quarta-feira, maio 31, 2006

O arco da bandeira

Meu Querido Amigo

Ele há coisas que me lixam...
Aproveitando o ensejo, a publicidade escolhe
o mundial de futebol como motivo
de comunicação obvio e evidente.
O desejo.
O sonho.
A ilusão.
Calculo que seja fundamental estabelecer
a razão directa entre a venda do produto
e a vitória desportiva.
Ou seja:
Já ganhámos!
Portugal vai ser campeão!
Esta conta básica tem dois resultados possíveis:
Um lado aparentemente bom, que se reflecte na mobilização das hostes lusitanas e num evidente acréscimo de vendas, portanto:
A revitalização da sociedade consumidora.
O outro é desportivamente conhecido como desastroso para Portugal.
Nunca ganhamos quando entramos a ganhar.
Faz parte do nosso processo colectivo.
Embandeirar em arco é manifestamente mau.
Eu disse-te...

segunda-feira, maio 29, 2006

As 4 linhas

Meu caloroso amigo

O fogo ainda não estalou.
Está um calor que me tolda o conhecimento adquirido.
Escrevo-te com os dedos pesados,
coisas que pela preguiça mal se erguem,
desinteressantes e banais, do tipo:
Equipa que ataca também tem de defender.
É caso para dizer que os neurónios foram todos lá para
a frente e eu aqui sozinho com a baliza indefesa
a enxotar mosquitos.
Não é justo!

Só ligo ao futebol.
Por isso não te espantes se o nosso diálogo nos próximos tempos, pautar pelo meu guru que é o Gabriel Alves,
o nosso Nobel das quatro linhas.
Estilo...
E como gosto de ouvir os hinos enquanto as câmaras registam
o patriotismo e o desafinanço dos jogadores...
Encontrar as razões de uma derrota será o lema.
Julgar os comportamentos e o desempenho será a nossa prioridade total.
Tens cromos prá troca?
Nas quatro linhas se escreve música.
Nas quatro linhas se escreve um poema foleiro
dedicado a um jogador qualquer.
Nas quatro linhas se joga ao galo de não ter sorte nenhuma.

Em quatro linhas joga um povo o seu destino...

Azeite puro para molhar o pãozinho.

sexta-feira, maio 26, 2006

As janelas de Timor

Diz-me estimado e atento amigo
se não é tudo tão obvio e evidente
pega-se nas armas e cá vai disto
os argumentos escasseam e nem se explicam
as catanas impressionam-nos
lembram-nos
há pessoas em perigo
assustadas as crianças
os olhares
os olhos
as mãos e o colo
um português inocentemente falado
não são as bananas ou abóboras
não
não é o café
não é o preparado picante
nem o sangue a correr por isso

é sempre a mesma merda

abre-se a janela de Timor
e lá vem o aroma inebriante

cheira a petróleo que tresanda

quinta-feira, maio 25, 2006

A moça pick up

Uma moça novinha senta-se numa pick up,
a saia pouco discreta desvenda uma perna generosa e robusta.
Aproveitei, olhei para o interior, curioso pelo aspecto...
4 lugares de espaço mais que suficiente.
O tablier austero e rigoroso para o trabalho árduo.
O sol a despontar e a pick a aparecer lá no horizonte...
A ronda diária pelos pastos em piso difícil.
A terra escorre-me entre os dedos da mão.
Observar os animais, o seu crescimento é uma tarefa
de todos os dias.

ou:
A praia ao longe... paro, olho em volta e descubro a melhor onda,
a prancha cabe á vontade no casco que me orgulha o peito feito.
O fato mal lavado e pleno de areia custa a vestir por isso.
Faço-me ao mar e ataco-o com sorriso matreiro.

Ah!!!
A moça... que fazer com ela no espaço de imaginação?
Vou tratar de ti... dar-te o melhor uso.
Arrumar-te no porta bagagens.

Já viste meu caríssimo amigo
como os homens se imaginam?
Uma feira de automóveis cheia de miúdas giras...

Um espectáculo!

quarta-feira, maio 24, 2006

caixotes de papel

Meu Querido Amigo

Que saudades de ti.

Tens pintado?

Tantas coisas para te contar que nem sei como começar.
Encontrei coisas de ti em caixotes que já nem eu.
Vou mandar-te as tais fotografias em que apareces a fumar charuto.


Deixo-te aqui um abraço e mais outro para o Baggio.

Esbruga-te na atitude!!

Vamos teclando, boa?

UU

Já cá canto!!

terça-feira, maio 16, 2006

É só por isso: em mudanças


Foto: Vasco Gil


Filarmónica Gil:

quinta-feira, abril 27, 2006

Mudanças

Meu Estimado Amigo
Como vais?
Que notícias tens de ti?
Diz coisas sempre que achares.

Sabes que estou a mudar de casa?
Que seca monumental, este trabalho de empacotar.
Mas, como tudo, existem lados obscuros de claridades evidentes.
Sempre que me mudo, lá fica reduzida a papelada e o espólio.
Ainda bem!
A mala vai ficando mais leve, e a vida fica nitidamente mais portátil e fácil de manusear.
Adoro rasgar papéis e deitá-los fora.
Um peso que se liberta, um registo que se abandona.
Aquela imagem da menina a beber nescafé na falésia
I can see clearly now
the rain is gone...
Óó
Cá vou eu.
Sinto a liberdade batendo na cara,
sulcando as rugas do meu caminho.
Toma o meu sorriso e um abraço
do teu enorme tamanho
meu querido amigo
de todas as horas.

terça-feira, abril 25, 2006

Caracol ode

Querido caracol
Andas andas andas
Qual o teu horizonte
Coisas enormes decerto verás
Longos os passos da tua breve vida
Como será o mundo por ti visto
Inglória fama para tão rápida ingestão
Quão lenta a memória de te esquecer
em cada abril que apareces de novo
Dedico-te esta ode por tua honra
animal singelo e subtil que
não fosse a vicissitude e tudo mais fácil seria
por de ti tanto gostar

Quem vier por bem

Meu Estimado

Hoje é dia 25 de Abril.
Onde estavas?
Piadinha... esquece.

Exercitar a liberdade é usar o 25 de Abril, não?
Festejar o feriado, ir à praia, ler um livro, ir ao cinema
ou apenas não fazer nada, pode ser uma forma de comemorar, não?
Sabemos agora todos o valor da liberdade, não?
Temos uma ideia mais aproximada da importância do
respeito pelos outros, não?
Uma data de coisas que já sabemos... não?

Mas pergunto, de que vale a liberdade se as condições de vida
são cada vez mais difíceis e apenas os bancos vão sorrindo
dia após dia?
Quem tem um banco tem tudo, não?

Ainda há pouco via o filme do 25, e confesso o embaraço.
Estive no largo do Carmo, no jornal “ República”, na PIDE, nos passeios... andei por ali, manhã cedo por aviso de camarada meu.
Para mim, é prematuro ver aquela fita.... desculpem.


Ontem no concerto em Santiago, gritei
Viva o 25 de Abril!
Viva Portugal!
Muito bom!!!!
É fantástico poder gritar sem medo, não?
Apesar de não estar na moda.
Caguei!!!!
Gritarei sempre que se seja a ocasião, não?


Depois,
inevitavelmente,
lembro-me do Zeca Afonso.
Por bem quem vier por bem.


sexta-feira, abril 21, 2006

Verdade desportiva 2

Ah... a propósito da verdade desportiva
que é um assunto pertinente
E com muita pertinácia até

Erram os árbitros porque em vez de serem dois,
é apenas um com dificuldade evidente em observar
o jogo por inteiro.
Hipocritamente o público exige dele as funções de Deus,
coisa difícil para um simples homem.

Erra o público porque parte do princípio que ninguém é honesto.
Erra o público quando chama impropérios ao guarda redes quando
chuta o pontapé de baliza.
Erra o público em manifestações racistas.

Erram os treinadores quando se desculpam por tudo e por nada.

Erram os dirigentes quando acicatam ódios provincianos.

Erram os jogadores quando manhosamente tentam enganar as pessoas,
falseando lesões e todo o tipo de representação não desportiva.

Diz-me meu amigo Quase...
Que havemos de fazer?
Os dados estão viciados.
Se calhar isto só tem piada... assim.
Falseamos colectivamente... sem importância nenhuma.


Um Abraço

Verdade desportiva

Meu Querido Amigo

Estou a iniciar o fecho de um ciclo.
Este ano será o último de uma viagem
num total de aproximadamente 12 anos.
Está bem assim.
Um filme desenrola-se numa acção
em narrativa às vezes incerta,
por vezes surpreendente,
e muitas vezes incompreendida.
Faz parte.

Lembras-te quando jogávamos à bola,
e o menino que era o dono da bola,
ia lanchar a sua casinha e levava consigo o esférico?
Lá se acabava o jogo.
Nunca gostámos lá muito dele.
Com razão.

Por isso
Vou deixar tudo como está.
As paredes estão intactas.
Está na hora de fazer as malas e partir.
Levo comigo uma história bonita
Que hei-de contar aos teus netos.

Vou-te dando notícias mas vai-te preparando...
Chegou a hora

terça-feira, abril 18, 2006

Ouro





Encontrei-te
Valiosa
Bela
Sempre
No meio de um turbilhão
Ergue-se a luz
Submerge
Eterna
Serás


Q.

segunda-feira, abril 17, 2006

Na estrada


Foto: Vasco Gil


Vemo-nos por aí:

20 Abril, Ala dos Namorados (& Rui Veloso), Coliseu de Lisboa
24 Abril, Filarmónica Gil, Santiago do Cacém
2 Maio, Filarmónica Gil, Barcelos
25 Maio, Filarmónica Gil, Vidigueira
1 Julho, Filarmónica Gil, Mealhada
12 Agosto, Filarmónica Gil, Ansião
13 Agosto, Filarmónica Gil, Batalha
14 Agosto, Filarmónica Gil, Amora
15 Agosto, Filarmónica Gil, Mortágua
17 Agosto, Filarmónica Gil, Estoril – Du’Art Garden
19 Agosto, Filarmónica Gil, Penafiel
26 Agosto, Filarmónica Gil, Pico
4 Setembro, Filarmónica Gil, Palmela
10 Novembro, Filarmónica Gil, Angra do Heroísmo*
11 Novembro, Filarmónica Gil, Ponta Delgada*


* Concerto acústico.

"Eles" quem?




Estimadissimo


Dispersos vão os nossos dias
Dispersos, caminhamos nós.

Camuflado pelos óculos de sol
que nem gato escondido
esperava a minha vez pelo pão quentinho e,
imaginei:

Ó shô deputado...
Por aqui?
Sim, e olhe ali atrás...
Olha quem é ele, o...
Deixe lá!
Viemos passar férias para o mesmo sítio...
Já não bastava!
Pois...
Já viu a bronca?


Há muita coisa errada entre nós.
Quem ouviremos?
Quem respeitaremos?
Não consigo silenciar.

Amanhã começamos o protesto

Uma semana inteira em que todos os utentes das
auto-estradas e pontes decidem não pagar.
Uma semana em que faltamos à obrigação,
aos nossos deveres de bem comportados.
Não vão multar 2 milhões de eleitores pois não?

Faz-me confusão, a desactivação da consciência cívica.
Faz-me confusão que a participação se resuma a um voto
de quatro em quatro, em que se elegem irresponsáveis, como se vê.
O nosso azar é que “eles” têm muita sorte, por sermos assim,
Porque afinal “eles” são a “nossa” projecção.
A imagem do nosso lado mais feio.

Aceita o desabafo meu amigo.
Vejo-te em breve.
Um abraço

quarta-feira, abril 12, 2006

3º volume - a carneirada

Meu querido e estimado amigo

Não digas nada.
Por favor deixa-me chegar lá.
Às vezes o silêncio e a pausa são a melhor resposta às dúvidas.
Apesar de ter suspendido o acto de fumar,
só me apetece a prevaricação de tão almareado estar.
Este discurso hipócrita, esta moralidade importada nem sei de onde, esta directiva europeia mal fundamentada e explicada,
só me deixa perplexo e estupefacto.

Juro-te!
Preocupo-me por ti
pela família
pelos teus amigos que nem sequer conheço
e um pouco por todos enfim...
Não adopto nem aprovo esta inquisição dos bem comportados.
Nesta família sociedade, têm de estar todos sem excepção.
Todos!
Por isso se quiseres fumar só tens de ter algum cuidado:
Não mandes o fumo para cima de mim.
A vida é tua.
Faz dela o que te der na gana.

Não tens de dizer nada.
Não será um decreto ou uma proibição, que fará mudar as mentes, mas sim um maior conhecimento do seu próprio corpo.

Deixa de fumar se achares, mas que seja a tua força a decidir,
no momento e na hora por ti decidida.


Um abraço e... já sabes...



domingo, abril 09, 2006

2º volume

Mais umas dicas para ti, para o caso de ainda te passar pela cabeça...

Não vás muitas vezes ao estádio da luz

Vai ao estádio de Alvalade que o problema não é teu

Não leias os jornais antes de dormir

Calça uns ténis e corre 100 metros a abrir, ou... 10 apenas

Não devas dinheiro ao estado... ou a ninguém

Traça uma data e comunica aos teus filhos

Pensa que o desejo e o vício podem ser anulados
pela conquista da vitória

Boa sorte!

sexta-feira, abril 07, 2006

Como deixar de fumar. 1º volume






Meu Amigo

Por opção ou não,
quanto fumo já entrou e saiu
por esta boca que te fala?
Buf!!
Não te escondo o prazer que, afinal, só me complica a vida.
Como se fosse hoje, lembro a primeira vez lá na montanha,
ao inspirar estoicamente umas barbas de milho que me deitaram
por terra, tonto e aos tombos vomitando os pulmões pela boca.
Tunga! Caí...

Depois, fumei estilosamente como um homem durante muitos anos.
Até que, de repente, deixei... pensava convencido.
Tá bem abelha! Tinha dentro de mim a inscrição suprema,
essa pequena informação que jamais me abandonaria.

Sou um viciado!
Sou mesmo.
Que alívio afirmá-lo.

Por isso te digo, vai fazer um ano que...
Suspendi!
Palavra mais cautelosa e humilde.
Quero que te afundes adorado vício.
Sou mais forte que tu... creio... ser.
Até lá, vou-te matando um dia após outro.

Digo-te adeus meu amigo esperando as notícias tuas.
Será que suspendeste?
Sei de algumas técnicas, se quiseres...

O reconhecimento e aceitação da nossa condição,
torna-se fundamental para esta primeira fase
de uma nova vida de ares renovada.

Achas que sou paternalista com este discurso?
Às tantas...

terça-feira, abril 04, 2006

Onde me sento








Estimado amigo
Tenho outras coisas em mente
Quero lá saber.







Gosto da tua boca
Do teu lábio ligeiramente torto
Das palavras que na sua beira
Pensam dizer e dizem
Entre
Abrem-se
Vejo-te
A boca
Deve por mim beijada ser
Beijado por ti
Quem se deu primeiro?
À morte não deixo
Por mim e por ti
Serás eterna
Como um pequeno beijo
À socapa

segunda-feira, abril 03, 2006

A orgia dos falhados

Olá João

Creio que venho em boa altura não?
Por um lado, as coisas não estão fáceis,
mas sinto que existe algo em ti
que te deixa secretamente entusiasmado
e empolgado com uma boa luta.
Confessa...
Como eu te compreendo.
Na tua idade, não dispensaria tal prazer.
Já vi que as fofocas não afectam nem alteram a relação
que tens na tua memória.
Acredito que te chateie a manipulação sobre a tua cabeça,
e sintas que te condicionam a liberdade.

Sabes muito bem onde vives.
O teu País tem demasiada mediocridade que torna esse tipo
de jornalismo uma realidade, mas aviso-te que nalguns sítios da
tua Europa, o mesmo acontece, por vezes com mais voracidade.
Essa gente de merda, a que tu te referes, alimenta-se de porcaria e
como calculas, muitos dos teus compatriotas ditos de famosos, vendem o Pai-Mãe-Filhos-gato-cão-o que preciso fôr,
entregando e vendendo toda a sua intimidade, e até a sua alma, numa espécie de terapia de masturbação colectiva.
Só tens de compreender o processo:
Um negócio de bastante lucro onde por conseguinte, vale tudo.
Mas não te preocupes que esta orgia de falhados, dura quase sempre uma semana aproximadamente.
Depois... tudo acaba, eles lavam a consciência num balde de merda e adormecem com facilidade.

Haverá gente honesta no meio disso tudo?
Obviamente, assim como a classe dos taxistas não tem culpa da escumalha que anda na praça.


Como sempre, tens a minha paciência.
Um abraço do teu amigo

Q.