Carissimo João
Vejo-te inteiro.
Ainda bem.
Sabes que a ponderação tem o som
da harpa que se ouve quando atravessas
um campo de milho?
Sabes que a inveja é uma das doenças
que mais mortes tem provocado no teu povo,
meticulosamente e sempre à hora certa?
Sabes que a mediocridade tem um público
fervoroso e convencido da sua arrogante
verdade?
Digo-te como teu amigo sincero:
Corta a manipulação pelo mal
da rua raíz.
Sigo-te de perto meu estimado amigo
Q.
Abbas Kiarostami
segunda-feira, março 06, 2006
O campo de milho
Publicada por
João Gil
à(s)
8:06 da tarde
domingo, março 05, 2006
A vertigem
Estou de volta meu amigo Q.
Confio-te algumas das palavras que a mim sorriram,
apanhadas do céu mais à mão:
Cintilas meu amor
Voo mais alto
Voo mais perto
Na tua vertigem
No teu mais fundo
Eu
Agarro-te
Apanho-te
Seguro-te
Não fujas antes que o sol te encubra
Não te escondas meu amor
que a noite mata-me só
e não tarda a ser dia
Publicada por
João Gil
à(s)
12:54 da manhã
19
comentários
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Subir ao fundo
Meu estimado
Volto à montanha.
Talvez perceba um dia
porque voo tantas vezes em sonhos
de janela em janela
pelos beirais das casas de Lisboa.
Entendo o João Garcia.
A tentação de subir ao fundo do abismo.
O perigo de morrer ao fugir dela.
A gravidade em movimento ascendente.
Apressadamente!
Somos seres estranhos, nós os humanos.
Donde vimos?
Publicada por
João Gil
à(s)
4:36 da tarde
12
comentários
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Gatuno! Gatuno! Gatuno!

Olha Quase
Digo-te, este fenómeno do futebol tem
na verdade algo de muito que se lhe diga,
e o que te trago apenas faz sentido
porque tudo o que se passa fora das quatro linhas
atinge proporções que não têm absolutamente nada a ver com o próprio desporto em causa.
Apesar da evolução tecnológica, dos interesses dos dirigentes dos clubes, do seu poder indescritível, dos inúmeros programas de TV, da imprensa altamente rentável, dos fanáticos das bandeiras e claques, dos apaixonados que libertam a sua pressão, dos ferraris, de todo o azeite que escorre das cabeças platinadas, dos gestos provocatórios, apesar de tudo e tudo o que agora não me ocorre neste texto inacabado,
realizo que a chave do segredo do sucesso do futebol assenta na incapacidade de controlo total sobre tudo o que acontece em tempo real, sem hipótese de retorno.
Se algo acontece, simplesmente já passou, já era!
Se não, vira futebol americano, com as paragens para publicidade, para a revisão dos lances e sua possível correcção.
Lá se vai a piada da coisa.
Somos levados a concluir então, que a discussão durante a semana dos casos polémicos, são a negação da essência do futebol.
Tudo se esgota no final do jogo.
Não???
Ok!
Então vá!
Continuem...
Força!
Gatuno!
Gatuno!
Metem dó...
Ainda por cima vê-se logo que nunca jogaram futebol.
Publicada por
João Gil
à(s)
11:54 da tarde
6
comentários
A janela embaciada
Querido Amigo
Não é que a luz faltou exactamente
na parte em que o actor, aquele do matrix,
um pouco duro, canastrãozito mas enfim,
ao contrário da... nem encontro palavras,
Charlize...
Chorei baba e ranho só podia.
Às vezes chora-se nas banhadas americanas.
Porquê?
Um sinal de fraqueza!
Que franqueza!
Fui à janela para ver se era geral... a avaria entenda-se.
Apenas no meu quarteirão.
Só para chatear mesmo ali ao lado, o projector
ilumina agressivamente o prédio em frente,
A pirraça do rico... palhaço!
Enquanto espero pelo piquete da EDP à espera da sua Opá,
embacio o vidro da janela com fúria de mestre.
Atenuo a violência do chato do foco, e penso numa data de gente antes de desenhar no vidro em branco.
Se um dia escreveres algum nome na tua janela,
foi porque pensaste numa data de gente também, mas...
Que a luz nunca te falte!
Publicada por
João Gil
à(s)
1:15 da manhã
5
comentários
sábado, fevereiro 18, 2006
A muda mudança muda?
Estimado
Sorrateiramente e como quem não quer,
o DNA finou-se.
Tinhas dado por isso?
Pois...
Mudar, tem de se mudar, fazer qualquer coisa,
mudar apenas, aparecer com outra cara,
Rejuvenescer?
Não creio.
Passou-me ao lado a justificação, se é que foi dada.
De quem é o DN?
Quem são?
Não interessa.
Olha Quase, já me convenci que nos dias que correm,
a mudança só por si, passou a ser um acontecimento,
um facto em si mesma.
Fica-se mudo de tanta mudança Meu Deus!!!
Sim, serei sempre naifezito...
Nas tintas.
Quando as coisas mudam para pior manifestamente...
Era caro fazer o DNA?
Cansaço?
Sei que um dia um amigo dirá algo que assente na mão
como a defesa pela luva de Ricardo.
Para mim, já perderam.
Já não compro o DN à sexta.
Também, quem se irá importar.
E tu Quase, estás sempre na mesma.
Vais ficar quieto?
Publicada por
João Gil
à(s)
12:51 da manhã
7
comentários
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Os cravos de fevereiro
Carissimo João
Disse-te uma vez que não iria nunca
responder à letra sobre as coisas que te trazem a mim...
Hoje passei por aí, e vi que tinhas cravos vermelhos na tua mesa.
Pensei que seria interessante falar-te disso.
Sabes que os cravos são as flores da época?
Sim, têm a conotação de uma época que vocês viveram mais tarde em Abril de 1974.
Em Itália também curiosamente.
É claramente a estação do ano em que a natureza rompe e renasce pelos buracos do muro do inverno ainda.
Aproveitei para te falar de Liberdade,
do quanto é difícil o seu exercício,
falar-te do sítio onde acaba a nossa e começa a liberdade dos outros.
Foram séculos de experimentação.
Respeitar a diferença?
Quantas vidas não terão custado?
Qual foi o preço que se pagou na luta por tudo
o que tu e os teus amigos agora usufruem?
Olha para trás, estuda a tua civilização,
porque ela edificou-se, por sua vez, em cima de todo o tipo de
Barbárie, por invasões em nome de Deus, por todo o tipo de atropelos até que, contradição ou não, a consciência cresceu ao ponto da vossa capacidade de autocrítica e auto análise definir as margens da clarividência, com uma clareza indesmentível.
Nada mau!
Gosto de te achar eufórico, um pouco ansioso e impulsivo todavia, sim...
Conta comigo tu, e claro os teus amigos pendulares também.
Não deixes de lutar sempre.
Q.
Vieira da Silva
Publicada por
João Gil
à(s)
11:40 da tarde
4
comentários
O dia a dia
Ó camarada Quase
Já agora o que me dizes...
Dia dos canhotos
Dia dos que usam óculos
Dia dos que ainda vêm alguma coisa
Dia do peão
Dia do gato
Dia de e do cão
Dia dos avós
Dia do neto
Dia do tuning
Dia da OPA
E mais outros tantos
que fariam do nosso dia
um verdadeiro dia a dia.
O comércio agradece.
E nós, ya! É aquela!
Um abraço
Publicada por
João Gil
à(s)
12:51 da manhã
4
comentários
terça-feira, fevereiro 14, 2006
A cidade do namoro
Caro João
Pondera
São séculos de tradição
Os teu antepassados levaram os costumes
Cruzaram informação genética
Dizes que te sentes leve
Que não te deixas contaminar
Pensa que o povo é soberano
Eles adoram matrafonarem-se
Deixa lá
É a imagem do seu ideal
e quem sabe dualidade sexual não assumida
Desconfia quando ouvires os teus amigos
exercitando a ideia de se acharem o macho
Vai a Veneza
Subtil
Sinuoso
Sensual
Secreto
Compreendo o que te irrita
Mas
Vai por Lisboa ao acaso
Encontras o inesperado
Nada se repete
Uma rua nunca é igual a outra
E vais encontrar
Uma rapariga descalça e leve
Descendo degraus e degraus e degraus
Até ao rio
Namora
Não odeies
Um abraço sem pontuação
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
11:48 da manhã
5
comentários
Odeio o carnaval
Estimadissimo Quase
Quero que saibas
Ninguém me pode levar a mal
Mas eu odeio o carnaval
Não é fácil esclarecer
Sem ofensa ou maldizer
isto assim até morrer
Desconforto de assumir
Nem sequer admitir
Sem vergonha ou que tal
Por favor e sem mal
Eu odeio o carnaval
Um dia uma canção
Sobre tema tão distinto
Seja branco seja tinto
Como o circo no natal
Depressivo e fatal
Faça chuva ou faça vento
Eis chegado o momento
Encarar o que é real
Vou lutar o ideal
O fado negro que souber
O bem haja ao que houver
Vou-me rir o ano inteiro
Como ouro a seu mineiro
Não me levem a mal
Mas eu odeio o carnaval
E toda a pontuação
O meu nome é João
Ponto
Publicada por
João Gil
à(s)
1:40 da manhã
8
comentários
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
A campainha
Caro João
Ocorreu-me que poderias achar piada:
“ Toca-me no nariz
Sempre que me encontrares
Abre a minha porta
Tocaram os sinos do teu povo
A rebate repicando
Vieram todos e todos
E no fundo dos teus olhos
A chama do teu brilho
Brilhou
Tanto que não me perdi
Tanto que nem me lembro
Onde estive “
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
11:33 da tarde
2
comentários
A luz ao fundo
Meu velho amigo,
não duvides,
isto anda perigoso.
À violência da representação cartonista ocidental,
a resposta violenta que não se fez esperar.
Mudo a agulha,
falo-te de uma iniciativa em que participei,
que de tão inédita e tão interessante
faço tudo para a expandir,
com toda a minha força.
Participei num encontro promovido por várias famílias
em que abertamente se discutiram assuntos,
que no meu caso, implicitamente tiveram incidência evidente
na Música Portuguesa dos últimos anos
e no ensino, e não só mas também, na razão proporcional
de uma actividade física a começar na primeira infância.
Este encontro deu-se numa sala de estar de uma casa privada.
Toda a gente sentada em silêncio activo.
Imagina tu
que este tão pequeno evento privado
insuflaria de tal maneira,
que todos aqueles nos quais as pessoas confiaram a sua memória,
escritores, pintores, filósofos, políticos, jornalistas, etc. etc.
iriam em tournée gigantesca pelas famílias de Portugal, que se
preocupam e investem na qualidade do tempo que passam com os filhos?
Terias aqui um belo exemplo de partilha, em que as mentes se questionariam mais do que a fatal opinião formatada
por televisões de qualidade duvidosa, inevitavelmente fariam, e... fazem.
Acredita que a utopia tem um túnel cuja luz
lá no fundo adquire todas as colorações que quiseres.
No fundo... uma questão de imaginação.
Publicada por
João Gil
à(s)
10:08 da tarde
4
comentários
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Não!
Meu estimadíssimo:
Ouve, tenho mesmo que desabafar,
que caraças!
Chego a um estabelecimento por volta do meio dia,
procuro se podem fazer uma matrícula nova.
Há dois dias que me passeava sem que ninguém desse por nada,
a não ser eu, com aquela sensação da meia rôta no dedo do pé grande... sim... no dedo grande do pé.
Toda a gente a olhar para nós...
Em menos de uma hora, tinha de novo a matrícula, e seguia viagem.
Agora que já passou, diz-me por favor, porque é que a primeira resposta do senhor ao balcão foi:
- Isso para hoje não vai ser possível.
Duvidei...
A segunda:
- Estão cerca de sete placas para fazer antes da sua.
Sorri...
A terceira finalmente:
- Se quiser esperar, pode ser que tenha sorte.
Abri o sorriso...
A sério, ajuda-me, diz-me a razão de ser para este comportamento tão estranho e tão corrente entre nós.
Porquê?
Sempre que alguém pede uma info ou um serviço,
vem de lá invariavelmente um:
NÃO!!!
Vais aqui a Espanha, entras numa tasca a abarrotar de gente,
pedes um bocadillo de qualquer coisa e a primeira coisa que tu ouves é:
Ahora mismo lo traigo!
Agora entendo as reportagens cada vez mais deprimentes,
sobre o que todos fariam se fossem os europremiados,
mudariam de emprego...
Nota-se mesmo sem prémio.
Que merda!
Publicada por
João Gil
à(s)
10:16 da tarde
13
comentários
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Mergulho nocturno
Querido Amigo:
Queres saber o que um invisual sente?
Mergulha no oceano até ao fundo da noite
e sente apenas
Era noite quando chegaste
Vendei os meus olhos
e mergulhei ao largo no mar profundo
Todos os sentidos se apuram no estranho meio
de te não ver
Foi então que te descobri
Rápido ancorei o meu batel em ti e
sem tempo a perder na tua praia rezei a primeira missa
Trocamos objectos de boas vindas
as palavras escolhidas ao acaso poético
a silhueta da tua alma
ali na minha mão
Sei agora que se pode amar uma alma
Por isso acredita
Almo-te meu almor!
Publicada por
João Gil
à(s)
12:22 da tarde
22
comentários
terça-feira, janeiro 31, 2006
o bocejo
![]()
![]()
Quaaaaaaase.
Estás?
Ouve:
Diz lá muito rápido:
Ó vida das vidas que a vida minha me deu,
que até a vida das mais vividas vidas,
ensina a viver com tudo o que a vida me dá.
Isto tudo dentro de um bocejo.
Já viste?
Experimenta.
Mas...também tens a alternativa do meu bocejo cristão:
Ai Jesus Maria
Santíssima do
Sacramento do
Rosário de
Fátima...
Amén!
Este tem mais groove.
Escolhe.
Publicada por
João Gil
à(s)
10:48 da tarde
16
comentários
segunda-feira, janeiro 30, 2006
7 beijos







Meu Querido Amigo:
A vida continua orgânica tal como nos foi dada a conhecer.
Uma bola parada
Um gesto provocatório
Um floco em Lisboa
Uma cidade recolhida
Uma criança salva
Uma boa notícia
Um café com vista
Um beijo de relance
Um olhar penetrante
Um frio de rachar
Um copo de vinho
Um mau resultado
Um cheiro de mar
Uma noite devida
Uma ideia feita
Um beijo
Publicada por
João Gil
à(s)
12:59 da manhã
12
comentários
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Mozart
João:
Que bom festejar.
Fantasiar.
Tantos artigos e páginas de jornais e revistas.
Endeusar um jovem compositor.
Ainda bem.
Passaram 250 anos.
Mozart continua por aí.
Podia ser um milagre da passagem de Deus pela terra.
Mas, não figuram músicos nos altares.
Mozart.
A música revela-se!
Declara-se!
A luz .
A vida.
É possível viver nos intervalos da morte.
Eleva-te!
Vai!
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
2:20 da tarde
7
comentários
quarta-feira, janeiro 25, 2006
O custo de vida

Andreas Gursky
Desculpa-me Quase,
nem era para te ligar, mas achas normal que uma conhecida marca
de hiper-mercado se vanglorie constantemente de,
ano após ano, conseguir baixar os preços,
suportando o aumento do IVA, aguentando tudo?
Pois eu digo-te qual o sub texto de tão subtil
publicidade generosa e caridosa:
Especularam tanto e tanto,
os preços eram de tal maneira elevados,
que agora se dão ao luxo de gozar com a situação.
Fica aqui registado, da minha parte,
a certeza de que o custo de vida em Portugal
podia não ser tão elevado.
Olha Quase, há coisas de que não me importo de saber,
apesar de as compreender na sua essência,
mas gozar com a nossa cara é um pouco demais.
Imagina que na minha retrosaria faço o mesmo?
Está certo!
Publicada por
João Gil
à(s)
10:52 da tarde
4
comentários
Delicadamente a oriente
Estimado e delicado:
Como vão as coisas Quase?
Sei que ouves sem que te sintas obrigado a responder.
É tão difícil que alguém nos ouça... apenas.
Não! Não me queixo.
Quero apenas que saibas o quanto aprecio essa tua maneira de me ouvires, sem que venha daí uma interferência ou julgamento.
Confio-me a ti.
Lembrei-me de te falar dum comportamento exemplar,
que dificilmente, a não ser por pânico geral, terá espaço entre nós.
Se fores a Tóquio, verás que todas as pessoas que têm sinais de gripe ou constipações virais de estirpes variadas,
identificam-se e protegem os demais, usando máscaras brancas,
anulando ao máximo o contágio normal transmitido por via aérea.
Nas ruas, nos autocarros, no metro, nas empresas ou em casa,
as pessoas respeitam-se a esse ponto.
Achas que um dia faremos tal?
Entrarias num táxi, cujo condutor tivesse uma máscara sem que
concluísses que tu correrias algum perigo?
Aqui entre nós, o perigo anda sempre escondido e a céu aberto.
Espero que estejas bem.
Um abraço.
Araki
Publicada por
João Gil
à(s)
5:47 da tarde
2
comentários
segunda-feira, janeiro 23, 2006
O Presidente Sampaio
Grande Quase:
Vim só para te deixar um recado,
ao qual darás o melhor seguimento:
Diz ao ainda presidente Jorge Sampaio,
que o abraço com o barulho a condizer.
Que lhe agradeço o convite que nos fez juntar de novo
no pavilhão atlântico.
Que vamos ter saudades das suas lágrimas fáceis e generosas.
Que não esqueceremos nunca a expressão da sua alma enquanto cantávamos a Timor.
Que um bom Presidente é aquele que chora por ver o seu Povo a rir de sua alegria.
Que terá de todos nós o que muito merece:
A nossa admiração.
Publicada por
João Gil
à(s)
10:45 da tarde
15
comentários
Dois homens e um destino
Estimado:
Já sabes de tudo não?
Estamos todos felizes por aqui.
A harmonia.
A retoma vem aí com o salvador.
Viva!
De que se queixam os Portugueses?
Vá, tudo a trabalhar e alegria nisso.
Isto agora é que é!
Ganhou o candidato que melhor acerta o seu relógio
pelas políticas deste governo desenhadas previamente na europa central.
Duvidas?
Eu, se fosse o Primeiro, não hesitaria em fazer o mais possível
Para por tudo em prática.
Já!
Será que a oposição já realizou que não falta nenhuma a partir de agora?
Um pouco exagerado...
A oportunidade para a grande unidade.
O bloco central domina agora em toda a linha.
Julgas que pratico o escárnio não é?
Conheço esse teu riso.
Fico no entanto um pouco curioso sobre o desenrolar
da nova novela que está a ser rodada na OTA.
Como vai acabar?
Quem foi o assassino?
Não desejo o mal de ninguém, e muito menos do povo a que pertenço.
Para o que der e vier sou um deles.
Um abraço!
Publicada por
João Gil
à(s)
2:21 da tarde
1 comentários
sexta-feira, janeiro 20, 2006
O peixe a cana e a sabedoria
Meu querido amigo Quase:
Nunca falámos de eleições,
nunca soube o teu sentido de voto.
Creio aliás que tu nunca votaste em Portugal,
estou errado?
Queria estar no teu lugar,
queria estar em todo o lado e em nenhum,
teria outro tipo de deveres, outro tipo de obrigações.
Não estaria preocupado com assuntos pontuais de cada país,
região, cidade ou clube de esquina.
Nunca teríamos esta necessidade comum, de comprar as coisas
de que necessitamos realmente para sobreviver, e termos de ganhar dinheiro para isso.
De termos de guerrear constantemente por afirmação de identidade ou valores éticos.
Quase:
Ajuda-nos!
Não tens de nos dar o peixe, a cana ou sua aprendizagem,
Dá-nos a compreensão,
Dá-nos a lucidez
Dá-nos a sabedoria
Ensina-nos!
Publicada por
João Gil
à(s)
7:06 da tarde
6
comentários
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Sou Angolano

Muito bem!
Julgo ter entendido Quase...
Mas que raio de coisa tu fazias em Lisboa naquele ano?
Donde vens tu?
Hei-de saber um dia.
Juro-te!
Antes de te enxovalhar na tua petulância Caravaggiana,
Dedico-te uma bela canção:
Linda é linda...
Desculpa!
Deixo-te dois contrastes que falam a mesma língua,
pode ser?
A piscadela de olhos que José Rodrigues dos Santos
decidiu implementar na informação mais credível de tão tão tão e mais tão, serviço público ser...
que por tal e tal e... mais tal, me apetece endossar para ele, o destino cúmplice da parte que me cabe nos meus impostos.
A chamada instituição do olho.
Por outro,
A comovente declaração de Pedro Mantorras, que não festejaria um golo marcado a Portugal.
Por ele e por muito, considero-me Angolano.
Agora sim Quase:
Vai-te esconder!
Publicada por
João Gil
à(s)
9:39 da tarde
6
comentários
O mercador de Lisboa
Ouve João:
Não te vou responder à letra.
Tudo o que seja relativo à tua vida profissional,
e ao respectivo encaixe social,
será sempre uma descoberta que terás de fazer sózinho.
Pelo teu próprio pé.
Prefiro contar-te isto que se passou bem perto de mim:
Estaríamos aproximadamente no ano de 1510,
vejo um mercador de pêra e bigode, saindo apressadamente de uma casa,
uma rapariga de tez ruiva, gritando atrás dele cai desamparada.
Sem hesitar, parei o meu trânsito e ajudei a levantar aquela criatura de cabelos de fogo e olhos negros.
Beijei sua mão e deixei-a por ali, um pouco mais recomposta.
Iniciei o meu passeio pela orla ribeira, inspirado pela maresia robalina até que
dou de caras com o dito cavalheiro gritando para um Genovês,
que lhe pagaria mais pela mercadoria desejada por outro mais que viesse.
Entretanto chegou um Castelhano que exigia, com ganas, aquilo que acordara anteriormente com o Genovês.
O mercador inflectiu então num discurso inflamado, que jamais faria tal coisa a um colega.
Fosse ele cão.
Contribuí à cena com o sorriso mais generoso que me saiu ao momento.
Com meus áás continuei continuei continuei e... quando o sol há muito arrefecera,
entrei num dos muitos tascos do campo das cebolas, que nunca apreciei seja sincero
e lá estava o nosso homem, embezanado pelo vinho mais ácido até então, cantando mal, uma velha melodia que, segundo ele, teria ouvido de um cantor marinheiro vindo dos mares do norte:
-Ai lambiu beibi...
E nos intervalos de tão gemido desafinado, dizia ele para o tasqueiro que o olhava sem ser nos olhos:
Esta minha vida é um desenrascanço!
Suspirava...
Acredito João, que tu e os teus, descendem daquele mercador incansável no seu serviço.
Não te ofendas!
Às vezes lembro-me de Caravaggio,
como ele se ria desbragando as suas bandeiras.
Respeitosamente
Q.
Caravaggio, O sacrifício de Isaac
Publicada por
João Gil
à(s)
8:09 da tarde
3
comentários
terça-feira, janeiro 17, 2006
Salva-vidas
Meu Quase:
Nesta próxima quinta-feira, será votada a lei relativa às rádios de Portugal.
Vou falar-te disto e, por favor,
promete-me que vais pensar.
Preciso de ti!
Não é uma lei para sexta–feira.
Acredito numa alteração gradual de hábitos de consumo.
Doutra maneira, somos um Povo que não existe em parte alguma, um amontoado de pessoas.
Lembras-te quando foi imposta a lei que obrigava ao uso do cinto
de segurança?
Vincava a camisinha riscadinha do jovem bolsista...
Agora é apenas mais um reflexo condicionado.
Digo-te:
Esta lei pode funcionar na medida exacta, sem constituir uma guerra aberta com os radialistas.
Eles vão tentar segurar o seu emprego. É justo mas,
provavelmente, estará em causa um País com um futuro mais longo que a nossa precária vida temporal.
Cansa-me um pouco esta mentalidade doce e passiva de quem só vê apenas a roda de sua bicicleta.
Pensa nos músicos que estão para nascer,
ajuda-me!
Portugal tem de valer a pena.
Os inimigos moram a teu lado.
Publicada por
João Gil
à(s)
9:08 da tarde
6
comentários
Traje de luzes
Sim João, de facto a lide, e a ideia de sol e sombra,
tem suscitado de tudo um pouco.
O sol que ilumina o gesto,
a luz de um traje que pelo animal estropiado,
tem gerado palavras, cujo peso e massa
dele brilham, brotam e sangram.
A sombra feita por um animal barbarizado,
mas cuja vida depende apenas da má sorte que lhe está destinada, como uma galinha que nasce para o efeito
sem uma causa...
Nada te choro.
Quem enfrenta um animal ferido, sangrado e enfraquecido,
às penas e lamentos não deve exigir.
Sei que os códigos de afirmação entre um grupo de homens,
nascidos e criados em lezírias, encontram muitas vezes na arena,
a galhardia e a coragem de um vínculo, uma identificação ou um sinal dentro de uma tribo qualquer.
Depois, vêm suas mães lamentar e apanhar a dor que caiu por terra.
Tudo isto tem um passado.
Sim, tens razão que me deu um certo jeito,
não tenho que me justificar a ti ou a quem quer que seja,
mas não tenhas dúvidas:
É na verdade mais fácil escudar uma opinião numa verdade aparentemente justa e correcta.
Mas não chega para entrar no céu.
Consuma-se internamente no presente colectivo... apenas.
Por isso, apelo-te para a compreensão dos homens, para a explicação das estrelas.
Porquê tudo?
Não te apresses a dizer não.
Cordialmente
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
12:02 da tarde
5
comentários
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Campo de silhuetas

Quaaaaaaaaaase:
Estás aí?
Não?
Estás bom?
Já te passou aquela dor?
A idade não te perdoa...
A malta compreende.
Já tinha uma mão cheiinha de saudades.
Vinha no caminho com um olho no infinito
e o outro tentando adivinhar o centro exacto
entre os pinôcos que estão na berma do alcatrão.
E assim, batia com o pé ao encontro de uma cadência.
Uma maneira de compassar o tempo certo na velocidade constante.
A estrada sempre me encantou.
E tu, como encontras a velocidade e o movimento nas tuas abstracções coloridas?
Adorava assistir às tuas aulas, mas tu tens cá um feitiozinho... Jasus Maria...
Foi então que no outro olho, o do infinito topas? Enfrentei esta silhueta
que indentifica a léguas este enorme Pais cheio de Países.
Reconheces que esta velha questão da lide, faz de cólera os suaves Portugueses,
tornando-os bravos bravios da Paz entre os animais, não? Não! Nãuu?? Não!!!!
Vês? Não é fácil, por isso fecho-me em copas até encontrar um jeito
de exprimir seja o que for, sobre uma matéria tão controversa.
Dirás da tua justiça se achares por bem,
mas tu próprio sabes que a gestualidade tauromáquica,
foi-te de feição naquele teu quadro um pouco Goyanista mas enfim...
Havemos de falar mais sobre isto.
Agradeço-te as palavras, sei que não facilitas a ausência de não estar.
Estou-te grato por tudo.
Um Abraço meu querido amigo, e boas melhoras.
Publicada por
João Gil
à(s)
7:21 da tarde
0
comentários
domingo, janeiro 15, 2006
A espantosa realidade
Olá João:
Na tua ausência tenho pensado nas coisas que me tens segredado.
Nos teus amigos, nas pessoas que amas,
no teu País e, por vezes, no impulso imediato que te leva por aí adiante, sempre tomado e possuído por uma intuição
que te ilude na ilusão.
Enfim lá vais, lá continuas.
Ainda esta semana, um aluno me questionava sobre a intuição que o tinha assistido na hora de uma decisão dolorosa, acerca de uma relação profissional que, uma vez chegada ao seu termo, estava agora a provocar-lhe alguns danos no sangue de sua afectividade e, enquanto ouvia..., pensava em ti,
e em que sorte foi a tua.
Preocupa-te.
Não te percas nem te distraias.
Ouve os outros.
Observa.
Já viste o que pode estar por detrás de cada rosto?
Tudo o que me dizias das traseiras de uma cidade,
também se encontra nos olhares que se cruzam casualmente.
Alguns, são tristes de castanho intenso, outros de azul esquecido e vago, muitos tocam e fogem, temerosos por desvendarem coisas da sua alma.
Lá vão na sua caminhada diária, espantados pela espantosa realidade.
Olha bem e vê.
Deixa-te levar pela intimidade da intuição.
Cordial o meu abraço.
Q.
Sebastião Salgado
Publicada por
João Gil
à(s)
1:29 da tarde
2
comentários
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Caro Joao
Caro João :
Inesperadamente,
sou eu que te escrevo desta,
e faço-o com o gosto que imaginas.
Não te quero sentir assim ao longe, um pouco angustiado.
Tirar-te o peso da obrigação, a que a mim te obrigas,
é minha obrigação.
Tu próprio o afirmas quando me apelidas de teu quase.
Gosto de ser o teu quase, mas não te forces a mim.
Deixa-te assim.
Diariamente espero o toque do carteiro, é certo.
Estou sempre curioso de ti, das tuas coisas e problemas.
Obrigado pelos teus alguns momentos de absoluto delírio que partilhas comigo.
Mas, ouve-me:
As minhas aulas continuam como sempre,
os meus alunos entendem coisas, tocam nas cores,
fazem um esforço sincero,
isso encanta-me.
Tenho exposto os meus quadros,
a vida segue o seu rumo, o fogo não se apagou.
Auto-retrato-me sem que ninguém o entenda,
vou criando sulcos, esquizofrenando através do universo colorido.
Enfim, tal como tu, vivo!
Entende que é bom este descanso de ti.
Sucessiva, é a entrega de correspondência, e por mais que fantasies, acabas rotinando o que não queres .
Deixa-te.
Estou bem.
Espero que tu também.
Um abraço sincero.
Q.
Publicada por
João Gil
à(s)
6:12 da tarde
9
comentários
sexta-feira, janeiro 06, 2006
La fora a chuva dentro

Chove a cântaros ou chove a cantãros?
Onde fica o assento afinal?
Na Assembleia?
Ou tem acento no banco?
Onde está a çedilha?
Por baixo de mim?
Ou de ocê?
Nas confecções da seda?
Sedá que é cera?
Cerá?
Esquece!
Chove comócaraças!
Dâçe, dâsse ou da-se?
Beiços!
Publicada por
João Gil
à(s)
12:13 da manhã
10
comentários
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Adios!

Meu Amigo e Quase Diário:
Vou-me embora.
Adoro fazer esta mala apressadamente.
Deixo-te por uns dias apenas, eu que nem sou teu pai sequer, preocupado porquê?
Aguentas-te sem mim?
Tomas tudo a tempo e horas?
Sei lá, essa cena das vitaminas, e tal...
Ok!
Já tens idade.
Sim, volto para votar,
Não stresses!!!!!
Olha:
Vês?
Confio nesta coisa, sabes?
Desci muitas escarpas e montanhas preso a ela.
Desde o mais alto glaciar até aos quintais sem pendente,
confiei-lhe sempre o meu breve destino.
Vício puro.
Ouve:
Espera por mim por favor!
Informa-te!
Lê!
Não vás em conversa!
É tão fácil manipular!
Pensa pela tua cabeça!
Não! Não é tão obvio que a informação seja livre!
Cuidado!
Crucial!
Acompanha a questão de Israel.
Vai-me dizendo!
Conta nove luas
Abraço!
Publicada por
João Gil
à(s)
10:51 da tarde
2
comentários
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Disco de ouro

Foto: Vasco Gil
10.000 discos vendidos.
Publicada por
Baggio
à(s)
12:08 da tarde
16
comentários
segunda-feira, janeiro 02, 2006
O sexo de Ala

Já agora ó Quase, tenta lá sair da cepa torta.
Agora que o jejum, toma conta de nós cristãos,
arrependidos e prontos à provação da abstinência, fala por ti.
Vai comprar este livro e este disco, e...
Faz um esforço!
Desfoca da TV enquanto não recomeça o campeonato, pelo menos... ao menos!
Viaja!
Vais gostar!
Nem vais acreditar!
Estou na Syria por um momento... lento!
Em sufi me encontro... monstro!
Rodopiando... ando!
Voltarei não tarda.
Espera... era!
Publicada por
João Gil
à(s)
11:25 da tarde
4
comentários
Águas de Janeiro

Aguenta-te meu amigo Quase:
Entro no meu verão,
naqueles dias de vadiagem pelo tempo.
Assumo-te a contradita:
Gosto que a água do meu janeiro,
seja gelada e fria.
O teu inverno é o meu céu.
Lá vou para a montanha!
Que Deus me veja e não dê por mim.
Barcelona, apresenta-se assim como a cidade ideal.
O mar.
A montanha.
Que sorte!
Inveja-te Lisboa!
Põe-te bonita!
Arranja-te!
Deviamos lutar mais por Barcelona,
descendentes sem fronteiras,
observamos tudo e tudo que
no sangue ibérico desagua em nós.
Até achamos graça!
A água de rosas cheira por todo o meu lado.
Minha mãe, besuntava-nos logo pela manhã.
Quando levantava o sol, entrava por um lago absolutamente gelado.
Passava dos trinta e muitos, directamente para um quase gelo.
Nunca mais parei.
Publicada por
João Gil
à(s)
9:01 da tarde
1 comentários
domingo, janeiro 01, 2006
Maresia

Seria dia não tardaria
Um novo tempo
foi anunciado.
Vou em tua direcção,
Não temos muito tempo,
Despacha-te.
Bom dia Quase,
Sou eu!
Posso?
Publicada por
João Gil
à(s)
7:29 da tarde
4
comentários
sábado, dezembro 31, 2005
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Estamos Juntos

Meu estimado e querido Quase diário:
De acordo contigo, a última crónica 2005, deveria exigir
outra roupinha...
Isto não são maneiras de te escrever...
Mas tu, com as costas largas, já sabes.
Nestes dias lembro-me sempre de meu Pai.
Natural!
Pegava no cinzeiro mais à mão e... zás janela fora.
E nós todos lá em casa, pensávamos se não seria
o desejo, embora não correspondido, de largar aquela droga da merda dos cigarros.
Ao dia primeiro, a primeira coisa que fazia era puxar do cigarro,
depois de um pequeno almoço, rápido pretexto.
Aquela maldita tosse matinal que não me larga os ouvidos.
Se ele tivesse largado aquela porcaria, enfim...
Estava escrito!
Mas voltando,
O que é que vou deitar fora este ano?
O que nós deveríamos deitar fora deste ano?
Seria tão óbvio que não me atrevo ao consenso natalício.
Estamos, nesta matéria, justamente de acordo.
Coisas como a Paz, a Saúde... por aí fora fazem parte do desejo comum,
todavia, necessariamente diferentes, os caminhos tortuosos e divergentes.
Os partidos alternam nos favores às suas clientelas, e a coisa equilibra-se.
Apresenta-se o contrário disto tudo, como o mais excitante e inovador.
O que guardar deste ano?
É isso que te venho propôr.
Pensa nisso, porque será isso que nos faz caminhar aqui,
enquanto houver, esta estrada para andar, neste caso é mais Palmar.
Gostei de iniciar esta nossa conversa à vista de todos.
Creio que te protegi de alguma maneira,
O teu gato, os peixes, os teus filhos, os amigos,
Ah! O papagaio, embora aqui eu seja o teu químico,
a tua figura anexa, o teu xerox.
Estamos juntos.
Sempre!
Até!
Publicada por
João Gil
à(s)
6:30 da tarde
7
comentários
Ir a Allen pensando ver woody
Ó Quase:
O C.C.B. encheu-se para uma sessão especial de cinema.
Era um dia único.
Juntou-se o povo para ver a retrospectiva dedicada a Woody.
Como nem sempre é possível ver o realizador ao vivo,
este tipo de eventos raros revestem-se sempre de algum aparato extra.
Um certame!!!
A RTP mandou o seu repórter de charme.
A SIC e a sua pequena brigada de riso.
A TVI já se sabe.
Vieram todos a correr, numa espécie de ciclo da cinemateca.
Qualquer coisa de anos cinquenta em pleno Salazarismo,
recebendo uma estrela de cinema qualquer.
Então, lá foram todos, só que para azar,
a máquina de projecção avariou, pifou, deu o berro.
Apenas se ouviu a música... para além dos impropérios ao afamado marreco.
Uns senhores assim... já entradotes, entendes?
Qualquer coisa de... quê?
New Orleans creio, bem! Não estou lá muito seguro.
Não interessa.
Foram ver o Woody Allen, mais nada, pronto!
Não te ponhas com coisas.
Um dia, caro quase, fui a Roma ver o Papa e,
por falta de Papa, acabei por ver Roma.
Nada mau.
Tens a certeza que o pessoal foi ouvir música?
Sim, tens toda a razão.
Desculpa-me!
Há quanto tempo não ouvia esta palavra... certame.
Bué antiga!
Publicada por
João Gil
à(s)
12:01 da manhã
7
comentários
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Uma bica e um blogue

Ya! Quase, tá-se?
Não sei bem porque te abordo assim.
Tantos os que duvidam deste género.
Ouvi há dias atrás um daqueles tipos,
digno representante de grupos empresariais,
misturando tudo e todos, num saco enorme de incompetentes
que não se podem comparar a jornalistas,
muito menos, substituir a imprensa credível...continuava o dito.
Praguejei e arrematei com galhardia:
Este tipo está com medo!
Gritei para o aparelho de rádio.
Estranho, o edifício literário em que vivemos.
Dominado pela ausência de regras,
ouso praticar a invenção das palavras quando calha.
Saio à rua e, zás!
Caio atingido por um raio.
Sou um fulminado, seja cão, e ladro porque não!
Somos todos iguais nessa net!
Cantava o Lins.
A delinquência da escrita de rajada?
A falta de rigor verbal?
O meio mal frequentado?
Será que esta nossa comunicação sanguínea,
retira-lhes protagonismo manipulador?
Mas, alguém pretende?
Por mim...
A todos eles o belo traque pois então.
Traga-me um café e uma água, por favor...
Publicada por
João Gil
à(s)
1:22 da manhã
10
comentários
terça-feira, dezembro 27, 2005
TV laica

Bom dia meu quase diário:
Ah! Ah! Ah!
Nesta "igreja" estatal, muito visitada pelas comunidades
de língua Portuguesa, a fé cristã é espalhada quase diariamente.
Um padre cantor à paisana, que simpaticamente se chama de Borga..., um palácio respeitado que se apelida das Necessidades,
um cemitério que de Prazeres se enterra... enfim, são os mistérios da língua Portuguesa.
Não tenho nada contra a omnipresença do Senhor pela voz daquele simpático também senhor padre, mas não te entendo, ó meu querido estado laico equidistante e justo.
Não te preocupes, nós somos todos uma cambada de carneiros, e andamos cá para ver andar os outros.
Afinal, as escolas primárias não têm audiências que se vejam por aí e além.
Deixa lá.
Publicada por
João Gil
à(s)
12:32 da tarde
6
comentários
Vietato!

Ó Quase:
Aprendi tanta coisa contigo que já me esqueci de muito.
Era proibido proibir, lembras-te?
Que havia mulheres que jamais deveriam conhecer a dor.
Que homens havia, em nosso altar para sempre acenderiam.
Que iríamos lutar até à exaustão.
Que a cedência nem por nada, seria concedida.
Que a nossa consciência seria algo de novo.
Que a liberdade não teria palavras.
Que a música pela respiração se daria a revelar.
Que aos velhos não faríamos o mesmo.
Que daríamos sempre conta do recado.
Que a inveja dos merdosos seria a única arma que teriam.
Que o sexo não seria escondido.
Lembras-te?
Continuo por cá.
O mesmo.
Não há saída, disseste um dia, para quem, beijo ante beijo, se faz convidado à alma dos outros.
Digo-te:
Há mulheres que só por serem, darei lugar no meu autocarro.
Publicada por
João Gil
à(s)
1:16 da manhã
2
comentários
segunda-feira, dezembro 26, 2005
A nave
Então Quase, estás bom?
Tive sorte.
Livros e vinho tinto.
Gosto.
Tocar nos livros.
Se fosse o super homem dava-lhes uma vista de olhos.
Assim, pego neles, viro-os, cheiro-os, e dou-lhes a volta.
Há putos como eu que recebem uma data de prendas, fingem ser distraídos e tal, mas não as perdem de vista.
Um dia vou pegar-lhes:
Trinta por uma linha farei deles quase que rotos e maltrapilhos, pelas mãos estafados antes que alguém lhes faça um filme.
Os livros?
São para ler e deitar fora da boca.
Junto-os todos lá atrás e esqueço-me deles até me lembrar.
As palavras chegam e partem numa nave.
Aceno com o lenço branco sempre que vejo um livro ao aproximar-se no horizonte.
Leva-me daqui as palavras, desampara-me esta loja, e limpa-me esse convés, homem de Deus!
Quando acostares, levanta bem os braços para te ver.
Gosto dessa cara que fazes quando me vês chegar.
Agora vai, aproveita esta chuva,
esgueira-te pelos intervalos dela,
e vai, vai e leva-lhe um beijo como deve ser.
Publicada por
João Gil
à(s)
3:24 da manhã
3
comentários
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Zona G
Olá meu diário G:
A zona gástrica demonstra ser a mais dominante e complexa do intestino cujo.
Toda a nossa vida é regimentada pela alimentação.
Que merda!
Animais fingidos de petulâncias várias que aparentam não ter fome.
Coitadinhos de nós.
Sempre que posso, mergulho num qualquer prato que justifique o pretexto do azeite.
Uns singelos salmonetes, são muitas vezes, o ponto de partida
para uma ideia tão original, como a existência do universo.
O carbono com o pão azeitado, os legumes cozidos, aconchegam a batata esquecida da sua fase clerasil.
Dantes pensava que as pessoas chegavam tarde ao início do teatro por motivos de exposição no hall de entrada.
Não, tudo se prende com o atravancamento da hora de jantar.
O País de Portugal tem um G de gastro, tem uma zona de prazer, que está perto do seu intestino, a nossa tripa colectiva.
Não elevamos o nosso espírito no estado de vazio G.
O povo com os seus penteados cheirosos vai à revista num sábado à noite... de barriga vazia?
Nunca!
Jamais!
A piadinha fácil nem se levanta nem se ri, mesmo que à velocidade foda-se.
S.Carlos, noite fria em dia de estreia, um perfume suave e envolvente sai do pescoço mesmo à minha frente.
Meto uma pastilha elástica e, disfarço... a fome.
Será que conseguimos apreciar alguma coisa assim, vazios e esburacados que nem passe vites?
Por exemplo e sem ofensa:
Mário Soares: Cozido à Portuguesa bem servido e farto só de ver.
Cavaco Silva: Cataplana de Cherne descongelado no micro-ondas.
Manuel Alegre: Iscas à Portuguesa, enjoativas e demasiado grossas.
Jerónimo de Sousa: Ensopado de Borrego com batatas a mais.
Francisco Louçã: Perdiz estufada à Seminarista com batatas e ervilhas armadas ao pingarelho.
Por vezes, ouço-os ao longe, todos eles, muito bem sentados na sua própria voz.
Fará sentido?
Cá para mim, farei um arrozinho de cabrito com míscaros,
e convidarei o excelente e competente Garcia Pereira, para ouvir de sua justiça, isto porque os canais de TV, decidiram cozinhar numa panelinha, onde apenas se cozem os pratos institucionais de apenas cinco sabores.
O incrível, é que a maior parte das pessoas com má digestão, somatiza e manda tudo lá para baixo, adquirindo
azias, úlceras e coisas do género, tendo um péssimo acordar, e claro,
um feitio de trampa... até comerem algo açucarado.
Que pena!
Publicada por
João Gil
à(s)
11:44 da tarde
6
comentários
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Uma salsicha emotiva

Braga por um copo
Meu Quase:
Que tal vai a coisa?
Sentes-te bem?
Ainda não rebentaste com tanta comidinha boa?
Ele é grão
Ele é cozido
Ele é bacalhau
Ele é tudo
Será que tu também recebes montes e montes de SMSs de Natal e Ano Novo, desejando o mesmo para todos indiscriminadamente?
Não me entendas mal!
Claro que desejo o mesmo, mas não se trata disso.
As pessoas como tu gostam de um tratamento singular, não?
Calculo que dê algum trabalho, mas caramba!
Tudo igual para todos de seguida?
Tipo salsicha emotiva?
Daquelas que, por timidez, volta para trás?
Tipo cagalhão popular, ou resquício de prisão de ventre materno em versão um pouco mais cuidada?
Sabes?
Já nem leio.
Já não respondo sequer.
Os meus amigos não gostariam de saber que ando para aí
a distribuir abraços por atacado,
juras falsas de amor pouco sério.
Há um lado que me encanta na frivolidade
de quem, muitas vezes, espalha simpatia avenida acima.
No entanto, irrita-me solenemente o esbanjamento afectivo,
esticando as peles do coração no passeio da lista de contactos abaixo.
Mas, reconheço o imenso conforto de quem recebe um SMS inesperado.
Liga-me!
Publicada por
João Gil
à(s)
2:05 da manhã
11
comentários
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Jorge de Sangue

Meu estimado:
Sabes que é verdade.
Eu sempre gostei deste homem.
Sempre o admirei.
Temo por ele.
O meu irmão mais velho que já não tenho.
Há amigos como ele, que se eu pudesse, faria uma espécie de pacto,
Irmão de sangue.
Jorge,
Cuida de ti.
Publicada por
João Gil
à(s)
4:50 da manhã
11
comentários
terça-feira, dezembro 20, 2005
Estamos em guerra

Meu sempre:
O parlamento prepara-se para discutir e aprovar
uma nova lei que impõe regras de passagem
da música feita em Portugal.
Define a lei, no meu entender correctamente e justamente, a música a ser protegida, contemplando todos os seus aspectos.
Realço aqui, todos os que se exprimem em Inglês e todos os mais recentes projectos, que precisam sempre de mais visibilidade.
Lendo o editorial do director do Público que confunde a questão com a obesidade do estado, lendo o artigo que o DN reserva ao assunto, sem sequer ter em conta as opiniões dos autores, compositores, músicos e editores,
não é preciso ser muito inteligente para concluir que eles representam uma linha de força, nitidamente de um dos lados de uma barricada.
Para mim, a dita lei em discussão peca por ser pouco ambiciosa.
Mas entendo-a como essencial, tal como o cinto de segurança, protege a vida, embora, como se sabe, amarrote a camisa.
Estamos, evidentemente, perante uma guerra de interesses.
O que me parece estranho é que a imprensa credível não ouça. Todos os lados interessados.
Nós, sim, Nós, todos os que lutámos pela liberdade de imprensa, somos agora vítimas do seu ostracismo.
Enfim, fala-se do mar, mas não se ouvem os peixes.
Muito bem!
Obviamente, os grandes grupos de imprensa têm os seu peões de serviço.
Acredita, isto é uma guerra em que os nossos inimigos falam a mesma língua.
Publicada por
João Gil
à(s)
6:29 da tarde
6
comentários
Digam o que disserem

Meu estimado:
Digam o que disserem, este é um grande fado!
Dizia assim na rádio um locutor,
Pensando ele:
- Quero lá saber o que vocês acham!
Digam o que se disserem:
O dia vem sempre depois da noite
O ontem vai ser amanhã
A sombra nem sempre arrefece
O fogo pode não queimar
A humildade pode ser arrogante
A inveja pode matar
O Benfica é uma nação
O Sporting... também
O Porto, sim... também
A indiferença também mata
Uma criança pode ser cruel
Um guarda prisional está preso parte do seu tempo
Está frio lá fora
Publicada por
João Gil
à(s)
2:35 da manhã
4
comentários
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Manobras de solidariedade
Meu estimado solidário:
Estou literalmente absorvido de tanta manobra de solidariedade.
A agenda fica preenchida por acções que se confundem e se atravessam no caminho dos três reis.
As televisões aproveitam para fazer a sua programação a custo baixo, tudo em nome do espírito natalício.
Os artistas da cassette aproveitam e aparecem.
É, por muitas razões, uma época de venda.
Um mercado aberto.
Todos responsáveis, caminhamos na nossa tarefa de viver pacatamente.
Como é que são as traseiras do Natal?
Não te rias...já te conheço.
Até a Disney tem aquela versão do velhinho vagabundo a espreitar uma família lourinha, abrindo prendinhas, tudo isto acompanhado de muitos violinos, neve e algumas lágrimas.
Mas há uma coisa que me deixa inquieto:
Porque é que muitos dos nossos velhos mais queridos escolhem o Natal para se despedirem da vida?
Vou de fim de semana alucinante.
Ainda não tenho prenda para ti.
Adeus, até segunda.
Esbruga-te na atitude!
Publicada por
João Gil
à(s)
2:58 da tarde
8
comentários
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Os amigos

Meu amigo e estimado:
Sei que é um pouco tarde,
Estás tão ferrado a dormir que não há problema.
Amanhã, por favor, quando acordares, lê este abraço
que te deixo aqui escarrapachado, e liga urgentemente a todos os amigos que tens.
Diz-lhes que:
Eles são tão importantes como a água do rio que passa por aí.
Que sem Eles, tal e qual Eles são, nada faria sentido.
Eles são a razão de todo o meu ser, e, Eles sabem disso.
Que jamais Os evito quando me cruzo na Sua memória.
Que ponho velas por Eles, nas igrejas que encontro por onde passo.
Eles que não se preocupem, que Deus aprova um qualquer compasso de espera.
Que Eles não tenham medo que eu, protejo-Os.
Que por causa Deles, são Eles a minha causa.
Fosse eu uma árvore, e, Eles poderiam fazer um pic-nic à minha sombra.
Que Eles, são a minha iluminação de natal em pleno dia.
Que gosto muito Deles.
Publicada por
João Gil
à(s)
5:33 da manhã
17
comentários
terça-feira, dezembro 13, 2005
Bom dia

Meu diário da manhã:
É cedo,
A rádio anuncia:
O governador do Estado da Califórnia decidiu.
Decidiu.
A vingança ganhou.
Um duelo ao sol no dead valley.
A morte sorriu.
Um agente da polícia é baleado cobardemente em Portugal.
Sabes quando pela manhã o vento de Lisboa corta na cara?
Imagino como deve doer o acordar dos sem abrigo.
A angústia que se vê nas janelas ainda fechadas ao frio da noite.
Arranco em velocidade como um touro rumo à sorte.
Desvio-me.
Bom dia!
Publicada por
João Gil
à(s)
2:03 da tarde
12
comentários
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Que horror!

Caríssimo amigo diário de parede:
Tenho este hábito de espiolhar todos os cantos desta cidade de luz branca.
Uma obsessão.
As paredes estão forradas a net, há blogues por tudo o que é sítio, a spray ou a pincel.
A expressão está na rua!
Tudo é legítimo na arte da escrita em betão.
Confesso-te que me deu um certo gozo, em 1972, pintalgar o meu liceu D. Pedro V, com escritos alusivos à guerra colonial.
Saía logo depois de jantar, com o meu kispo, o barrete tipo IRA, as botas associativas de atributos múltiplos, umas calças pretas a condizer com a noite.
No dia seguinte era bom de ver, aqui o teu amigo ufano e feliz do trabalho realizado,
entrando liceu adentro, olhando em redor e tal e tal...
Respirava-se na época um ar de quase liberdade, o meu liceu era pioneiro, de fazer babar os meus invejosos amigos do Camões, de tantas mulheres bonitas por metro quadrado...
O que lá vai, lá vai.
Eis porém que vou muito bem a passar e...
Fonix!!!
Salazar volta?????
Como?
Só se for para ir dentro.
Responsável por acentuar e potenciar tudo o que define o que há de pior nos Portugueses.
Por tudo e tudo que conserve bem viva a nossa memória colectiva, eu deixo-te aqui a sombra do meu dedo médio
de Ronaldo, bem erguido e desenhado no chão.
Há sombras que não podemos apagar nunca.
Sim... de acordo!
Dá uma volta!
Publicada por
João Gil
à(s)
12:03 da manhã
24
comentários
sábado, dezembro 10, 2005
A pesca radical do caranguejo
Como vais?
Caríssimo amigo e radical diário.
O fim de semana conduz invariavelmente a dois registos diferentes:
Por um lado as notícias semanais dão-nos o zoom alargado ao mundo.
As grandes questões, mesmo que fora da nossa mão, estão ao alcance dum golpe de vista. Ajudados ou não, vamos construindo uma ideia ainda que vaga, mas absolutamente necessária, sob pena da atrofia do músculo mental, por ver os seus campos de preocupação estreitados por fronteiras que só a sobrevivência pode ditar.
Por outro, e mesmo que nos demos ao trabalho da leitura, o que origina sempre um esforço adicional, há em nós um estiramento físico do nosso estado mental.
Um certo abandalhamento, uma total desarrumação, uma barba que roça o aspecto fashion picante de sábado em estado febril.
Deixo-te uma proposta para o teu ócio das tardes pós leitura.
Sintonizas o aparelho no discovery, e procuras a pesca radical ao caranguejo gigante nos mares do Alasca.
Sim, é uma aventura a luta daqueles homens no seu ganha-pão, mas o mais excitante para nós espectadores, são as interpretações que os nossos homens nos mares do estúdio se entregam na árdua tarefa da dobragem.
Alucinante!
A vertigem dos timbres.
A vozes expressivas ao extremo.
Tudo tudo muito muito tão tão... eis assim o belo canto da representação.
Lembro-me de uma vez, quando em pleno workshop, na fase da primeira leitura dos textos do Romeu e Julieta, por ausência de um dos actores, fui "obrigado" a ler o personagem Mercúcio... e.... imaginas...
É parecido.
Publicada por
João Gil
à(s)
7:46 da tarde
3
comentários
Ecos do deserto
Meu querido diário do deserto:
Só de pensar no assunto que te trago, imagino-te de colete tapioca falando aos solavancos para um videofone.
Em pleno 11 de Setembro fiz uma aposta ao que tudo indica: perdi!
Certo que ainda não paguei o jantar aos meus queridos amigos Ricardo Machaqueiro
e Henrique Cayatte, com quem tive o prazer de discutir, acidamente, a ideia que a China transgredia cobardemente contra os States. Pura especulação, talvez... imaginando que um possível conflito, no futuro, tivesse ali a sua primeira simulação.
Pronto, a coisa já me passou, embora...
Quando estoiraram as primeiras bombas em Bagdad, e depois de tudo o que veio a acontecer, disse para uns amigos meus que habitualmente desconfiam de mim:
-Atenção pessoal!
Isto tem a ver com o Irão.
O Iraque é apenas o pretexto para os americanos se fixarem na região.
- Lá estás tu e a tua mania da conspiração permanente...
Vieram as luas e as monções, os ventos e as marés, o grande espírito de Mao assomou à janela e teceu as considerações sobre o novo mundo... e eu, pobre tuga práqui no meu canto luso, acreditando que as ameaças do senhor da gola alta que do alto do seu Irão ameaça até mais não...
Reflito na minha varandinha:
-Isto traz água no bico.
Os homens da gola alta já têm a bomba.
Não, não é a Fernanda Serrano, seus básicos incultos!
A ver vamos.
Publicada por
João Gil
à(s)
12:55 da manhã
4
comentários
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Dia santo na loja / Praxis do Cruxis
Meu querido e laico diário:
Sei que tiveste uma educação cristã do mais fino recorte.
Foste um acólito anónimo como tantas crianças lá no teu bairro.
Lembro-me que uma vez contaste uma estória lá da tua escola:
Só a tua professora tinha um pequeno radiador, não era?
Disseste também que vocês, os putos malandros, davam pontapés na parede
para aquecer os pés e circular o sangue à força do frio.
Estava por lá o tal cruxifixo na parede por cima do quadro, não?
Sabes que hoje é um feriado religioso?
E tens consciência que os laicos, como tu, aproveitam o facto para tirar umas fériazitas?
Então, se estás de acordo em tirar os cruxis, deverias dar de volta estes dias de lazer forçado, não achas?
Deixa!
Sou eu a conjecturar…
Estado e sociedade equidistantes entre si...
Na História da Arte,
sempre me habituei a ouvir alguns sábios antropólogos defenderem que a nossa
civilização cruza entre si elementos pagãos com aspectos da vida religiosa, na tradição católica, após séculos de coexistência nem sempre pacífica.
A nossa música popular ou erudita tem inúmeros exemplos disso mesmo.
Os hábitos alimentares e os rituais cristãos sempre se digeriram ao mesmo tempo.
Tantas e tantas coisas que fizeram e definiram os povos e suas linguagens.
Isto para te dizer que acho esse gesto de tirar os cruxis como um acto de demagogia temporal, muito fácil de aplicar rapidamente.
A nossa sociedade pode e tem de respirar a tolerância.
O estado, obviamente que tem de ser o mesmo perante todos os que vivem por cá.
Mas não foi Cristo um homem que marcou os nossos dias pagãos?
Ora deixa cá ver:
Os antigos cruzas fixaram cruxis história fora... ou melhor: paredes a dentro!
Bah! Nã sê se gosto.
Eu deixava lá os cruxis onde estão.
Não é isso que me faz entrar no céu.
Nem me torna mais ateu.
Sou apenas...
O teu.
Publicada por
João Gil
à(s)
7:27 da tarde
20
comentários
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Os dias
Ó meu diário matinal:
Sabes que os dias já estão maiores?
Acordei cedo meu amor
O dia era já
Tinha nascido
Na minha raia
O teu rumor
Na fronteira
Manhecido
Não vale pisar riscos
Não tires os meus olhos
de ti
Publicada por
João Gil
à(s)
4:10 da tarde
6
comentários
- É assim! O futebol é mesmo.
Olá mister diário:
Lembrei-me que te poderia dar um certo jeito, para o teu vocabulário
de flash interview.
Em vez de:
- O futebol é mesmo assim.
Podes sempre dizer:
- A competição não nos dá muitas saídas.
- Nem sempre o sol nos sorri.
- Isto é apenas um jogo.
- A estrada não acaba aqui.
Qualquer coisa...
Inventa...
Podes sempre trocar pelo muito em voga :
- É assim! O futebol é mesmo…
Um angolanismo, eu sei...
Isto apenas para ti, claro, porque os jornalistas da bola,
esses (como adoram dizer) são do melhor...
Profundos no seu:
- Por banda de...
- No tocante a...
- O habitual passeio dos convocados!
É muito bom!!
Lendas vivas!
Duendes que caminham habitualmente
em dias de clássico.
Estou a escrever-te e ouço qualquer coisa como:
Este golo... com toques de presidente!
Só porque o jogador se chama Lincoln???
Desculpa!
É fantástico.
És muito convencido!
Caramba!!
Publicada por
João Gil
à(s)
12:04 da manhã
5
comentários
terça-feira, dezembro 06, 2005
O boss é bom é bom é...
Ó meu camarada diário:
O nosso presidente... eu sei que te irritas tanto com isto, mas... é ele que manda nisto.
Por conseguinte, O NOSSO PRESIDENTE recebeu na casa branca o
American Ballet Theatre, e...consta que... terá apreciado...
Que Presidente este, que apesar de não sufragado por todos, ao naufrágio forçado,
podemos a todo o momento ser titanicados?
Que presidente este, que decide bombardear seja quem for, sem nos perguntar nada?
Nem um postalinho.., nada!
Não entendo como é que tu te incomodas tanto com as investigações da CIA pelos céus de toda a Europa!
Eles, tal como tu, não receberam ainda a cartinha…
Afinal quem é que aqui é o nosso pererrrresidente da junta?
Então, são ou não secretos os serviços secretos?
Secretos, só mesmo os supremos do porco preto, que substituíram as
fêveras, tudo isto por snobismo do mais parolo, só para justificar o preço.
Tal como o Fado que foi ao salão do rei, também a febra foi ao Tavares.
Saloiices à parte, voltemos...
Queres o povo a discutir as decisões do boss?
Ele existe para nos proteger.
Ele está lá sempre nos céus a vigiar.
Ele é o nosso anjinho.
Obrigado.
Merry Christmas, Mr. President!
Publicada por
João Gil
à(s)
4:24 da tarde
5
comentários
segunda-feira, dezembro 05, 2005
A República do bolo Rei
Estava aqui o teu irmão,
ó meu estimado e nocturno amigo diário,
deglutindo uma fatia de bolo rei da mexicana,
para muitos o melhor de Lisboa,
em minha opinião, demasiado betinho,
calha bem...
Servido de frutas apenas pela rama,
o que denota aquilo que já sabemos:
Aparência e apenas isso.
Come e cala-te!
...sempre o meu Pai...
Perde o respectivo, dessa maneira, seu lado mais rude, a sua massa empapada, com a dificuldade acrescida de encontrar qualquer tipo de brinde...
Alto e bom som, no tom de António Silva:
Adoro o bolo rei!!!
Sei lá porquê?
Mais ou menos porque:
bater com a cabeça nas paredes para nos sentirmos bem nos intervalos?
Ou a maldita educação cristã?
Culpa?
Anda! Come!... Ele outra vez....
Quando?
Às vezes, sabes?
Pergunto-me se, na base de tudo, não está apenas a forma da gestão alimentar.
Imagina o mundo inteiro à volta de um cozidinho no meio da Turquia, de barriguinha cheia...sem jejum...
As coisas ficavam como já iam...tortas como a tarte.
Publicada por
João Gil
à(s)
3:57 da manhã
5
comentários
domingo, dezembro 04, 2005
A dama dourada
12/4/056:03 PMjoaogil
Meu querido amigo:
Escrevo daqui do planeta Terra,
do sítio de Portugal.
O domingo é aquilo que tu já conheces,
podes comer ananás frio,
podes comer torradas com queijo fresco,
podes beber baldes de café tarde fora,
podes, claro se gostares como eu,
ouvir o Bruno Cocset, intérprete exímio
das 6 suites a violoncello solo senza basso.
do grande Johann S. Bach.
Podes sempre ver exaustivamente a sic notícias,
repetindo de hora a hora o golo do Mantorras.
Podes apanhar as notícias do chão.
Mas acredita, estou com esta conversa disparatada,
testando por sua vez o “Flip mac” que finalmente
tarefará de trocar as cedilhas por Ssssss
assim que necessário...
Aproveito e experimento as coisas engraçadas do Word
que nos rodeia.
Assim vai o mundo...o meu...e o teu.
AH!
E que tal aquela música doida que acompanha o
sr. Ambrósio e sua dama dourada?
É simplesmente maravilhosa!
Publicada por
João Gil
à(s)
6:19 da tarde
7
comentários
sábado, dezembro 03, 2005
Os amorfos
Meu querido amigo, desculpa-me a ousadia do adiantado da hora,
mas ...ponho-te um dilemazito, ok?
Tens uma plateia intelectualmente evoluída e geralmente bem informada,
com aspecto de pessoas diferenciadas do costume.
Tu colocas dois produtos totalmente opostos em cima da mesa:
- Um esquema bem sucedido, bem acabado e bem executado acima de qualquer reserva ou suspeita.
- Por outro, uma proposta aparentemente alternativa, extremamente mal executada,
a suscitar, inclusivamente, solidariedade por uma espécie de pena.
Pergunto-te, qual das duas arranca mais palmas?
Tu sabes muito bem do que falo...
Ai o caraças...então?
Qual é a inteligência que se aplica no acto da escolha das ditas palmas?
Pois eu digo-te:
Há uma esquizofrenia dominante que se declara acima de tudo
por uma inveja partilhada no segredo do silêncio colectivo...
A frustração obviamente não declarada.
Em minha opinião, apenas um reflexo da falta de formação de base a todos os níveis,
bem camuflada por estrangeirismos vários.
NÃO!
Não te vou dizer que me apetecia emigrar,
Não há cu!
Mas...não achas que seria uma belíssima ideia a terapia do sofá do tal José que de Gil se apelida?
A pena pela constatação da incapacidade de ser algo somente?
A negação daquilo que se afirmou pelo seu próprio pé?
Daí a satisfação...
Tenho muita pena meu querido amigo.
Venho do interior.
Fazia muito frio na minha escola, sabias?
És meu amigo.
Não me vires as costas.
Peço-te!
Publicada por
João Gil
à(s)
3:11 da manhã
3
comentários
quinta-feira, dezembro 01, 2005
A nobreza de um homem
Meu querido amigo:
Sei que hoje é dia de teu descanso,
devia deixar-te na tua paz merecida,
mas, enfim, não consigo!
Chove de grande, o céu apresenta-se carregado de água azul.
Só te liguei porque não resisto a falar-te de um homem como deve ser.
O cidadão Fernando Nobre, um dos homens que mais estimo e admiro neste planeta.
Pouco falei com ele, com pena minha, mas do pouco que, deixou Fernando um lastro
da sua enorme humanidade, do quanto somos ridículos quando incapazes de ver os outros.
Há pouco, pela reportagem brilhante de Teresa Conceição, deu-se a conhecer mais de Fernando.
Um dia, uma amiga minha dizia que havia pessoas que tinham um olhar grande... como os olhos de vaca.
Meigos, cheios, profundos...
O olhar de uma mãe fixando a sua cria?
O olhar nobre de Fernando.
Dorothea Lange
Publicada por
João Gil
à(s)
3:47 da tarde
15
comentários
O dia que nunca acaba
Meu querido e estimado:
Foi incrivelmente bonito este dia, hem?
Estou a chegar de uma jornada fantástica.
Aliás, creio que este dia começou ontem, ou mesmo antes.
Primeiro, a Sara gingando no seu universo... balanceado.
Se fosse um pintor, seria Sara a minha severa.
A minha coroa de sua glória.
Mas não!
Desajeitadamente teclo....
Ah!
....e danço....no videoclip.
(Toma e embrulha)
Depois veio o meu irmão Gaudêncio, de um enorme coração, que até estruje!!
Aquele homem como ele, cresceu dentro de si.
Lutou e trabalhou.
Tem o Tê que é muito caminho andado.
Tem amigos que sei lá o quê.
Uma família incondicional que se preza de ser.
Tem uma mulher inteligentíssima que não é pouco.
Não sei o que aquele desgraçado pode querer mais?
Vá dar uma curva!
Hoje ajudei a uma festa da RTP, acerca do trabalho voluntário.
Vi pessoas que há muito não via.
Fiquei como estou.
Feliz por todos.
Também eu cresci.
Ainda dei um salto à FNAC do Colombo, dar música a quem a merece.
"O dia que nunca acaba" podia ser uma daquelas banhadas...tipo perto de si...
pela voz do J.D. Nunes...
Olha meu querido amigo:
Amanhã?
Logo se vê!
...ou...logo se viu??
Vá!
Dorme bem!
Foto: Lourenço Gil
Publicada por
João Gil
à(s)
3:57 da manhã
8
comentários
terça-feira, novembro 29, 2005
O nosso tempo
Ontem à noite o tempo parou.
O teu.
O meu.
O nosso.
Disse a uma das câmaras que a nossa Sara é património mundial.
Mas isso tu já sabias.
Acrescentei que ela era uma dádiva de Deus.
A ideia de um novo Portugal!
Hoje é dia de Rui Veloso.
Vou levar os vossos olhos.
Abraço.
Meu incondicional!
Publicada por
João Gil
à(s)
3:21 da tarde
8
comentários
segunda-feira, novembro 28, 2005
Tem dias...
Há dias em que tudo corre devagar...
Há dias em que mais vale...
Há dias na vida dum agricultor...
Há dias que nunca se esquecem...
Há dias vi-te passar...
Há dias mais pequenos que a noite...
Há dias para tudo...
Há dias assim...
Há dias meu querido diário, em que tudo está escrito...
Tanto lá em cima como cá em baixo.
Publicada por
João Gil
à(s)
4:13 da tarde
13
comentários
A nossa Sara
Meu querido diário:
hoje segunda feira, é lançado no Santiago Alquimista,
o novo trabalho da nossa Sara.
Sei que não te invejas, quando exacerbo as qualidades de Sara.
Fazes ideia do que é acompanhar a Sara?
Imaginas o desapego que obriga?
O que provoca tanto abandono de nós?
Afinal, o que faz de Sara uma das maiores cantoras de sempre da nossa comunidade
de língua Portuguesa?
Diria eu, teu honesto servidor que a nobreza da sua altivez, retira o tapete do nosso chão,
que a luz da sua voz empobrece os nossos sentidos...só ela está, só ela existe.
Digo-te meu estimado amigo:
Nunca me tinha acontecido.
Tudo o que sabia ou pensava, truques ou manhas de tantos frangos virar que...
pudesse por obra de sabe lá Deus!
Sublimar toda a sua inteligência.
A tua!
Sara.
Por isso te rogo:
- Quando olhares o céu...
Publicada por
João Gil
à(s)
12:07 da manhã
11
comentários
domingo, novembro 27, 2005
A Filarmónica ao vivo

Foto: Vasco Gil
Para quem não esteve sexta-feira no Olga Cadaval:
a Filarmónica Gil toca ao vivo na Fnac do Colombo,
de 4ª para 5ª feira, às 0:30h
(entrada livre). Apareçam.
Publicada por
Baggio
à(s)
10:45 da tarde
13
comentários
sexta-feira, novembro 25, 2005
O feliz contemplado...
é António Mesquita.
Parabéns.
Publicada por
João Gil
à(s)
1:55 da tarde
14
comentários
quinta-feira, novembro 24, 2005
quarta-feira, novembro 23, 2005
Convite duplo - Olga Cadaval

O Desabafo oferece uma entrada dupla para o concerto da Filarmónica Gil no Auditório Olga Cadaval, em Sintra, na próxima 6ª feira, dia 25 de Novembro.
Para isso, tem responder às seguintes questões, e enviar um mail para conteudos@joaogil.com
[respostas até às 20h00 de 5ª feira, 24 Nov]
1) Quem produziu o cd da Filarmónica Gil?
2) Quem escreveu a maior parte das letras?
3) Onde fica a América?
Boa sorte. Encontramos-nos lá.
Publicada por
João Gil
à(s)
12:28 da tarde
15
comentários

