe, um pouco angustiado.
Tirar-te o peso da obrigação, a que a mim te obrigas,
é minha obrigação.
Tu próprio o afirmas quando me apelidas de teu quase.
Gosto de ser o teu quase, mas não te forces a mim.
Deixa-te assim.
Diariamente espero o toque do carteiro, é certo.
Estou sempre curioso de ti, das tuas coisas e problemas.
Obrigado pelos teus alguns momentos de absoluto delírio que partilhas comigo.
Mas, ouve-me:
As minhas aulas continuam como sempre,
os meus alunos entendem coisas, tocam nas cores,
fazem um esforço sincero,
isso encanta-me.
Tenho exposto os meus quadros,
a vida segue o seu rumo, o fogo não se apagou.
Auto-retrato-me sem que ninguém o entenda,
vou criando sulcos, esquizofrenando através do universo colorido.
Enfim, tal como tu, vivo!
Entende que é bom este descanso de ti.
Sucessiva, é a entrega de correspondência, e por mais que fantasies, acabas rotinando o que não queres .
Deixa-te.
Estou bem.
Espero que tu também.
Um abraço sincero.


Q.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

La fora a chuva dentro




Chove a cântaros ou chove a cantãros?
Onde fica o assento afinal?
Na Assembleia?
Ou tem acento no banco?
Onde está a çedilha?
Por baixo de mim?
Ou de ocê?
Nas confecções da seda?
Sedá que é cera?
Cerá?

Esquece!

Chove comócaraças!

Dâçe, dâsse ou da-se?

Beiços!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Adios!




Meu Amigo e Quase Diário:
Vou-me embora.
Adoro fazer esta mala apressadamente.
Deixo-te por uns dias apenas, eu que nem sou teu pai sequer, preocupado porquê?
Aguentas-te sem mim?
Tomas tudo a tempo e horas?
Sei lá, essa cena das vitaminas, e tal...
Ok!
Já tens idade.
Sim, volto para votar,
Não stresses!!!!!

Olha:
Vês?
Confio nesta coisa, sabes?
Desci muitas escarpas e montanhas preso a ela.
Desde o mais alto glaciar até aos quintais sem pendente,
confiei-lhe sempre o meu breve destino.
Vício puro.

Ouve:
Espera por mim por favor!
Informa-te!
Lê!
Não vás em conversa!
É tão fácil manipular!
Pensa pela tua cabeça!
Não! Não é tão obvio que a informação seja livre!
Cuidado!
Crucial!
Acompanha a questão de Israel.
Vai-me dizendo!

Conta nove luas

Abraço!

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Disco de ouro


Foto: Vasco Gil

10.000 discos vendidos.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

O sexo de Ala






Já agora ó Quase, tenta lá sair da cepa torta.
Agora que o jejum, toma conta de nós cristãos,
arrependidos e prontos à provação da abstinência, fala por ti.
Vai comprar este livro e este disco, e...
Faz um esforço!
Desfoca da TV enquanto não recomeça o campeonato, pelo menos... ao menos!

Viaja!
Vais gostar!
Nem vais acreditar!

Estou na Syria por um momento... lento!
Em sufi me encontro... monstro!
Rodopiando... ando!

Voltarei não tarda.

Espera... era!

Águas de Janeiro
















Aguenta-te meu amigo Quase:
Entro no meu verão,
naqueles dias de vadiagem pelo tempo.
Assumo-te a contradita:
Gosto que a água do meu janeiro,
seja gelada e fria.
O teu inverno é o meu céu.
Lá vou para a montanha!
Que Deus me veja e não dê por mim.

Barcelona, apresenta-se assim como a cidade ideal.
O mar.
A montanha.
Que sorte!
Inveja-te Lisboa!
Põe-te bonita!
Arranja-te!
Deviamos lutar mais por Barcelona,
descendentes sem fronteiras,
observamos tudo e tudo que
no sangue ibérico desagua em nós.
Até achamos graça!

A água de rosas cheira por todo o meu lado.
Minha mãe, besuntava-nos logo pela manhã.
Quando levantava o sol, entrava por um lago absolutamente gelado.
Passava dos trinta e muitos, directamente para um quase gelo.

Nunca mais parei.

domingo, janeiro 01, 2006

Maresia



Seria dia não tardaria

Um novo tempo
foi anunciado.

Vou em tua direcção,
Não temos muito tempo,

Despacha-te.




Bom dia Quase,
Sou eu!
Posso?

sábado, dezembro 31, 2005

2006










Flutua
Voa
Eleva
Corre
Pensa
Deduz
Olha
Toca
Suga
Planeia
Ouve
Suja
Apaga
Mata
Segura
Sua
Diz
Diz
Diz


Diz

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Estamos Juntos




Meu estimado e querido Quase diário:
De acordo contigo, a última crónica 2005, deveria exigir
outra roupinha...
Isto não são maneiras de te escrever...
Mas tu, com as costas largas, já sabes.

Nestes dias lembro-me sempre de meu Pai.
Natural!
Pegava no cinzeiro mais à mão e... zás janela fora.
E nós todos lá em casa, pensávamos se não seria
o desejo, embora não correspondido, de largar aquela droga da merda dos cigarros.
Ao dia primeiro, a primeira coisa que fazia era puxar do cigarro,
depois de um pequeno almoço, rápido pretexto.
Aquela maldita tosse matinal que não me larga os ouvidos.
Se ele tivesse largado aquela porcaria, enfim...
Estava escrito!
Mas voltando,
O que é que vou deitar fora este ano?
O que nós deveríamos deitar fora deste ano?

Seria tão óbvio que não me atrevo ao consenso natalício.
Estamos, nesta matéria, justamente de acordo.
Coisas como a Paz, a Saúde... por aí fora fazem parte do desejo comum,
todavia, necessariamente diferentes, os caminhos tortuosos e divergentes.
Os partidos alternam nos favores às suas clientelas, e a coisa equilibra-se.

Apresenta-se o contrário disto tudo, como o mais excitante e inovador.
O que guardar deste ano?
É isso que te venho propôr.
Pensa nisso, porque será isso que nos faz caminhar aqui,
enquanto houver, esta estrada para andar, neste caso é mais Palmar.

Gostei de iniciar esta nossa conversa à vista de todos.
Creio que te protegi de alguma maneira,
O teu gato, os peixes, os teus filhos, os amigos,
Ah! O papagaio, embora aqui eu seja o teu químico,
a tua figura anexa, o teu xerox.

Estamos juntos.
Sempre!


Até!

Ir a Allen pensando ver woody

Ó Quase:

O C.C.B. encheu-se para uma sessão especial de cinema.
Era um dia único.
Juntou-se o povo para ver a retrospectiva dedicada a Woody.
Como nem sempre é possível ver o realizador ao vivo,
este tipo de eventos raros revestem-se sempre de algum aparato extra.
Um certame!!!
A RTP mandou o seu repórter de charme.
A SIC e a sua pequena brigada de riso.
A TVI já se sabe.
Vieram todos a correr, numa espécie de ciclo da cinemateca.
Qualquer coisa de anos cinquenta em pleno Salazarismo,
recebendo uma estrela de cinema qualquer.
Então, lá foram todos, só que para azar,
a máquina de projecção avariou, pifou, deu o berro.
Apenas se ouviu a música... para além dos impropérios ao afamado marreco.
Uns senhores assim... já entradotes, entendes?
Qualquer coisa de... quê?
New Orleans creio, bem! Não estou lá muito seguro.
Não interessa.
Foram ver o Woody Allen, mais nada, pronto!
Não te ponhas com coisas.

Um dia, caro quase, fui a Roma ver o Papa e,
por falta de Papa, acabei por ver Roma.
Nada mau.
Tens a certeza que o pessoal foi ouvir música?

Sim, tens toda a razão.
Desculpa-me!

Há quanto tempo não ouvia esta palavra... certame.

Bué antiga!


quarta-feira, dezembro 28, 2005

Uma bica e um blogue





Ya! Quase, tá-se?

Não sei bem porque te abordo assim.
Tantos os que duvidam deste género.
Ouvi há dias atrás um daqueles tipos,
digno representante de grupos empresariais,
misturando tudo e todos, num saco enorme de incompetentes
que não se podem comparar a jornalistas,
muito menos, substituir a imprensa credível...continuava o dito.

Praguejei e arrematei com galhardia:
Este tipo está com medo!
Gritei para o aparelho de rádio.

Estranho, o edifício literário em que vivemos.
Dominado pela ausência de regras,
ouso praticar a invenção das palavras quando calha.
Saio à rua e, zás!
Caio atingido por um raio.
Sou um fulminado, seja cão, e ladro porque não!
Somos todos iguais nessa net!
Cantava o Lins.
A delinquência da escrita de rajada?
A falta de rigor verbal?
O meio mal frequentado?
Será que esta nossa comunicação sanguínea,
retira-lhes protagonismo manipulador?
Mas, alguém pretende?
Por mim...
A todos eles o belo traque pois então.

Traga-me um café e uma água, por favor...

terça-feira, dezembro 27, 2005

TV laica




Bom dia meu quase diário:


Ah! Ah! Ah!

Nesta "igreja" estatal, muito visitada pelas comunidades
de língua Portuguesa, a fé cristã é espalhada quase diariamente.
Um padre cantor à paisana, que simpaticamente se chama de Borga..., um palácio respeitado que se apelida das Necessidades,
um cemitério que de Prazeres se enterra... enfim, são os mistérios da língua Portuguesa.

Não tenho nada contra a omnipresença do Senhor pela voz daquele simpático também senhor padre, mas não te entendo, ó meu querido estado laico equidistante e justo.

Não te preocupes, nós somos todos uma cambada de carneiros, e andamos cá para ver andar os outros.
Afinal, as escolas primárias não têm audiências que se vejam por aí e além.

Deixa lá.

Vietato!



Ó Quase:

Aprendi tanta coisa contigo que já me esqueci de muito.

Era proibido proibir, lembras-te?
Que havia mulheres que jamais deveriam conhecer a dor.
Que homens havia, em nosso altar para sempre acenderiam.
Que iríamos lutar até à exaustão.
Que a cedência nem por nada, seria concedida.
Que a nossa consciência seria algo de novo.
Que a liberdade não teria palavras.
Que a música pela respiração se daria a revelar.
Que aos velhos não faríamos o mesmo.
Que daríamos sempre conta do recado.
Que a inveja dos merdosos seria a única arma que teriam.
Que o sexo não seria escondido.
Lembras-te?
Continuo por cá.
O mesmo.
Não há saída, disseste um dia, para quem, beijo ante beijo, se faz convidado à alma dos outros.

Digo-te:
Há mulheres que só por serem, darei lugar no meu autocarro.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

A nave

Então Quase, estás bom?

Tive sorte.
Livros e vinho tinto.
Gosto.
Tocar nos livros.
Se fosse o super homem dava-lhes uma vista de olhos.
Assim, pego neles, viro-os, cheiro-os, e dou-lhes a volta.
Há putos como eu que recebem uma data de prendas, fingem ser distraídos e tal, mas não as perdem de vista.
Um dia vou pegar-lhes:
Trinta por uma linha farei deles quase que rotos e maltrapilhos, pelas mãos estafados antes que alguém lhes faça um filme.
Os livros?
São para ler e deitar fora da boca.
Junto-os todos lá atrás e esqueço-me deles até me lembrar.
As palavras chegam e partem numa nave.
Aceno com o lenço branco sempre que vejo um livro ao aproximar-se no horizonte.
Leva-me daqui as palavras, desampara-me esta loja, e limpa-me esse convés, homem de Deus!
Quando acostares, levanta bem os braços para te ver.
Gosto dessa cara que fazes quando me vês chegar.
Agora vai, aproveita esta chuva,
esgueira-te pelos intervalos dela,
e vai, vai e leva-lhe um beijo como deve ser.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Zona G

Olá meu diário G:


A zona gástrica demonstra ser a mais dominante e complexa do intestino cujo.
Toda a nossa vida é regimentada pela alimentação.
Que merda!
Animais fingidos de petulâncias várias que aparentam não ter fome.
Coitadinhos de nós.

Sempre que posso, mergulho num qualquer prato que justifique o pretexto do azeite.
Uns singelos salmonetes, são muitas vezes, o ponto de partida
para uma ideia tão original, como a existência do universo.
O carbono com o pão azeitado, os legumes cozidos, aconchegam a batata esquecida da sua fase clerasil.
Dantes pensava que as pessoas chegavam tarde ao início do teatro por motivos de exposição no hall de entrada.
Não, tudo se prende com o atravancamento da hora de jantar.
O País de Portugal tem um G de gastro, tem uma zona de prazer, que está perto do seu intestino, a nossa tripa colectiva.
Não elevamos o nosso espírito no estado de vazio G.

O povo com os seus penteados cheirosos vai à revista num sábado à noite... de barriga vazia?
Nunca!
Jamais!
A piadinha fácil nem se levanta nem se ri, mesmo que à velocidade foda-se.

S.Carlos, noite fria em dia de estreia, um perfume suave e envolvente sai do pescoço mesmo à minha frente.
Meto uma pastilha elástica e, disfarço... a fome.
Será que conseguimos apreciar alguma coisa assim, vazios e esburacados que nem passe vites?

Por exemplo e sem ofensa:

Mário Soares: Cozido à Portuguesa bem servido e farto só de ver.
Cavaco Silva: Cataplana de Cherne descongelado no micro-ondas.
Manuel Alegre: Iscas à Portuguesa, enjoativas e demasiado grossas.
Jerónimo de Sousa: Ensopado de Borrego com batatas a mais.
Francisco Louçã: Perdiz estufada à Seminarista com batatas e ervilhas armadas ao pingarelho.

Por vezes, ouço-os ao longe, todos eles, muito bem sentados na sua própria voz.
Fará sentido?

Cá para mim, farei um arrozinho de cabrito com míscaros,
e convidarei o excelente e competente Garcia Pereira, para ouvir de sua justiça, isto porque os canais de TV, decidiram cozinhar numa panelinha, onde apenas se cozem os pratos institucionais de apenas cinco sabores.

O incrível, é que a maior parte das pessoas com má digestão, somatiza e manda tudo lá para baixo, adquirindo
azias, úlceras e coisas do género, tendo um péssimo acordar, e claro,
um feitio de trampa... até comerem algo açucarado.

Que pena!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Uma salsicha emotiva


Braga por um copo


Meu Quase:
Que tal vai a coisa?
Sentes-te bem?
Ainda não rebentaste com tanta comidinha boa?
Ele é grão
Ele é cozido
Ele é bacalhau
Ele é tudo

Será que tu também recebes montes e montes de SMSs de Natal e Ano Novo, desejando o mesmo para todos indiscriminadamente?
Não me entendas mal!
Claro que desejo o mesmo, mas não se trata disso.
As pessoas como tu gostam de um tratamento singular, não?
Calculo que dê algum trabalho, mas caramba!
Tudo igual para todos de seguida?
Tipo salsicha emotiva?
Daquelas que, por timidez, volta para trás?
Tipo cagalhão popular, ou resquício de prisão de ventre materno em versão um pouco mais cuidada?
Sabes?
Já nem leio.
Já não respondo sequer.
Os meus amigos não gostariam de saber que ando para aí
a distribuir abraços por atacado,
juras falsas de amor pouco sério.

Há um lado que me encanta na frivolidade
de quem, muitas vezes, espalha simpatia avenida acima.
No entanto, irrita-me solenemente o esbanjamento afectivo,
esticando as peles do coração no passeio da lista de contactos abaixo.

Mas, reconheço o imenso conforto de quem recebe um SMS inesperado.

Liga-me!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Jorge de Sangue




Meu estimado:
Sabes que é verdade.
Eu sempre gostei deste homem.
Sempre o admirei.
Temo por ele.
O meu irmão mais velho que já não tenho.

Há amigos como ele, que se eu pudesse, faria uma espécie de pacto,

Irmão de sangue.

Jorge,

Cuida de ti.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Estamos em guerra




Meu sempre:

O parlamento prepara-se para discutir e aprovar
uma nova lei que impõe regras de passagem
da música feita em Portugal.
Define a lei, no meu entender correctamente e justamente, a música a ser protegida, contemplando todos os seus aspectos.
Realço aqui, todos os que se exprimem em Inglês e todos os mais recentes projectos, que precisam sempre de mais visibilidade.

Lendo o editorial do director do Público que confunde a questão com a obesidade do estado, lendo o artigo que o DN reserva ao assunto, sem sequer ter em conta as opiniões dos autores, compositores, músicos e editores,
não é preciso ser muito inteligente para concluir que eles representam uma linha de força, nitidamente de um dos lados de uma barricada.
Para mim, a dita lei em discussão peca por ser pouco ambiciosa.
Mas entendo-a como essencial, tal como o cinto de segurança, protege a vida, embora, como se sabe, amarrote a camisa.
Estamos, evidentemente, perante uma guerra de interesses.
O que me parece estranho é que a imprensa credível não ouça. Todos os lados interessados.
Nós, sim, Nós, todos os que lutámos pela liberdade de imprensa, somos agora vítimas do seu ostracismo.
Enfim, fala-se do mar, mas não se ouvem os peixes.
Muito bem!
Obviamente, os grandes grupos de imprensa têm os seu peões de serviço.
Acredita, isto é uma guerra em que os nossos inimigos falam a mesma língua.

Digam o que disserem



Meu estimado:
Digam o que disserem, este é um grande fado!
Dizia assim na rádio um locutor,
Pensando ele:
- Quero lá saber o que vocês acham!

Digam o que se disserem:

O dia vem sempre depois da noite
O ontem vai ser amanhã
A sombra nem sempre arrefece
O fogo pode não queimar
A humildade pode ser arrogante
A inveja pode matar
O Benfica é uma nação
O Sporting... também
O Porto, sim... também
A indiferença também mata
Uma criança pode ser cruel
Um guarda prisional está preso parte do seu tempo

Está frio lá fora

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Manobras de solidariedade

Meu estimado solidário:
Estou literalmente absorvido de tanta manobra de solidariedade.
A agenda fica preenchida por acções que se confundem e se atravessam no caminho dos três reis.
As televisões aproveitam para fazer a sua programação a custo baixo, tudo em nome do espírito natalício.
Os artistas da cassette aproveitam e aparecem.
É, por muitas razões, uma época de venda.
Um mercado aberto.
Todos responsáveis, caminhamos na nossa tarefa de viver pacatamente.
Como é que são as traseiras do Natal?
Não te rias...já te conheço.
Até a Disney tem aquela versão do velhinho vagabundo a espreitar uma família lourinha, abrindo prendinhas, tudo isto acompanhado de muitos violinos, neve e algumas lágrimas.
Mas há uma coisa que me deixa inquieto:

Porque é que muitos dos nossos velhos mais queridos escolhem o Natal para se despedirem da vida?

Vou de fim de semana alucinante.
Ainda não tenho prenda para ti.

Adeus, até segunda.

Esbruga-te na atitude!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Os amigos





Meu amigo e estimado:
Sei que é um pouco tarde,
Estás tão ferrado a dormir que não há problema.
Amanhã, por favor, quando acordares, lê este abraço
que te deixo aqui escarrapachado, e liga urgentemente a todos os amigos que tens.

Diz-lhes que:

Eles são tão importantes como a água do rio que passa por aí.

Que sem Eles, tal e qual Eles são, nada faria sentido.

Eles são a razão de todo o meu ser, e, Eles sabem disso.

Que jamais Os evito quando me cruzo na Sua memória.

Que ponho velas por Eles, nas igrejas que encontro por onde passo.

Eles que não se preocupem, que Deus aprova um qualquer compasso de espera.

Que Eles não tenham medo que eu, protejo-Os.

Que por causa Deles, são Eles a minha causa.

Fosse eu uma árvore, e, Eles poderiam fazer um pic-nic à minha sombra.

Que Eles, são a minha iluminação de natal em pleno dia.



Que gosto muito Deles.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Bom dia




Meu diário da manhã:

É cedo,
A rádio anuncia:
O governador do Estado da Califórnia decidiu.
Decidiu.
A vingança ganhou.
Um duelo ao sol no dead valley.
A morte sorriu.

Um agente da polícia é baleado cobardemente em Portugal.

Sabes quando pela manhã o vento de Lisboa corta na cara?

Imagino como deve doer o acordar dos sem abrigo.

A angústia que se vê nas janelas ainda fechadas ao frio da noite.

Arranco em velocidade como um touro rumo à sorte.

Desvio-me.

Bom dia!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Que horror!







Caríssimo amigo diário de parede:
Tenho este hábito de espiolhar todos os cantos desta cidade de luz branca.
Uma obsessão.
As paredes estão forradas a net, há blogues por tudo o que é sítio, a spray ou a pincel.
A expressão está na rua!
Tudo é legítimo na arte da escrita em betão.
Confesso-te que me deu um certo gozo, em 1972, pintalgar o meu liceu D. Pedro V, com escritos alusivos à guerra colonial.
Saía logo depois de jantar, com o meu kispo, o barrete tipo IRA, as botas associativas de atributos múltiplos, umas calças pretas a condizer com a noite.
No dia seguinte era bom de ver, aqui o teu amigo ufano e feliz do trabalho realizado,
entrando liceu adentro, olhando em redor e tal e tal...
Respirava-se na época um ar de quase liberdade, o meu liceu era pioneiro, de fazer babar os meus invejosos amigos do Camões, de tantas mulheres bonitas por metro quadrado...
O que lá vai, lá vai.
Eis porém que vou muito bem a passar e...
Fonix!!!
Salazar volta?????
Como?
Só se for para ir dentro.
Responsável por acentuar e potenciar tudo o que define o que há de pior nos Portugueses.
Por tudo e tudo que conserve bem viva a nossa memória colectiva, eu deixo-te aqui a sombra do meu dedo médio
de Ronaldo, bem erguido e desenhado no chão.
Há sombras que não podemos apagar nunca.

Sim... de acordo!

Dá uma volta!



sábado, dezembro 10, 2005

A pesca radical do caranguejo

Como vais?
Caríssimo amigo e radical diário.
O fim de semana conduz invariavelmente a dois registos diferentes:
Por um lado as notícias semanais dão-nos o zoom alargado ao mundo.
As grandes questões, mesmo que fora da nossa mão, estão ao alcance dum golpe de vista. Ajudados ou não, vamos construindo uma ideia ainda que vaga, mas absolutamente necessária, sob pena da atrofia do músculo mental, por ver os seus campos de preocupação estreitados por fronteiras que só a sobrevivência pode ditar.
Por outro, e mesmo que nos demos ao trabalho da leitura, o que origina sempre um esforço adicional, há em nós um estiramento físico do nosso estado mental.
Um certo abandalhamento, uma total desarrumação, uma barba que roça o aspecto fashion picante de sábado em estado febril.


Deixo-te uma proposta para o teu ócio das tardes pós leitura.
Sintonizas o aparelho no discovery, e procuras a pesca radical ao caranguejo gigante nos mares do Alasca.
Sim, é uma aventura a luta daqueles homens no seu ganha-pão, mas o mais excitante para nós espectadores, são as interpretações que os nossos homens nos mares do estúdio se entregam na árdua tarefa da dobragem.
Alucinante!
A vertigem dos timbres.
A vozes expressivas ao extremo.
Tudo tudo muito muito tão tão... eis assim o belo canto da representação.

Lembro-me de uma vez, quando em pleno workshop, na fase da primeira leitura dos textos do Romeu e Julieta, por ausência de um dos actores, fui "obrigado" a ler o personagem Mercúcio... e.... imaginas...

É parecido.

Ecos do deserto

Meu querido diário do deserto:
Só de pensar no assunto que te trago, imagino-te de colete tapioca falando aos solavancos para um videofone.
Em pleno 11 de Setembro fiz uma aposta ao que tudo indica: perdi!
Certo que ainda não paguei o jantar aos meus queridos amigos Ricardo Machaqueiro
e Henrique Cayatte, com quem tive o prazer de discutir, acidamente, a ideia que a China transgredia cobardemente contra os States. Pura especulação, talvez... imaginando que um possível conflito, no futuro, tivesse ali a sua primeira simulação.
Pronto, a coisa já me passou, embora...

Quando estoiraram as primeiras bombas em Bagdad, e depois de tudo o que veio a acontecer, disse para uns amigos meus que habitualmente desconfiam de mim:
-Atenção pessoal!
Isto tem a ver com o Irão.
O Iraque é apenas o pretexto para os americanos se fixarem na região.
- Lá estás tu e a tua mania da conspiração permanente...

Vieram as luas e as monções, os ventos e as marés, o grande espírito de Mao assomou à janela e teceu as considerações sobre o novo mundo... e eu, pobre tuga práqui no meu canto luso, acreditando que as ameaças do senhor da gola alta que do alto do seu Irão ameaça até mais não...
Reflito na minha varandinha:
-Isto traz água no bico.
Os homens da gola alta já têm a bomba.
Não, não é a Fernanda Serrano, seus básicos incultos!

A ver vamos.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Dia santo na loja / Praxis do Cruxis

Meu querido e laico diário:
Sei que tiveste uma educação cristã do mais fino recorte.
Foste um acólito anónimo como tantas crianças lá no teu bairro.
Lembro-me que uma vez contaste uma estória lá da tua escola:
Só a tua professora tinha um pequeno radiador, não era?
Disseste também que vocês, os putos malandros, davam pontapés na parede
para aquecer os pés e circular o sangue à força do frio.
Estava por lá o tal cruxifixo na parede por cima do quadro, não?
Sabes que hoje é um feriado religioso?
E tens consciência que os laicos, como tu, aproveitam o facto para tirar umas fériazitas?
Então, se estás de acordo em tirar os cruxis, deverias dar de volta estes dias de lazer forçado, não achas?
Deixa!
Sou eu a conjecturar…
Estado e sociedade equidistantes entre si...

Na História da Arte,
sempre me habituei a ouvir alguns sábios antropólogos defenderem que a nossa
civilização cruza entre si elementos pagãos com aspectos da vida religiosa, na tradição católica, após séculos de coexistência nem sempre pacífica.
A nossa música popular ou erudita tem inúmeros exemplos disso mesmo.
Os hábitos alimentares e os rituais cristãos sempre se digeriram ao mesmo tempo.
Tantas e tantas coisas que fizeram e definiram os povos e suas linguagens.

Isto para te dizer que acho esse gesto de tirar os cruxis como um acto de demagogia temporal, muito fácil de aplicar rapidamente.
A nossa sociedade pode e tem de respirar a tolerância.
O estado, obviamente que tem de ser o mesmo perante todos os que vivem por cá.
Mas não foi Cristo um homem que marcou os nossos dias pagãos?
Ora deixa cá ver:
Os antigos cruzas fixaram cruxis história fora... ou melhor: paredes a dentro!
Bah! Nã sê se gosto.


Eu deixava lá os cruxis onde estão.
Não é isso que me faz entrar no céu.
Nem me torna mais ateu.
Sou apenas...

O teu.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Os dias

Ó meu diário matinal:
Sabes que os dias já estão maiores?

Acordei cedo meu amor
O dia era já
Tinha nascido
Na minha raia
O teu rumor
Na fronteira
Manhecido

Não vale pisar riscos
Não tires os meus olhos

de ti

- É assim! O futebol é mesmo.

Olá mister diário:
Lembrei-me que te poderia dar um certo jeito, para o teu vocabulário
de flash interview.
Em vez de:
- O futebol é mesmo assim.
Podes sempre dizer:
- A competição não nos dá muitas saídas.
- Nem sempre o sol nos sorri.
- Isto é apenas um jogo.
- A estrada não acaba aqui.

Qualquer coisa...
Inventa...
Podes sempre trocar pelo muito em voga :
- É assim! O futebol é mesmo…
Um angolanismo, eu sei...

Isto apenas para ti, claro, porque os jornalistas da bola,
esses (como adoram dizer) são do melhor...
Profundos no seu:
- Por banda de...
- No tocante a...
- O habitual passeio dos convocados!

É muito bom!!
Lendas vivas!
Duendes que caminham habitualmente
em dias de clássico.
Estou a escrever-te e ouço qualquer coisa como:
Este golo... com toques de presidente!
Só porque o jogador se chama Lincoln???
Desculpa!
É fantástico.

És muito convencido!
Caramba!!


terça-feira, dezembro 06, 2005

O boss é bom é bom é...

Ó meu camarada diário:
O nosso presidente... eu sei que te irritas tanto com isto, mas... é ele que manda nisto.
Por conseguinte, O NOSSO PRESIDENTE recebeu na casa branca o
American Ballet Theatre, e...consta que... terá apreciado...
Que Presidente este, que apesar de não sufragado por todos, ao naufrágio forçado,
podemos a todo o momento ser titanicados?
Que presidente este, que decide bombardear seja quem for, sem nos perguntar nada?
Nem um postalinho.., nada!
Não entendo como é que tu te incomodas tanto com as investigações da CIA pelos céus de toda a Europa!
Eles, tal como tu, não receberam ainda a cartinha…
Afinal quem é que aqui é o nosso pererrrresidente da junta?
Então, são ou não secretos os serviços secretos?
Secretos, só mesmo os supremos do porco preto, que substituíram as
fêveras, tudo isto por snobismo do mais parolo, só para justificar o preço.
Tal como o Fado que foi ao salão do rei, também a febra foi ao Tavares.
Saloiices à parte, voltemos...
Queres o povo a discutir as decisões do boss?
Ele existe para nos proteger.
Ele está lá sempre nos céus a vigiar.
Ele é o nosso anjinho.
Obrigado.
Merry Christmas, Mr. President!


segunda-feira, dezembro 05, 2005

A República do bolo Rei

Estava aqui o teu irmão,
ó meu estimado e nocturno amigo diário,
deglutindo uma fatia de bolo rei da mexicana,
para muitos o melhor de Lisboa,
em minha opinião, demasiado betinho,
calha bem...
Servido de frutas apenas pela rama,
o que denota aquilo que já sabemos:
Aparência e apenas isso.
Come e cala-te!
...sempre o meu Pai...
Perde o respectivo, dessa maneira, seu lado mais rude, a sua massa empapada, com a dificuldade acrescida de encontrar qualquer tipo de brinde...
Alto e bom som, no tom de António Silva:
Adoro o bolo rei!!!
Sei lá porquê?
Mais ou menos porque:
bater com a cabeça nas paredes para nos sentirmos bem nos intervalos?
Ou a maldita educação cristã?
Culpa?

Anda! Come!... Ele outra vez....
Quando?

Às vezes, sabes?
Pergunto-me se, na base de tudo, não está apenas a forma da gestão alimentar.
Imagina o mundo inteiro à volta de um cozidinho no meio da Turquia, de barriguinha cheia...sem jejum...

As coisas ficavam como já iam...tortas como a tarte.

domingo, dezembro 04, 2005

A dama dourada

12/4/056:03 PMjoaogil

Meu querido amigo:
Escrevo daqui do planeta Terra,
do sítio de Portugal.
O domingo é aquilo que tu já conheces,
podes comer ananás frio,
podes comer torradas com queijo fresco,
podes beber baldes de café tarde fora,
podes, claro se gostares como eu,
ouvir o Bruno Cocset, intérprete exímio
das 6 suites a violoncello solo senza basso.
do grande Johann S. Bach.
Podes sempre ver exaustivamente a sic notícias,
repetindo de hora a hora o golo do Mantorras.
Podes apanhar as notícias do chão.
Mas acredita, estou com esta conversa disparatada,
testando por sua vez o “Flip mac” que finalmente
tarefará de trocar as cedilhas por Ssssss
assim que necessário...
Aproveito e experimento as coisas engraçadas do Word
que nos rodeia.

Assim vai o mundo...o meu...e o teu.

AH!
E que tal aquela música doida que acompanha o
sr. Ambrósio e sua dama dourada?
É simplesmente maravilhosa!

sábado, dezembro 03, 2005

Os amorfos

Meu querido amigo, desculpa-me a ousadia do adiantado da hora,
mas ...ponho-te um dilemazito, ok?

Tens uma plateia intelectualmente evoluída e geralmente bem informada,
com aspecto de pessoas diferenciadas do costume.
Tu colocas dois produtos totalmente opostos em cima da mesa:
- Um esquema bem sucedido, bem acabado e bem executado acima de qualquer reserva ou suspeita.
- Por outro, uma proposta aparentemente alternativa, extremamente mal executada,
a suscitar, inclusivamente, solidariedade por uma espécie de pena.
Pergunto-te, qual das duas arranca mais palmas?
Tu sabes muito bem do que falo...
Ai o caraças...então?
Qual é a inteligência que se aplica no acto da escolha das ditas palmas?

Pois eu digo-te:
Há uma esquizofrenia dominante que se declara acima de tudo
por uma inveja partilhada no segredo do silêncio colectivo...
A frustração obviamente não declarada.

Em minha opinião, apenas um reflexo da falta de formação de base a todos os níveis,
bem camuflada por estrangeirismos vários.
NÃO!
Não te vou dizer que me apetecia emigrar,
Não há cu!
Mas...não achas que seria uma belíssima ideia a terapia do sofá do tal José que de Gil se apelida?

A pena pela constatação da incapacidade de ser algo somente?
A negação daquilo que se afirmou pelo seu próprio pé?
Daí a satisfação...

Tenho muita pena meu querido amigo.
Venho do interior.
Fazia muito frio na minha escola, sabias?

És meu amigo.
Não me vires as costas.
Peço-te!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A nobreza de um homem

Meu querido amigo:
Sei que hoje é dia de teu descanso,
devia deixar-te na tua paz merecida,
mas, enfim, não consigo!
Chove de grande, o céu apresenta-se carregado de água azul.
Só te liguei porque não resisto a falar-te de um homem como deve ser.
O cidadão Fernando Nobre, um dos homens que mais estimo e admiro neste planeta.
Pouco falei com ele, com pena minha, mas do pouco que, deixou Fernando um lastro
da sua enorme humanidade, do quanto somos ridículos quando incapazes de ver os outros.
Há pouco, pela reportagem brilhante de Teresa Conceição, deu-se a conhecer mais de Fernando.
Um dia, uma amiga minha dizia que havia pessoas que tinham um olhar grande... como os olhos de vaca.
Meigos, cheios, profundos...
O olhar de uma mãe fixando a sua cria?

O olhar nobre de Fernando.



Dorothea Lange

O dia que nunca acaba

Meu querido e estimado:
Foi incrivelmente bonito este dia, hem?
Estou a chegar de uma jornada fantástica.
Aliás, creio que este dia começou ontem, ou mesmo antes.
Primeiro, a Sara gingando no seu universo... balanceado.
Se fosse um pintor, seria Sara a minha severa.
A minha coroa de sua glória.
Mas não!
Desajeitadamente teclo....
Ah!
....e danço....no videoclip.
(Toma e embrulha)

Depois veio o meu irmão Gaudêncio, de um enorme coração, que até estruje!!
Aquele homem como ele, cresceu dentro de si.
Lutou e trabalhou.
Tem o Tê que é muito caminho andado.
Tem amigos que sei lá o quê.
Uma família incondicional que se preza de ser.
Tem uma mulher inteligentíssima que não é pouco.
Não sei o que aquele desgraçado pode querer mais?
Vá dar uma curva!

Hoje ajudei a uma festa da RTP, acerca do trabalho voluntário.
Vi pessoas que há muito não via.
Fiquei como estou.
Feliz por todos.
Também eu cresci.

Ainda dei um salto à FNAC do Colombo, dar música a quem a merece.

"O dia que nunca acaba" podia ser uma daquelas banhadas...tipo perto de si...
pela voz do J.D. Nunes...

Olha meu querido amigo:
Amanhã?
Logo se vê!

...ou...logo se viu??

Vá!
Dorme bem!


Foto: Lourenço Gil

terça-feira, novembro 29, 2005

O nosso tempo

Ontem à noite o tempo parou.
O teu.
O meu.
O nosso.

Disse a uma das câmaras que a nossa Sara é património mundial.
Mas isso tu já sabias.
Acrescentei que ela era uma dádiva de Deus.
A ideia de um novo Portugal!

Hoje é dia de Rui Veloso.
Vou levar os vossos olhos.

Abraço.
Meu incondicional!


segunda-feira, novembro 28, 2005

Tem dias...

Há dias em que tudo corre devagar...

Há dias em que mais vale...
Há dias na vida dum agricultor...
Há dias que nunca se esquecem...
Há dias vi-te passar...
Há dias mais pequenos que a noite...
Há dias para tudo...
Há dias assim...

Há dias meu querido diário, em que tudo está escrito...
Tanto lá em cima como cá em baixo.


A nossa Sara

Meu querido diário:
hoje segunda feira, é lançado no Santiago Alquimista,
o novo trabalho da nossa Sara.
Sei que não te invejas, quando exacerbo as qualidades de Sara.
Fazes ideia do que é acompanhar a Sara?
Imaginas o desapego que obriga?
O que provoca tanto abandono de nós?
Afinal, o que faz de Sara uma das maiores cantoras de sempre da nossa comunidade
de língua Portuguesa?
Diria eu, teu honesto servidor que a nobreza da sua altivez, retira o tapete do nosso chão,
que a luz da sua voz empobrece os nossos sentidos...só ela está, só ela existe.

Digo-te meu estimado amigo:
Nunca me tinha acontecido.
Tudo o que sabia ou pensava, truques ou manhas de tantos frangos virar que...
pudesse por obra de sabe lá Deus!
Sublimar toda a sua inteligência.
A tua!
Sara.

Por isso te rogo:
- Quando olhares o céu...


domingo, novembro 27, 2005

A Filarmónica ao vivo


Foto: Vasco Gil


Para quem não esteve sexta-feira no Olga Cadaval:
a Filarmónica Gil toca ao vivo na Fnac do Colombo,
de 4ª para 5ª feira, às 0:30h
(entrada livre). Apareçam.

sexta-feira, novembro 25, 2005

O feliz contemplado...

é António Mesquita.
Parabéns.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Sete palmos abaixo de miopia

É verdade, diário amigo o povo está contigo!
Acho que vou ganhar este quase quiz.
Um abraço.


quarta-feira, novembro 23, 2005

Convite duplo - Olga Cadaval




O Desabafo oferece uma entrada dupla para o concerto da Filarmónica Gil no Auditório Olga Cadaval, em Sintra, na próxima 6ª feira, dia 25 de Novembro.
Para isso, tem responder às seguintes questões, e enviar um mail para conteudos@joaogil.com
[respostas até às 20h00 de 5ª feira, 24 Nov]

1) Quem produziu o cd da Filarmónica Gil?
2) Quem escreveu a maior parte das letras?
3) Onde fica a América?

Boa sorte. Encontramos-nos lá.

segunda-feira, novembro 21, 2005

A dois terços de uma quase utopia

Meu querido quase diário:
Quero falar-te de uma questão quase utópica:
Vá lá!
Leva-me a sério de quando em quando.
Não sejas assim.

Quais os mecanismos que nós,(os que não estão lá na feira quando a campanha passa), poderíamos utilizar
que obrigasse a classe política a um entendimento numa determinada matéria sensível?
Explico:
Imagina que, tal como o documento da constituição, a Assembleia decidia, por maioria de dois terços, um projecto para 30 anos na área da educação, discutido abertamente por toda a sociedade civil, o tempo que fosse necessário,
até ao equilibrio mínimo de um consenso algures.
Depois, uma vez aprovado, uma vez respeitado, uma vez sacralizado,
seria por todos aplicado como mandariam as regras.
Não será esse o Portugal que nós deveríamos exigir?

Porque não nos entregamos a uma relação de novo tipo?
Uns com os outros?
Um País que saltita de quatro em quatro, nem sempre anda bem.

Deixo-te estes tópicos de uma quase utopia.
Pensa nisso.
Qualquer dia volto a chatear-te...

....Sim...continuo a pôr fotos...

domingo, novembro 20, 2005

O DNA na estrada






sexta-feira, novembro 18, 2005

Caradepreocupaçãodemúsicodejazzábeiradafotografia

Bom dia irmão diário:
Hoje vou para o sul.
Estarei nas minhas funções, cumprindo o matrimónio da filgil.
Se fosse um treinador diria algo como:
- Sabemos as qualidades do adversário, no entanto, podemos ir lá fazer história.
...como de seu costume dizem.

...e como de costume:
- Ó senhor João, vem aqui na revista...apreensivo de imediato, leio e....
passo em revista o que me lembro da conversa com a jornalista sempre muito,
mas mesmo muito simpáaaaaaatica,
- Como é que surgiu a ideia do livro?
- Que tal a experiência de falar da sua música para setenta crianças?
- Como foi trabalhar com todos estes autores e cantores?
E...continuava interessadíssima no processo de construção do livro...e tal e tal.
Tentei corresponder nas respostas como seria natural.
Pois o que saíu foi algo de especulativo sobre uma possível colaboração com...
Fiquei irritado da minha ingénua simpatia desprevenida e disponível.
Aprendo na próxima, deixa estar.

Imagina, meu querido diário, de que côr se reveste essa coisa?

Trago-te figos se quiseres, sim?

Ah....tenho de te falar da cara de preocupação do músico de jazz
à beira de ser fotografado...assim de testa franzida...desfocando nas teclas...ou nas cordas,
transmitindo uma sensação de absorção do problema em causa...está em mim a salvação...
e provavelmente a sua evolução.
Acho que vou praticar.



Chet, 1989

quarta-feira, novembro 16, 2005

Lisboa/Porto

Meu querido e viajado diário:
Há quanto tempo não fazes Lisboa/Porto by train?
Pareço um puto chavalo e feliz...
Um turista interno...bruto.
Só me faltam os calções e a camisa da Flórida…
Escrevo na maçã, bebo um café, leio o jornal.
Belisco-me, pelo sim pelo não.
Será isto tudo verdade?
Que dizer da aparente velocidade do abiãoue?
Saloiices?
Qualquer dia lembram-se do quimboio,
os homens da pasta preta.
Tira o cavalinho da chuva meu querido,
porque eu, meu caro, romantizo sempre a cena.
Gosto de andar à chuva.
Gosto de me molhar pelo prazer.
Porque me limpas meu amor?
Quem te disse que era sujo, o óleo que da minha carruagem
exala de tábua em tábua...até à estação seguinte.
Agora entendo-te Sérgio...à espera do comboio,
na paragem do autocarro.








terça-feira, novembro 15, 2005

Próximos concertos



Foto: Vasco Gil


Filarmónica Gil

18/11 - Vilamoura
19/11 - Montegordo
25/11 - Sintra

sábado, novembro 12, 2005

Um livro de canções

Meu querido amigo:
Esta semana que se apresenta vai ser tanto estranha como especial e singular.
Nesta terça, na casa da música do Porto, é editado o meu primeiro livro de canções.
Trinta anos passaram desde o dia em que...coiso...
São estas coisas que me obrigam a ter uma relação com a porcaria do relógio.
O casco vai envelhecendo, eu sei, a água vai ficando mais pesada, ouvi falar.
Mas a cabeça? Meu amigo...distancia-se procurando a clarividência que só o tempo parece dar.
Seja como for, se puder ser útil, se o meu trabalho se confundir e partir memória fora?
- Então que vá.
- Que faça muito boa viagem.
- Que chegue a quem lhe pertence.

Adeus meu querido diário.

Podes sempre contar comigo.

Na América II

Em plena 6ª Av, abri os braços e gritei-te ao mundo.
Cósmico-cidadão do mundo...
Livre...cheio...completo.

Entro a fumegar a toda a mecha, no central...e caraças!!!
O grande Rafael Marques apresenta-me a Benoit..
A tal que se amedalhou de ouro no dia do nosso Lopes.

Great!

Tudo me acontece meu querido amigo diário.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Na América I

Meu querido diário:

Confesso-te a minha relação difícil com os taxistas.
Isto vem do tempo em que morava nos Olivais.
Chegava de longe... por vezes em directa...
É pro Olivais... já com um certo receio... suplicando.
Se a resposta era a simpatia, respondia eu com um triplo pagamento.
E uma anedota a condizer, só para abrilhantar a situação... tal a felicidade pela excepção.
De contrario, nem mais um tostão pás colónias, e claro um pontapé na porta seguido
de todos os impropérios devidos à ocasião.

Alex, antigo músico na sua terra natal na antiga U.R.S.S. (ah! Apanhei-te a cantar o hino),
actual taxidraivista em N.Y. desajeitado e desonrientado apesar dos três anos já ali.
Quando lhe disse que os “timberland” tinham custado apenas 40,00 us money,
o homem vocifera um arafatiano e perceptível protesto:
Faque man!!
Fiodia-se!!
Look... made in Italy. 160.00 dioliaries.
Enquanto diz tal, tunga!
Saca do sapato para mostrar a etiqueta.
De imediato abro um bocadinho a janela sem ferir a susceptível nausea…
Compreendi-te!
Vascosantaniei.

Leve-me ao Bairro já agora.

quinta-feira, novembro 10, 2005

N.Y.








NY, 2005