quarta-feira, junho 21, 2006

Vale a pena Portugal?

Meu querido amigo
Mando-te este texto que enviei ao blogue "canalmaldito" que discute a questão da lei da rádio.
Tentei falar em sentidos figurados, por falta de pachorra para entrar em polémicas circunstanciais.
Deixo-te aqui o texto


"Antes de mais, os meus parabéns ao blogue e à iniciativa da discussão.
Este não é um tema novo para toda uma plataforma que discutiu profundamente o assunto e da qual fiz parte.
Apesar de alguns interesses não assumidos e lobizados nem a Rádio nem os homens da Rádio, são meus-nossos inimigos.
Considero-me sim inimigo duma puta duma mentalidade preguiçosa e estúpida que domina Portugal
uns dias após o seu nascimento.
Humildemente acredito que a questão passa por inverter os hábitos e costumes de consumo.
Mas.... isso seria a inversão de Portugal, torná-lo menos periférico, mais orgulhoso da sua lingua,
numa espécie de reencaminhamento da bandeira à janela para uma elevação e evolução cultural.
Utópico que sou...
Uma espécie de Espanha, País traumático para nós, mas inviável de tanta inveja sofrermos..
Imaginem um Portugal onde se ouvisse o mais possivel de tudo o que fosse produto nacional.
Onde se consumisse em todos os formatos, todo o tipo de música de todas as áreas...
Acreditam nisso????

Portugal só é um País de vez em quando, porque tem comportamentos bizarros que se assemelham a grupos de nómadas à procura de um sítio para acampar.

Por isso estou orgulhoso de fazer parte de um grupo de pessoas inconformadas, que tentam inverter
a situação, criando um processo lento de mudança que só daqui a muitos anos terá resultados efectivos.
Acredito que os novos projectos terão nessa altura visibilidade e...
Portugal valerá a pena. "

Um abraço

Ruido

terça-feira, junho 20, 2006

O sentinela

Escapatoria




Bom dia meu amigo

Dias incríveis estes
de abandono aos rigores da rotina
Dias para cismar e questionar
Se pudesse
faria um passeio matinal
por um qualquer areal
Inspiraria a manhã
Falaria de mão dada até ao fim do dia
Ouviria tudo o que houvesse
Teria as novidades dos pescadores
Aqui por estes sítios
Há uma escapatória
ao desastre

quarta-feira, junho 14, 2006

O comunicanto do vaso


Van Gogh


Meu Querido Amigo

Faz um tempito que fechei as portas
ao retorno e ao diálogo com os leitores e
convivas do espaço comum.
Matutei e convenci-me que a manipulação
era e continua a ser um abuso da confiança
e do respeito que pulsa nas veias da Liberdade.
Não mudei de ideias, mas reconheço que tal fecho para balanço
retira muito do que é o espírito da coisa-blogue.
Era a sobrevivência que estava em causa.
Vamos ver o que acontece.
Somos recipientes comunicantes,
Por isso, aprecio o domínio do colóquio das ideias
sobre o tucá-tulá messengeriano.


Sou o mesmo de sempre
que a ti se dedica
meu amigo

domingo, junho 11, 2006

Viva Portugal !!!


Eis uma das boas razões para o meu patriotismo.

A outra igualmente deliciosa,
faz o alimento da alma lusa. Para muitos lusos,
uma vitória magra sobre Angola pode ter um sabor a derrota.
Lindo!!
Viva!
Para esses lusos, assenta mesmo é uma bela duma derrota,
e assim se reverem na ilusão de que poderiam ter ganho...



Viva Portugal e os seus lindos portugueses!!


Viva a pita!

sexta-feira, junho 09, 2006

Reserva de humanidade

Meu querido e afável amigo

Não te passa o quanto me incomoda a notícia
acerca da hipotética violência exercida sobre crianças
na Casa do Gaiato.
Não é por nada, aliás as suspeitas são apenas suspeitas até às conclusões.
Verdade???
Embora a voragem colectiva goste sempre de tirar as suas próprias conclusões
como se sabe...

Sempre que se fala em padres prevaricadores
deparamo-nos com as eternas dúvidas
A Fé!
Quem são os representes de Deus na terra?
Quem prega o quê?
São apenas homens, tudo se compreende...
Tudo?

Na minha intimidade da memoria de infância
a ideia de Deus fazia osmose com a Música que tentava
chegar à Sua beira
Subíamos ao dialogo com ELE.
Por isso, cada vez que um padre é acusado
seja do que for,
é como se a reserva de humanidade a que fomos educados
desde coisinhas pequeninas,
significasse uma derrota de todos.
Ok.
Deixa....
Tu não sabes o que é ajudar à missa das seis da tarde
com a idade de 9 anos.

Um abraço

quarta-feira, junho 07, 2006

Chuva de flores

Olá Meu Estimado

Hoje fui à feira do livro
Isto porque,
ontem soube que hoje estaria Júlio Machado Vaz
a apresentar e assinar o seu último trabalho.
Que boa oportunidade para ver uma pessoa que tanto admiro.
Saio dali e... Meu Deus!
Uma chuva de flores de jacarandá

Pensei cá para mim:
Compram-se uns livros utopizando
que se tem o tempo e o espaço de leitura para os ler... Rapidamente... Já!
Nã!!!
Compra-se o tempo, compra-se a paz.
Compra-se a ideia de estar a ler, o que já não é mau.

Ainda por cima, chovem flores...

Lindo!

segunda-feira, junho 05, 2006

Clarisse

Clarisse
Eu já te tinha disse
Que o dito por não dito
Era a coisa mesmice

Clarisse
Eu já te tinha dote
Que o dote por não dote
Não queria dizer pescoço
Até à data

Clarisse
descaradamente
Finjo-te em falsete
Alarvemente corrijo-te
Estupidamente atinjo-te
Eu no pingarelho
E tu no atalho

A coisa não anda boa
És tu!
Que os parolos há muito
Conta disto tomaram
Modernamente jovens
Repetem seus pais
Têm direitos adquiridos
Os caducos

Paz às suas almas inocentes.

Vivam as pazes
Que cheiram a fezes

Eia!

quarta-feira, maio 31, 2006

O arco da bandeira

Meu Querido Amigo

Ele há coisas que me lixam...
Aproveitando o ensejo, a publicidade escolhe
o mundial de futebol como motivo
de comunicação obvio e evidente.
O desejo.
O sonho.
A ilusão.
Calculo que seja fundamental estabelecer
a razão directa entre a venda do produto
e a vitória desportiva.
Ou seja:
Já ganhámos!
Portugal vai ser campeão!
Esta conta básica tem dois resultados possíveis:
Um lado aparentemente bom, que se reflecte na mobilização das hostes lusitanas e num evidente acréscimo de vendas, portanto:
A revitalização da sociedade consumidora.
O outro é desportivamente conhecido como desastroso para Portugal.
Nunca ganhamos quando entramos a ganhar.
Faz parte do nosso processo colectivo.
Embandeirar em arco é manifestamente mau.
Eu disse-te...

segunda-feira, maio 29, 2006

As 4 linhas

Meu caloroso amigo

O fogo ainda não estalou.
Está um calor que me tolda o conhecimento adquirido.
Escrevo-te com os dedos pesados,
coisas que pela preguiça mal se erguem,
desinteressantes e banais, do tipo:
Equipa que ataca também tem de defender.
É caso para dizer que os neurónios foram todos lá para
a frente e eu aqui sozinho com a baliza indefesa
a enxotar mosquitos.
Não é justo!

Só ligo ao futebol.
Por isso não te espantes se o nosso diálogo nos próximos tempos, pautar pelo meu guru que é o Gabriel Alves,
o nosso Nobel das quatro linhas.
Estilo...
E como gosto de ouvir os hinos enquanto as câmaras registam
o patriotismo e o desafinanço dos jogadores...
Encontrar as razões de uma derrota será o lema.
Julgar os comportamentos e o desempenho será a nossa prioridade total.
Tens cromos prá troca?
Nas quatro linhas se escreve música.
Nas quatro linhas se escreve um poema foleiro
dedicado a um jogador qualquer.
Nas quatro linhas se joga ao galo de não ter sorte nenhuma.

Em quatro linhas joga um povo o seu destino...

Azeite puro para molhar o pãozinho.

sexta-feira, maio 26, 2006

As janelas de Timor

Diz-me estimado e atento amigo
se não é tudo tão obvio e evidente
pega-se nas armas e cá vai disto
os argumentos escasseam e nem se explicam
as catanas impressionam-nos
lembram-nos
há pessoas em perigo
assustadas as crianças
os olhares
os olhos
as mãos e o colo
um português inocentemente falado
não são as bananas ou abóboras
não
não é o café
não é o preparado picante
nem o sangue a correr por isso

é sempre a mesma merda

abre-se a janela de Timor
e lá vem o aroma inebriante

cheira a petróleo que tresanda

quinta-feira, maio 25, 2006

A moça pick up

Uma moça novinha senta-se numa pick up,
a saia pouco discreta desvenda uma perna generosa e robusta.
Aproveitei, olhei para o interior, curioso pelo aspecto...
4 lugares de espaço mais que suficiente.
O tablier austero e rigoroso para o trabalho árduo.
O sol a despontar e a pick a aparecer lá no horizonte...
A ronda diária pelos pastos em piso difícil.
A terra escorre-me entre os dedos da mão.
Observar os animais, o seu crescimento é uma tarefa
de todos os dias.

ou:
A praia ao longe... paro, olho em volta e descubro a melhor onda,
a prancha cabe á vontade no casco que me orgulha o peito feito.
O fato mal lavado e pleno de areia custa a vestir por isso.
Faço-me ao mar e ataco-o com sorriso matreiro.

Ah!!!
A moça... que fazer com ela no espaço de imaginação?
Vou tratar de ti... dar-te o melhor uso.
Arrumar-te no porta bagagens.

Já viste meu caríssimo amigo
como os homens se imaginam?
Uma feira de automóveis cheia de miúdas giras...

Um espectáculo!

quarta-feira, maio 24, 2006

caixotes de papel

Meu Querido Amigo

Que saudades de ti.

Tens pintado?

Tantas coisas para te contar que nem sei como começar.
Encontrei coisas de ti em caixotes que já nem eu.
Vou mandar-te as tais fotografias em que apareces a fumar charuto.


Deixo-te aqui um abraço e mais outro para o Baggio.

Esbruga-te na atitude!!

Vamos teclando, boa?

UU

Já cá canto!!

terça-feira, maio 16, 2006

É só por isso: em mudanças


Foto: Vasco Gil


Filarmónica Gil:

quinta-feira, abril 27, 2006

Mudanças

Meu Estimado Amigo
Como vais?
Que notícias tens de ti?
Diz coisas sempre que achares.

Sabes que estou a mudar de casa?
Que seca monumental, este trabalho de empacotar.
Mas, como tudo, existem lados obscuros de claridades evidentes.
Sempre que me mudo, lá fica reduzida a papelada e o espólio.
Ainda bem!
A mala vai ficando mais leve, e a vida fica nitidamente mais portátil e fácil de manusear.
Adoro rasgar papéis e deitá-los fora.
Um peso que se liberta, um registo que se abandona.
Aquela imagem da menina a beber nescafé na falésia
I can see clearly now
the rain is gone...
Óó
Cá vou eu.
Sinto a liberdade batendo na cara,
sulcando as rugas do meu caminho.
Toma o meu sorriso e um abraço
do teu enorme tamanho
meu querido amigo
de todas as horas.

terça-feira, abril 25, 2006

Caracol ode

Querido caracol
Andas andas andas
Qual o teu horizonte
Coisas enormes decerto verás
Longos os passos da tua breve vida
Como será o mundo por ti visto
Inglória fama para tão rápida ingestão
Quão lenta a memória de te esquecer
em cada abril que apareces de novo
Dedico-te esta ode por tua honra
animal singelo e subtil que
não fosse a vicissitude e tudo mais fácil seria
por de ti tanto gostar

Quem vier por bem

Meu Estimado

Hoje é dia 25 de Abril.
Onde estavas?
Piadinha... esquece.

Exercitar a liberdade é usar o 25 de Abril, não?
Festejar o feriado, ir à praia, ler um livro, ir ao cinema
ou apenas não fazer nada, pode ser uma forma de comemorar, não?
Sabemos agora todos o valor da liberdade, não?
Temos uma ideia mais aproximada da importância do
respeito pelos outros, não?
Uma data de coisas que já sabemos... não?

Mas pergunto, de que vale a liberdade se as condições de vida
são cada vez mais difíceis e apenas os bancos vão sorrindo
dia após dia?
Quem tem um banco tem tudo, não?

Ainda há pouco via o filme do 25, e confesso o embaraço.
Estive no largo do Carmo, no jornal “ República”, na PIDE, nos passeios... andei por ali, manhã cedo por aviso de camarada meu.
Para mim, é prematuro ver aquela fita.... desculpem.


Ontem no concerto em Santiago, gritei
Viva o 25 de Abril!
Viva Portugal!
Muito bom!!!!
É fantástico poder gritar sem medo, não?
Apesar de não estar na moda.
Caguei!!!!
Gritarei sempre que se seja a ocasião, não?


Depois,
inevitavelmente,
lembro-me do Zeca Afonso.
Por bem quem vier por bem.


sexta-feira, abril 21, 2006

Verdade desportiva 2

Ah... a propósito da verdade desportiva
que é um assunto pertinente
E com muita pertinácia até

Erram os árbitros porque em vez de serem dois,
é apenas um com dificuldade evidente em observar
o jogo por inteiro.
Hipocritamente o público exige dele as funções de Deus,
coisa difícil para um simples homem.

Erra o público porque parte do princípio que ninguém é honesto.
Erra o público quando chama impropérios ao guarda redes quando
chuta o pontapé de baliza.
Erra o público em manifestações racistas.

Erram os treinadores quando se desculpam por tudo e por nada.

Erram os dirigentes quando acicatam ódios provincianos.

Erram os jogadores quando manhosamente tentam enganar as pessoas,
falseando lesões e todo o tipo de representação não desportiva.

Diz-me meu amigo Quase...
Que havemos de fazer?
Os dados estão viciados.
Se calhar isto só tem piada... assim.
Falseamos colectivamente... sem importância nenhuma.


Um Abraço