quinta-feira, março 16, 2006

O brio









Grande Quase
Como é que isso vai?
Já passaram aquelas mazelas?
Há coisas que a idade não perdoa tio...
Eheheh

Por aqui a coisa está do melhor,
A orquestra tem um maestro prestigiado
e arrojado.
Os músicos são bem comportados,
E não como alguns dos seus colegas de Portugal,
agrilhoados por fantasmas de funcionalismo-público,
de comportamentos de putos por infância não tida.

Encontro brio por estas paragens,
Uma outra maneira.

Comunicamos.
Cruzamos a informação.
Tem sido bom.
Aceita o meu abraço.

terça-feira, março 14, 2006

Luar de macau







segunda-feira, março 13, 2006

Transito




Basicamente





Meu querido estimado
Escrevo-te em pleno voo.
São uma data de horas cumprindo um programa restrito
de possibilidades para espapassar o tempo.
As pessoas são basicamente iguais.
Têm os mesmos pavores e medos.
Isso transforma os circunstanciais comportamentos
em reacções semelhantes,
Eu gosto de voar por isso ya meu tásse bem!

Pensei nessas palavras que me deixaste.
Sim é verdade,
Manuel de Oliveira é para muitos, um factor de união
pelo riso e chacota de quem julga julgar.
Ele há de tudo.
É bom rir de nós,
dessacralizar,
não nos levarmos tão a peito.
Mas não creio ser esse o caso.
As maiorias têm as suas razões.

Então vá, vou aguardar o tempo
Acertando pela hora local e fazer o que dizes:
Estarei atento e activo,
Algo que me ocorra de relevo
Fotografarei
Cuida de ti

sábado, março 11, 2006

Os papagaios da ignorancia










Antes de mais, faz boa viagem João.
Aproveita essas oportunidades raras
e retém toda a informação envolvente.

sabores
cores
rumores
amores
aromas

Dar-lhe-ás a melhor utilidade

Leva-me a escrever-te
o teu compatriota e realizador
Manuel de Oliveira.
Tornou-se entre muitas pessoas que conheces
o uso capião de escarnear M.O.
sempre a propósito de algo de muito lento,
pesado ou maçador.
Por sua vez habituados e educados segundo
as normas do cinema em que os truques substituem
e compensam o enorme vazio, mostram toda a sua deseducação e indisponibilidade aos horizontes de outras aproximações artísticas.

Presta bem atenção às entrevistas de ensinamento
que Manuel de Oliveira raramente faz.
São as lições de vida que os jovens deviam
ouvir e reflectir.
Aprender sempre com os que sabem
deveria ser o lema.
Não desactives João.

Estarei sempre aqui para o que desejares.
Diz coisas de ti e de lá.


Q.

quinta-feira, março 09, 2006

O frango etico

Ó Quase!
Lá vou eu de novo.
Pra lá de cascos de rolha mais exactamente.
Uma aldeola lá no sol posto,
mais ou menos atrás das pedras percebes?
Longe como o caneco!
No epicentro de muitas doenças para lá de perigosas.

Conheço um restaurante de cozinha Tai que é do melhor.
Passarei lá a minha vidinha não tenhas a mínima dúvida.
Arroz introduzido dentro do ananás com os pedaços do mesmo.
Bom!
Já comeste cobra?
É tipo frango com espinha vertebral.
Frango ético?
Carne algo musculada digo.
Bué bom!

Invariavelmente, terei saudades da posta de bacalhau,
com uma brutalidade de azeite.
Assim desta maneira, ligo a Pátria ao estômago nostálgico.
Um novo conceito de nação surge nas entranhas é o que é.

Entendo tão bem os emigrantes, com o bacalhau e o queijo,
embrulhados oleosamente em papel pardo.

Meu querido amigo
Vou para mais velho e volto mais novo
como de costume

Hei-de contar-te um dia porque é que os prédios
altos têm grades nas janelas.


Ah! (esta coisa do ah, lembra-me o detective Columbo)
A propósito da ética galinácea, eu por mim, se fosse deputado da bancada da dita,
teria aplaudido o novo Presidente de Portugal.

É a partir de agora e para todos os efeitos, o meu Presidente.

quarta-feira, março 08, 2006

Espelhos














Oli Quasi
Fotografê prá ócê








A bonomia de uma tarde

A primeira aula de fotografia

A nabice da focagem óbvia

A simetria mais que aborrecida


- Sim, todos tiramos a mesma e depois?

Se partir esta foto, serão sete anos de azar ou mais.


O dia do homem







Não sei o que o meu estimado amigo
pensa sobre o assunto que logo pela manhã ouvia
de um respeitado senhor a propósito deste dia 8 de Março.

Dizia então o senhor:
- Quero deixar um beijinho especial
à mulher que me atura lá em casa!

Ao princípio até achei normal,
mais um dia entre muitos,
o dia da mulher, que uma vez por ano,
por ser apenas um momento tão especial,
nós reconhecemos todo um esforço de assinalar.
que até merece uma rosa!!!!

Assim, ao urso branco, ao panda, ao S. Valentim,
E por aí fora, junta-se também a mulher, esse animal diferente,
que também tem direito a um dia.
Mas apenas um.
Não abusar.


Para mim,
dia após dia, rosa após rosa.

Fiquei sim, convencido quando ouvi
o respeitável senhor,
Que hoje é de facto mais um dia de homem.


Ah!!
Hoje pode ser o dia do Benfas!!!

terça-feira, março 07, 2006

A mulher deitada










Meu Querido Amigo


São reconfortantes e sábias, as palavras por ti
sussurradas na sua maior doce evidência.

Assunto encerrado!

Há uns dias, pelas terras do meu interior,
no crepúsculo montanheiro,
misturava no horizonte
este registo sugestivo.

Esta mulher nua e deitada parecia
nadar em braçadas de terra até ao mar.

Ou simplesmente pousava para o meu desenho?
Fixei-a retinamente


Já viste a rapidez e a velocidade dos nossos sentidos?

Vão e vêm num abrir e fechar.

Toma-a nos teus olhos e vai em paz.

segunda-feira, março 06, 2006

O campo de milho

Carissimo João

Vejo-te inteiro.
Ainda bem.



Sabes que a ponderação tem o som
da harpa que se ouve quando atravessas
um campo de milho?

Sabes que a inveja é uma das doenças
que mais mortes tem provocado no teu povo,
meticulosamente e sempre à hora certa?

Sabes que a mediocridade tem um público
fervoroso e convencido da sua arrogante
verdade?

Digo-te como teu amigo sincero:

Corta a manipulação pelo mal
da rua raíz.

Sigo-te de perto meu estimado amigo

Q.



Abbas Kiarostami

domingo, março 05, 2006

A vertigem

Estou de volta meu amigo Q.
Confio-te algumas das palavras que a mim sorriram,
apanhadas do céu mais à mão:


Cintilas meu amor
Voo mais alto
Voo mais perto
Na tua vertigem
No teu mais fundo
Eu

Agarro-te
Apanho-te
Seguro-te

Não fujas antes que o sol te encubra
Não te escondas meu amor
que a noite mata-me só
e não tarda a ser dia

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Subir ao fundo

Meu estimado

Volto à montanha.
Talvez perceba um dia
porque voo tantas vezes em sonhos
de janela em janela
pelos beirais das casas de Lisboa.

Entendo o João Garcia.

A tentação de subir ao fundo do abismo.

O perigo de morrer ao fugir dela.

A gravidade em movimento ascendente.

Apressadamente!

Somos seres estranhos, nós os humanos.

Donde vimos?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Gatuno! Gatuno! Gatuno!




Olha Quase
Digo-te, este fenómeno do futebol tem
na verdade algo de muito que se lhe diga,
e o que te trago apenas faz sentido
porque tudo o que se passa fora das quatro linhas
atinge proporções que não têm absolutamente nada a ver com o próprio desporto em causa.
Apesar da evolução tecnológica, dos interesses dos dirigentes dos clubes, do seu poder indescritível, dos inúmeros programas de TV, da imprensa altamente rentável, dos fanáticos das bandeiras e claques, dos apaixonados que libertam a sua pressão, dos ferraris, de todo o azeite que escorre das cabeças platinadas, dos gestos provocatórios, apesar de tudo e tudo o que agora não me ocorre neste texto inacabado,
realizo que a chave do segredo do sucesso do futebol assenta na incapacidade de controlo total sobre tudo o que acontece em tempo real, sem hipótese de retorno.
Se algo acontece, simplesmente já passou, já era!
Se não, vira futebol americano, com as paragens para publicidade, para a revisão dos lances e sua possível correcção.
Lá se vai a piada da coisa.
Somos levados a concluir então, que a discussão durante a semana dos casos polémicos, são a negação da essência do futebol.
Tudo se esgota no final do jogo.
Não???
Ok!
Então vá!
Continuem...
Força!

Gatuno!
Gatuno!

Metem dó...
Ainda por cima vê-se logo que nunca jogaram futebol.

A janela embaciada

Querido Amigo

Não é que a luz faltou exactamente
na parte em que o actor, aquele do matrix,
um pouco duro, canastrãozito mas enfim,
ao contrário da... nem encontro palavras,
Charlize...
Chorei baba e ranho só podia.
Às vezes chora-se nas banhadas americanas.
Porquê?
Um sinal de fraqueza!
Que franqueza!
Fui à janela para ver se era geral... a avaria entenda-se.
Apenas no meu quarteirão.
Só para chatear mesmo ali ao lado, o projector
ilumina agressivamente o prédio em frente,
A pirraça do rico... palhaço!
Enquanto espero pelo piquete da EDP à espera da sua Opá,
embacio o vidro da janela com fúria de mestre.
Atenuo a violência do chato do foco, e penso numa data de gente antes de desenhar no vidro em branco.

Se um dia escreveres algum nome na tua janela,
foi porque pensaste numa data de gente também, mas...

Que a luz nunca te falte!

sábado, fevereiro 18, 2006

A muda mudança muda?

Estimado


Sorrateiramente e como quem não quer,
o DNA finou-se.
Tinhas dado por isso?
Pois...
Mudar, tem de se mudar, fazer qualquer coisa,
mudar apenas, aparecer com outra cara,
Rejuvenescer?
Não creio.
Passou-me ao lado a justificação, se é que foi dada.
De quem é o DN?
Quem são?
Não interessa.
Olha Quase, já me convenci que nos dias que correm,
a mudança só por si, passou a ser um acontecimento,
um facto em si mesma.
Fica-se mudo de tanta mudança Meu Deus!!!
Sim, serei sempre naifezito...
Nas tintas.
Quando as coisas mudam para pior manifestamente...
Era caro fazer o DNA?
Cansaço?
Sei que um dia um amigo dirá algo que assente na mão
como a defesa pela luva de Ricardo.
Para mim, já perderam.
Já não compro o DN à sexta.
Também, quem se irá importar.

E tu Quase, estás sempre na mesma.
Vais ficar quieto?

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Os cravos de fevereiro

Carissimo João

Disse-te uma vez que não iria nunca
responder à letra sobre as coisas que te trazem a mim...

Hoje passei por aí, e vi que tinhas cravos vermelhos na tua mesa.

Pensei que seria interessante falar-te disso.
Sabes que os cravos são as flores da época?
Sim, têm a conotação de uma época que vocês viveram mais tarde em Abril de 1974.
Em Itália também curiosamente.

É claramente a estação do ano em que a natureza rompe e renasce pelos buracos do muro do inverno ainda.
Aproveitei para te falar de Liberdade,
do quanto é difícil o seu exercício,
falar-te do sítio onde acaba a nossa e começa a liberdade dos outros.
Foram séculos de experimentação.

Respeitar a diferença?
Quantas vidas não terão custado?
Qual foi o preço que se pagou na luta por tudo
o que tu e os teus amigos agora usufruem?
Olha para trás, estuda a tua civilização,
porque ela edificou-se, por sua vez, em cima de todo o tipo de
Barbárie, por invasões em nome de Deus, por todo o tipo de atropelos até que, contradição ou não, a consciência cresceu ao ponto da vossa capacidade de autocrítica e auto análise definir as margens da clarividência, com uma clareza indesmentível.
Nada mau!

Gosto de te achar eufórico, um pouco ansioso e impulsivo todavia, sim...
Conta comigo tu, e claro os teus amigos pendulares também.
Não deixes de lutar sempre.

Q.



Vieira da Silva

O dia a dia

Ó camarada Quase
Já agora o que me dizes...

Dia dos canhotos

Dia dos que usam óculos

Dia dos que ainda vêm alguma coisa

Dia do peão

Dia do gato

Dia de e do cão

Dia dos avós

Dia do neto

Dia do tuning

Dia da OPA

E mais outros tantos
que fariam do nosso dia
um verdadeiro dia a dia.

O comércio agradece.
E nós, ya! É aquela!


Um abraço

terça-feira, fevereiro 14, 2006

A cidade do namoro

Caro João

Pondera
São séculos de tradição
Os teu antepassados levaram os costumes
Cruzaram informação genética
Dizes que te sentes leve
Que não te deixas contaminar
Pensa que o povo é soberano
Eles adoram matrafonarem-se
Deixa lá
É a imagem do seu ideal
e quem sabe dualidade sexual não assumida
Desconfia quando ouvires os teus amigos
exercitando a ideia de se acharem o macho

Vai a Veneza
Subtil
Sinuoso
Sensual
Secreto

Compreendo o que te irrita
Mas

Vai por Lisboa ao acaso
Encontras o inesperado
Nada se repete
Uma rua nunca é igual a outra
E vais encontrar
Uma rapariga descalça e leve
Descendo degraus e degraus e degraus
Até ao rio

Namora
Não odeies


Um abraço sem pontuação



Q.

Odeio o carnaval

Estimadissimo Quase
Quero que saibas

Ninguém me pode levar a mal
Mas eu odeio o carnaval

Não é fácil esclarecer
Sem ofensa ou maldizer
isto assim até morrer
Desconforto de assumir
Nem sequer admitir
Sem vergonha ou que tal
Por favor e sem mal
Eu odeio o carnaval

Um dia uma canção
Sobre tema tão distinto
Seja branco seja tinto
Como o circo no natal
Depressivo e fatal
Faça chuva ou faça vento
Eis chegado o momento
Encarar o que é real
Vou lutar o ideal
O fado negro que souber
O bem haja ao que houver
Vou-me rir o ano inteiro
Como ouro a seu mineiro

Não me levem a mal
Mas eu odeio o carnaval

E toda a pontuação
O meu nome é João

Ponto

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A campainha

Caro João

Ocorreu-me que poderias achar piada:



“ Toca-me no nariz
Sempre que me encontrares
Abre a minha porta
Tocaram os sinos do teu povo
A rebate repicando
Vieram todos e todos
E no fundo dos teus olhos
A chama do teu brilho
Brilhou
Tanto que não me perdi
Tanto que nem me lembro
Onde estive “




Q.

A luz ao fundo

Meu velho amigo,
não duvides,
isto anda perigoso.
À violência da representação cartonista ocidental,
a resposta violenta que não se fez esperar.

Mudo a agulha,
falo-te de uma iniciativa em que participei,
que de tão inédita e tão interessante
faço tudo para a expandir,
com toda a minha força.

Participei num encontro promovido por várias famílias
em que abertamente se discutiram assuntos,
que no meu caso, implicitamente tiveram incidência evidente
na Música Portuguesa dos últimos anos
e no ensino, e não só mas também, na razão proporcional
de uma actividade física a começar na primeira infância.
Este encontro deu-se numa sala de estar de uma casa privada.
Toda a gente sentada em silêncio activo.

Imagina tu
que este tão pequeno evento privado
insuflaria de tal maneira,
que todos aqueles nos quais as pessoas confiaram a sua memória,
escritores, pintores, filósofos, políticos, jornalistas, etc. etc.
iriam em tournée gigantesca pelas famílias de Portugal, que se
preocupam e investem na qualidade do tempo que passam com os filhos?

Terias aqui um belo exemplo de partilha, em que as mentes se questionariam mais do que a fatal opinião formatada
por televisões de qualidade duvidosa, inevitavelmente fariam, e... fazem.

Acredita que a utopia tem um túnel cuja luz
lá no fundo adquire todas as colorações que quiseres.

No fundo... uma questão de imaginação.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Não!

Meu estimadíssimo:

Ouve, tenho mesmo que desabafar,
que caraças!

Chego a um estabelecimento por volta do meio dia,
procuro se podem fazer uma matrícula nova.
Há dois dias que me passeava sem que ninguém desse por nada,
a não ser eu, com aquela sensação da meia rôta no dedo do pé grande... sim... no dedo grande do pé.
Toda a gente a olhar para nós...

Em menos de uma hora, tinha de novo a matrícula, e seguia viagem.

Agora que já passou, diz-me por favor, porque é que a primeira resposta do senhor ao balcão foi:
- Isso para hoje não vai ser possível.
Duvidei...

A segunda:
- Estão cerca de sete placas para fazer antes da sua.
Sorri...

A terceira finalmente:
- Se quiser esperar, pode ser que tenha sorte.
Abri o sorriso...

A sério, ajuda-me, diz-me a razão de ser para este comportamento tão estranho e tão corrente entre nós.

Porquê?

Sempre que alguém pede uma info ou um serviço,
vem de lá invariavelmente um:

NÃO!!!

Vais aqui a Espanha, entras numa tasca a abarrotar de gente,
pedes um bocadillo de qualquer coisa e a primeira coisa que tu ouves é:
Ahora mismo lo traigo!

Agora entendo as reportagens cada vez mais deprimentes,
sobre o que todos fariam se fossem os europremiados,

mudariam de emprego...
Nota-se mesmo sem prémio.

Que merda!


sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Mergulho nocturno

Querido Amigo:
Queres saber o que um invisual sente?
Mergulha no oceano até ao fundo da noite
e sente apenas



Era noite quando chegaste

Vendei os meus olhos
e mergulhei ao largo no mar profundo

Todos os sentidos se apuram no estranho meio
de te não ver

Foi então que te descobri

Rápido ancorei o meu batel em ti e
sem tempo a perder na tua praia rezei a primeira missa
Trocamos objectos de boas vindas
as palavras escolhidas ao acaso poético

a silhueta da tua alma
ali na minha mão

Sei agora que se pode amar uma alma
Por isso acredita

Almo-te meu almor!

terça-feira, janeiro 31, 2006

o bocejo









Quaaaaaaase.
Estás?

Ouve:
Diz lá muito rápido:

Ó vida das vidas que a vida minha me deu,
que até a vida das mais vividas vidas,
ensina a viver com tudo o que a vida me dá.


Isto tudo dentro de um bocejo.

Já viste?

Experimenta.


Mas...também tens a alternativa do meu bocejo cristão:

Ai Jesus Maria
Santíssima do
Sacramento do
Rosário de
Fátima...
Amén!

Este tem mais groove.

Escolhe.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

7 beijos













Meu Querido Amigo:

A vida continua orgânica tal como nos foi dada a conhecer.

Uma bola parada

Um gesto provocatório

Um floco em Lisboa

Uma cidade recolhida

Uma criança salva

Uma boa notícia

Um café com vista

Um beijo de relance

Um olhar penetrante

Um frio de rachar

Um copo de vinho

Um mau resultado

Um cheiro de mar

Uma noite devida

Uma ideia feita

Um beijo

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mozart

João:

Que bom festejar.
Fantasiar.
Tantos artigos e páginas de jornais e revistas.
Endeusar um jovem compositor.
Ainda bem.
Passaram 250 anos.
Mozart continua por aí.
Podia ser um milagre da passagem de Deus pela terra.
Mas, não figuram músicos nos altares.

Mozart.

A música revela-se!

Declara-se!

A luz .

A vida.

É possível viver nos intervalos da morte.

Eleva-te!

Vai!

Q.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O custo de vida


Andreas Gursky




Desculpa-me Quase,
nem era para te ligar, mas achas normal que uma conhecida marca
de hiper-mercado se vanglorie constantemente de,
ano após ano, conseguir baixar os preços,
suportando o aumento do IVA, aguentando tudo?

Pois eu digo-te qual o sub texto de tão subtil
publicidade generosa e caridosa:

Especularam tanto e tanto,
os preços eram de tal maneira elevados,
que agora se dão ao luxo de gozar com a situação.

Fica aqui registado, da minha parte,
a certeza de que o custo de vida em Portugal
podia não ser tão elevado.

Olha Quase, há coisas de que não me importo de saber,
apesar de as compreender na sua essência,
mas gozar com a nossa cara é um pouco demais.

Imagina que na minha retrosaria faço o mesmo?

Está certo!

Delicadamente a oriente

Estimado e delicado:

Como vão as coisas Quase?
Sei que ouves sem que te sintas obrigado a responder.
É tão difícil que alguém nos ouça... apenas.
Não! Não me queixo.
Quero apenas que saibas o quanto aprecio essa tua maneira de me ouvires, sem que venha daí uma interferência ou julgamento.
Confio-me a ti.

Lembrei-me de te falar dum comportamento exemplar,
que dificilmente, a não ser por pânico geral, terá espaço entre nós.
Se fores a Tóquio, verás que todas as pessoas que têm sinais de gripe ou constipações virais de estirpes variadas,
identificam-se e protegem os demais, usando máscaras brancas,
anulando ao máximo o contágio normal transmitido por via aérea.
Nas ruas, nos autocarros, no metro, nas empresas ou em casa,
as pessoas respeitam-se a esse ponto.

Achas que um dia faremos tal?
Entrarias num táxi, cujo condutor tivesse uma máscara sem que
concluísses que tu correrias algum perigo?

Aqui entre nós, o perigo anda sempre escondido e a céu aberto.

Espero que estejas bem.
Um abraço.



Araki

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O Presidente Sampaio

Grande Quase:

Vim só para te deixar um recado,
ao qual darás o melhor seguimento:

Diz ao ainda presidente Jorge Sampaio,
que o abraço com o barulho a condizer.

Que lhe agradeço o convite que nos fez juntar de novo
no pavilhão atlântico.

Que vamos ter saudades das suas lágrimas fáceis e generosas.
Que não esqueceremos nunca a expressão da sua alma enquanto cantávamos a Timor.

Que um bom Presidente é aquele que chora por ver o seu Povo a rir de sua alegria.


Que terá de todos nós o que muito merece:




A nossa admiração.

Dois homens e um destino

Estimado:
Já sabes de tudo não?
Estamos todos felizes por aqui.

A harmonia.
A retoma vem aí com o salvador.
Viva!
De que se queixam os Portugueses?
Vá, tudo a trabalhar e alegria nisso.
Isto agora é que é!

Ganhou o candidato que melhor acerta o seu relógio
pelas políticas deste governo desenhadas previamente na europa central.
Duvidas?

Eu, se fosse o Primeiro, não hesitaria em fazer o mais possível
Para por tudo em prática.
Já!

Será que a oposição já realizou que não falta nenhuma a partir de agora?
Um pouco exagerado...
A oportunidade para a grande unidade.
O bloco central domina agora em toda a linha.

Julgas que pratico o escárnio não é?
Conheço esse teu riso.
Fico no entanto um pouco curioso sobre o desenrolar
da nova novela que está a ser rodada na OTA.
Como vai acabar?
Quem foi o assassino?


Não desejo o mal de ninguém, e muito menos do povo a que pertenço.
Para o que der e vier sou um deles.

Um abraço!

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O peixe a cana e a sabedoria

Meu querido amigo Quase:
Nunca falámos de eleições,
nunca soube o teu sentido de voto.
Creio aliás que tu nunca votaste em Portugal,
estou errado?

Queria estar no teu lugar,
queria estar em todo o lado e em nenhum,
teria outro tipo de deveres, outro tipo de obrigações.
Não estaria preocupado com assuntos pontuais de cada país,
região, cidade ou clube de esquina.

Nunca teríamos esta necessidade comum, de comprar as coisas
de que necessitamos realmente para sobreviver, e termos de ganhar dinheiro para isso.
De termos de guerrear constantemente por afirmação de identidade ou valores éticos.

Quase:
Ajuda-nos!
Não tens de nos dar o peixe, a cana ou sua aprendizagem,
Dá-nos a compreensão,
Dá-nos a lucidez
Dá-nos a sabedoria

Ensina-nos!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Sou Angolano




Muito bem!

Julgo ter entendido Quase...
Mas que raio de coisa tu fazias em Lisboa naquele ano?
Donde vens tu?
Hei-de saber um dia.
Juro-te!

Antes de te enxovalhar na tua petulância Caravaggiana,
Dedico-te uma bela canção:
Linda é linda...
Desculpa!

Deixo-te dois contrastes que falam a mesma língua,
pode ser?

A piscadela de olhos que José Rodrigues dos Santos
decidiu implementar na informação mais credível de tão tão tão e mais tão, serviço público ser...
que por tal e tal e... mais tal, me apetece endossar para ele, o destino cúmplice da parte que me cabe nos meus impostos.
A chamada instituição do olho.

Por outro,
A comovente declaração de Pedro Mantorras, que não festejaria um golo marcado a Portugal.
Por ele e por muito, considero-me Angolano.

Agora sim Quase:

Vai-te esconder!

O mercador de Lisboa

Ouve João:
Não te vou responder à letra.
Tudo o que seja relativo à tua vida profissional,
e ao respectivo encaixe social,
será sempre uma descoberta que terás de fazer sózinho.
Pelo teu próprio pé.
Prefiro contar-te isto que se passou bem perto de mim:

Estaríamos aproximadamente no ano de 1510,
vejo um mercador de pêra e bigode, saindo apressadamente de uma casa,
uma rapariga de tez ruiva, gritando atrás dele cai desamparada.
Sem hesitar, parei o meu trânsito e ajudei a levantar aquela criatura de cabelos de fogo e olhos negros.
Beijei sua mão e deixei-a por ali, um pouco mais recomposta.
Iniciei o meu passeio pela orla ribeira, inspirado pela maresia robalina até que
dou de caras com o dito cavalheiro gritando para um Genovês,
que lhe pagaria mais pela mercadoria desejada por outro mais que viesse.
Entretanto chegou um Castelhano que exigia, com ganas, aquilo que acordara anteriormente com o Genovês.
O mercador inflectiu então num discurso inflamado, que jamais faria tal coisa a um colega.
Fosse ele cão.
Contribuí à cena com o sorriso mais generoso que me saiu ao momento.
Com meus áás continuei continuei continuei e... quando o sol há muito arrefecera,
entrei num dos muitos tascos do campo das cebolas, que nunca apreciei seja sincero
e lá estava o nosso homem, embezanado pelo vinho mais ácido até então, cantando mal, uma velha melodia que, segundo ele, teria ouvido de um cantor marinheiro vindo dos mares do norte:
-Ai lambiu beibi...
E nos intervalos de tão gemido desafinado, dizia ele para o tasqueiro que o olhava sem ser nos olhos:
Esta minha vida é um desenrascanço!

Suspirava...



Acredito João, que tu e os teus, descendem daquele mercador incansável no seu serviço.
Não te ofendas!
Às vezes lembro-me de Caravaggio,
como ele se ria desbragando as suas bandeiras.


Respeitosamente

Q.



Caravaggio, O sacrifício de Isaac

terça-feira, janeiro 17, 2006

Salva-vidas

Meu Quase:
Nesta próxima quinta-feira, será votada a lei relativa às rádios de Portugal.
Vou falar-te disto e, por favor,
promete-me que vais pensar.
Preciso de ti!

Não é uma lei para sexta–feira.
Acredito numa alteração gradual de hábitos de consumo.
Doutra maneira, somos um Povo que não existe em parte alguma, um amontoado de pessoas.
Lembras-te quando foi imposta a lei que obrigava ao uso do cinto
de segurança?
Vincava a camisinha riscadinha do jovem bolsista...
Agora é apenas mais um reflexo condicionado.

Digo-te:
Esta lei pode funcionar na medida exacta, sem constituir uma guerra aberta com os radialistas.
Eles vão tentar segurar o seu emprego. É justo mas,
provavelmente, estará em causa um País com um futuro mais longo que a nossa precária vida temporal.
Cansa-me um pouco esta mentalidade doce e passiva de quem só vê apenas a roda de sua bicicleta.
Pensa nos músicos que estão para nascer,
ajuda-me!

Portugal tem de valer a pena.

Os inimigos moram a teu lado.

Traje de luzes

Sim João, de facto a lide, e a ideia de sol e sombra,
tem suscitado de tudo um pouco.
O sol que ilumina o gesto,
a luz de um traje que pelo animal estropiado,
tem gerado palavras, cujo peso e massa
dele brilham, brotam e sangram.
A sombra feita por um animal barbarizado,
mas cuja vida depende apenas da má sorte que lhe está destinada, como uma galinha que nasce para o efeito
sem uma causa...
Nada te choro.
Quem enfrenta um animal ferido, sangrado e enfraquecido,
às penas e lamentos não deve exigir.
Sei que os códigos de afirmação entre um grupo de homens,
nascidos e criados em lezírias, encontram muitas vezes na arena,
a galhardia e a coragem de um vínculo, uma identificação ou um sinal dentro de uma tribo qualquer.
Depois, vêm suas mães lamentar e apanhar a dor que caiu por terra.
Tudo isto tem um passado.
Sim, tens razão que me deu um certo jeito,
não tenho que me justificar a ti ou a quem quer que seja,
mas não tenhas dúvidas:
É na verdade mais fácil escudar uma opinião numa verdade aparentemente justa e correcta.
Mas não chega para entrar no céu.
Consuma-se internamente no presente colectivo... apenas.
Por isso, apelo-te para a compreensão dos homens, para a explicação das estrelas.
Porquê tudo?
Não te apresses a dizer não.


Cordialmente

Q.


segunda-feira, janeiro 16, 2006

Campo de silhuetas





Quaaaaaaaaaase:
Estás aí?
Não?
Estás bom?
Já te passou aquela dor?
A idade não te perdoa...
A malta compreende.
Já tinha uma mão cheiinha de saudades.
Vinha no caminho com um olho no infinito
e o outro tentando adivinhar o centro exacto
entre os pinôcos que estão na berma do alcatrão.
E assim, batia com o pé ao encontro de uma cadência.
Uma maneira de compassar o tempo certo na velocidade constante.
A estrada sempre me encantou.
E tu, como encontras a velocidade e o movimento nas tuas abstracções coloridas?
Adorava assistir às tuas aulas, mas tu tens cá um feitiozinho... Jasus Maria...
Foi então que no outro olho, o do infinito topas? Enfrentei esta silhueta
que indentifica a léguas este enorme Pais cheio de Países.
Reconheces que esta velha questão da lide, faz de cólera os suaves Portugueses,
tornando-os bravos bravios da Paz entre os animais, não? Não! Nãuu?? Não!!!!
Vês? Não é fácil, por isso fecho-me em copas até encontrar um jeito
de exprimir seja o que for, sobre uma matéria tão controversa.
Dirás da tua justiça se achares por bem,
mas tu próprio sabes que a gestualidade tauromáquica,
foi-te de feição naquele teu quadro um pouco Goyanista mas enfim...
Havemos de falar mais sobre isto.

Agradeço-te as palavras, sei que não facilitas a ausência de não estar.

Estou-te grato por tudo.

Um Abraço meu querido amigo, e boas melhoras.

domingo, janeiro 15, 2006

A espantosa realidade

Olá João:
Na tua ausência tenho pensado nas coisas que me tens segredado.
Nos teus amigos, nas pessoas que amas,
no teu País e, por vezes, no impulso imediato que te leva por aí adiante, sempre tomado e possuído por uma intuição
que te ilude na ilusão.
Enfim lá vais, lá continuas.
Ainda esta semana, um aluno me questionava sobre a intuição que o tinha assistido na hora de uma decisão dolorosa, acerca de uma relação profissional que, uma vez chegada ao seu termo, estava agora a provocar-lhe alguns danos no sangue de sua afectividade e, enquanto ouvia..., pensava em ti,
e em que sorte foi a tua.
Preocupa-te.
Não te percas nem te distraias.
Ouve os outros.
Observa.
Já viste o que pode estar por detrás de cada rosto?
Tudo o que me dizias das traseiras de uma cidade,
também se encontra nos olhares que se cruzam casualmente.
Alguns, são tristes de castanho intenso, outros de azul esquecido e vago, muitos tocam e fogem, temerosos por desvendarem coisas da sua alma.
Lá vão na sua caminhada diária, espantados pela espantosa realidade.

Olha bem e vê.

Deixa-te levar pela intimidade da intuição.

Cordial o meu abraço.

Q.



Sebastião Salgado

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Caro Joao

Caro João :
Inesperadamente,
sou eu que te escrevo desta,
e faço-o com o gosto que imaginas.
Não te quero sentir assim ao longe, um pouco angustiado.
Tirar-te o peso da obrigação, a que a mim te obrigas,
é minha obrigação.
Tu próprio o afirmas quando me apelidas de teu quase.
Gosto de ser o teu quase, mas não te forces a mim.
Deixa-te assim.
Diariamente espero o toque do carteiro, é certo.
Estou sempre curioso de ti, das tuas coisas e problemas.
Obrigado pelos teus alguns momentos de absoluto delírio que partilhas comigo.
Mas, ouve-me:
As minhas aulas continuam como sempre,
os meus alunos entendem coisas, tocam nas cores,
fazem um esforço sincero,
isso encanta-me.
Tenho exposto os meus quadros,
a vida segue o seu rumo, o fogo não se apagou.
Auto-retrato-me sem que ninguém o entenda,
vou criando sulcos, esquizofrenando através do universo colorido.
Enfim, tal como tu, vivo!
Entende que é bom este descanso de ti.
Sucessiva, é a entrega de correspondência, e por mais que fantasies, acabas rotinando o que não queres .
Deixa-te.
Estou bem.
Espero que tu também.
Um abraço sincero.


Q.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

La fora a chuva dentro




Chove a cântaros ou chove a cantãros?
Onde fica o assento afinal?
Na Assembleia?
Ou tem acento no banco?
Onde está a çedilha?
Por baixo de mim?
Ou de ocê?
Nas confecções da seda?
Sedá que é cera?
Cerá?

Esquece!

Chove comócaraças!

Dâçe, dâsse ou da-se?

Beiços!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Adios!




Meu Amigo e Quase Diário:
Vou-me embora.
Adoro fazer esta mala apressadamente.
Deixo-te por uns dias apenas, eu que nem sou teu pai sequer, preocupado porquê?
Aguentas-te sem mim?
Tomas tudo a tempo e horas?
Sei lá, essa cena das vitaminas, e tal...
Ok!
Já tens idade.
Sim, volto para votar,
Não stresses!!!!!

Olha:
Vês?
Confio nesta coisa, sabes?
Desci muitas escarpas e montanhas preso a ela.
Desde o mais alto glaciar até aos quintais sem pendente,
confiei-lhe sempre o meu breve destino.
Vício puro.

Ouve:
Espera por mim por favor!
Informa-te!
Lê!
Não vás em conversa!
É tão fácil manipular!
Pensa pela tua cabeça!
Não! Não é tão obvio que a informação seja livre!
Cuidado!
Crucial!
Acompanha a questão de Israel.
Vai-me dizendo!

Conta nove luas

Abraço!

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Disco de ouro


Foto: Vasco Gil

10.000 discos vendidos.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

O sexo de Ala






Já agora ó Quase, tenta lá sair da cepa torta.
Agora que o jejum, toma conta de nós cristãos,
arrependidos e prontos à provação da abstinência, fala por ti.
Vai comprar este livro e este disco, e...
Faz um esforço!
Desfoca da TV enquanto não recomeça o campeonato, pelo menos... ao menos!

Viaja!
Vais gostar!
Nem vais acreditar!

Estou na Syria por um momento... lento!
Em sufi me encontro... monstro!
Rodopiando... ando!

Voltarei não tarda.

Espera... era!

Águas de Janeiro
















Aguenta-te meu amigo Quase:
Entro no meu verão,
naqueles dias de vadiagem pelo tempo.
Assumo-te a contradita:
Gosto que a água do meu janeiro,
seja gelada e fria.
O teu inverno é o meu céu.
Lá vou para a montanha!
Que Deus me veja e não dê por mim.

Barcelona, apresenta-se assim como a cidade ideal.
O mar.
A montanha.
Que sorte!
Inveja-te Lisboa!
Põe-te bonita!
Arranja-te!
Deviamos lutar mais por Barcelona,
descendentes sem fronteiras,
observamos tudo e tudo que
no sangue ibérico desagua em nós.
Até achamos graça!

A água de rosas cheira por todo o meu lado.
Minha mãe, besuntava-nos logo pela manhã.
Quando levantava o sol, entrava por um lago absolutamente gelado.
Passava dos trinta e muitos, directamente para um quase gelo.

Nunca mais parei.

domingo, janeiro 01, 2006

Maresia



Seria dia não tardaria

Um novo tempo
foi anunciado.

Vou em tua direcção,
Não temos muito tempo,

Despacha-te.




Bom dia Quase,
Sou eu!
Posso?

sábado, dezembro 31, 2005

2006










Flutua
Voa
Eleva
Corre
Pensa
Deduz
Olha
Toca
Suga
Planeia
Ouve
Suja
Apaga
Mata
Segura
Sua
Diz
Diz
Diz


Diz

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Estamos Juntos




Meu estimado e querido Quase diário:
De acordo contigo, a última crónica 2005, deveria exigir
outra roupinha...
Isto não são maneiras de te escrever...
Mas tu, com as costas largas, já sabes.

Nestes dias lembro-me sempre de meu Pai.
Natural!
Pegava no cinzeiro mais à mão e... zás janela fora.
E nós todos lá em casa, pensávamos se não seria
o desejo, embora não correspondido, de largar aquela droga da merda dos cigarros.
Ao dia primeiro, a primeira coisa que fazia era puxar do cigarro,
depois de um pequeno almoço, rápido pretexto.
Aquela maldita tosse matinal que não me larga os ouvidos.
Se ele tivesse largado aquela porcaria, enfim...
Estava escrito!
Mas voltando,
O que é que vou deitar fora este ano?
O que nós deveríamos deitar fora deste ano?

Seria tão óbvio que não me atrevo ao consenso natalício.
Estamos, nesta matéria, justamente de acordo.
Coisas como a Paz, a Saúde... por aí fora fazem parte do desejo comum,
todavia, necessariamente diferentes, os caminhos tortuosos e divergentes.
Os partidos alternam nos favores às suas clientelas, e a coisa equilibra-se.

Apresenta-se o contrário disto tudo, como o mais excitante e inovador.
O que guardar deste ano?
É isso que te venho propôr.
Pensa nisso, porque será isso que nos faz caminhar aqui,
enquanto houver, esta estrada para andar, neste caso é mais Palmar.

Gostei de iniciar esta nossa conversa à vista de todos.
Creio que te protegi de alguma maneira,
O teu gato, os peixes, os teus filhos, os amigos,
Ah! O papagaio, embora aqui eu seja o teu químico,
a tua figura anexa, o teu xerox.

Estamos juntos.
Sempre!


Até!

Ir a Allen pensando ver woody

Ó Quase:

O C.C.B. encheu-se para uma sessão especial de cinema.
Era um dia único.
Juntou-se o povo para ver a retrospectiva dedicada a Woody.
Como nem sempre é possível ver o realizador ao vivo,
este tipo de eventos raros revestem-se sempre de algum aparato extra.
Um certame!!!
A RTP mandou o seu repórter de charme.
A SIC e a sua pequena brigada de riso.
A TVI já se sabe.
Vieram todos a correr, numa espécie de ciclo da cinemateca.
Qualquer coisa de anos cinquenta em pleno Salazarismo,
recebendo uma estrela de cinema qualquer.
Então, lá foram todos, só que para azar,
a máquina de projecção avariou, pifou, deu o berro.
Apenas se ouviu a música... para além dos impropérios ao afamado marreco.
Uns senhores assim... já entradotes, entendes?
Qualquer coisa de... quê?
New Orleans creio, bem! Não estou lá muito seguro.
Não interessa.
Foram ver o Woody Allen, mais nada, pronto!
Não te ponhas com coisas.

Um dia, caro quase, fui a Roma ver o Papa e,
por falta de Papa, acabei por ver Roma.
Nada mau.
Tens a certeza que o pessoal foi ouvir música?

Sim, tens toda a razão.
Desculpa-me!

Há quanto tempo não ouvia esta palavra... certame.

Bué antiga!


quarta-feira, dezembro 28, 2005

Uma bica e um blogue





Ya! Quase, tá-se?

Não sei bem porque te abordo assim.
Tantos os que duvidam deste género.
Ouvi há dias atrás um daqueles tipos,
digno representante de grupos empresariais,
misturando tudo e todos, num saco enorme de incompetentes
que não se podem comparar a jornalistas,
muito menos, substituir a imprensa credível...continuava o dito.

Praguejei e arrematei com galhardia:
Este tipo está com medo!
Gritei para o aparelho de rádio.

Estranho, o edifício literário em que vivemos.
Dominado pela ausência de regras,
ouso praticar a invenção das palavras quando calha.
Saio à rua e, zás!
Caio atingido por um raio.
Sou um fulminado, seja cão, e ladro porque não!
Somos todos iguais nessa net!
Cantava o Lins.
A delinquência da escrita de rajada?
A falta de rigor verbal?
O meio mal frequentado?
Será que esta nossa comunicação sanguínea,
retira-lhes protagonismo manipulador?
Mas, alguém pretende?
Por mim...
A todos eles o belo traque pois então.

Traga-me um café e uma água, por favor...

terça-feira, dezembro 27, 2005

TV laica




Bom dia meu quase diário:


Ah! Ah! Ah!

Nesta "igreja" estatal, muito visitada pelas comunidades
de língua Portuguesa, a fé cristã é espalhada quase diariamente.
Um padre cantor à paisana, que simpaticamente se chama de Borga..., um palácio respeitado que se apelida das Necessidades,
um cemitério que de Prazeres se enterra... enfim, são os mistérios da língua Portuguesa.

Não tenho nada contra a omnipresença do Senhor pela voz daquele simpático também senhor padre, mas não te entendo, ó meu querido estado laico equidistante e justo.

Não te preocupes, nós somos todos uma cambada de carneiros, e andamos cá para ver andar os outros.
Afinal, as escolas primárias não têm audiências que se vejam por aí e além.

Deixa lá.

Vietato!



Ó Quase:

Aprendi tanta coisa contigo que já me esqueci de muito.

Era proibido proibir, lembras-te?
Que havia mulheres que jamais deveriam conhecer a dor.
Que homens havia, em nosso altar para sempre acenderiam.
Que iríamos lutar até à exaustão.
Que a cedência nem por nada, seria concedida.
Que a nossa consciência seria algo de novo.
Que a liberdade não teria palavras.
Que a música pela respiração se daria a revelar.
Que aos velhos não faríamos o mesmo.
Que daríamos sempre conta do recado.
Que a inveja dos merdosos seria a única arma que teriam.
Que o sexo não seria escondido.
Lembras-te?
Continuo por cá.
O mesmo.
Não há saída, disseste um dia, para quem, beijo ante beijo, se faz convidado à alma dos outros.

Digo-te:
Há mulheres que só por serem, darei lugar no meu autocarro.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

A nave

Então Quase, estás bom?

Tive sorte.
Livros e vinho tinto.
Gosto.
Tocar nos livros.
Se fosse o super homem dava-lhes uma vista de olhos.
Assim, pego neles, viro-os, cheiro-os, e dou-lhes a volta.
Há putos como eu que recebem uma data de prendas, fingem ser distraídos e tal, mas não as perdem de vista.
Um dia vou pegar-lhes:
Trinta por uma linha farei deles quase que rotos e maltrapilhos, pelas mãos estafados antes que alguém lhes faça um filme.
Os livros?
São para ler e deitar fora da boca.
Junto-os todos lá atrás e esqueço-me deles até me lembrar.
As palavras chegam e partem numa nave.
Aceno com o lenço branco sempre que vejo um livro ao aproximar-se no horizonte.
Leva-me daqui as palavras, desampara-me esta loja, e limpa-me esse convés, homem de Deus!
Quando acostares, levanta bem os braços para te ver.
Gosto dessa cara que fazes quando me vês chegar.
Agora vai, aproveita esta chuva,
esgueira-te pelos intervalos dela,
e vai, vai e leva-lhe um beijo como deve ser.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Zona G

Olá meu diário G:


A zona gástrica demonstra ser a mais dominante e complexa do intestino cujo.
Toda a nossa vida é regimentada pela alimentação.
Que merda!
Animais fingidos de petulâncias várias que aparentam não ter fome.
Coitadinhos de nós.

Sempre que posso, mergulho num qualquer prato que justifique o pretexto do azeite.
Uns singelos salmonetes, são muitas vezes, o ponto de partida
para uma ideia tão original, como a existência do universo.
O carbono com o pão azeitado, os legumes cozidos, aconchegam a batata esquecida da sua fase clerasil.
Dantes pensava que as pessoas chegavam tarde ao início do teatro por motivos de exposição no hall de entrada.
Não, tudo se prende com o atravancamento da hora de jantar.
O País de Portugal tem um G de gastro, tem uma zona de prazer, que está perto do seu intestino, a nossa tripa colectiva.
Não elevamos o nosso espírito no estado de vazio G.

O povo com os seus penteados cheirosos vai à revista num sábado à noite... de barriga vazia?
Nunca!
Jamais!
A piadinha fácil nem se levanta nem se ri, mesmo que à velocidade foda-se.

S.Carlos, noite fria em dia de estreia, um perfume suave e envolvente sai do pescoço mesmo à minha frente.
Meto uma pastilha elástica e, disfarço... a fome.
Será que conseguimos apreciar alguma coisa assim, vazios e esburacados que nem passe vites?

Por exemplo e sem ofensa:

Mário Soares: Cozido à Portuguesa bem servido e farto só de ver.
Cavaco Silva: Cataplana de Cherne descongelado no micro-ondas.
Manuel Alegre: Iscas à Portuguesa, enjoativas e demasiado grossas.
Jerónimo de Sousa: Ensopado de Borrego com batatas a mais.
Francisco Louçã: Perdiz estufada à Seminarista com batatas e ervilhas armadas ao pingarelho.

Por vezes, ouço-os ao longe, todos eles, muito bem sentados na sua própria voz.
Fará sentido?

Cá para mim, farei um arrozinho de cabrito com míscaros,
e convidarei o excelente e competente Garcia Pereira, para ouvir de sua justiça, isto porque os canais de TV, decidiram cozinhar numa panelinha, onde apenas se cozem os pratos institucionais de apenas cinco sabores.

O incrível, é que a maior parte das pessoas com má digestão, somatiza e manda tudo lá para baixo, adquirindo
azias, úlceras e coisas do género, tendo um péssimo acordar, e claro,
um feitio de trampa... até comerem algo açucarado.

Que pena!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Uma salsicha emotiva


Braga por um copo


Meu Quase:
Que tal vai a coisa?
Sentes-te bem?
Ainda não rebentaste com tanta comidinha boa?
Ele é grão
Ele é cozido
Ele é bacalhau
Ele é tudo

Será que tu também recebes montes e montes de SMSs de Natal e Ano Novo, desejando o mesmo para todos indiscriminadamente?
Não me entendas mal!
Claro que desejo o mesmo, mas não se trata disso.
As pessoas como tu gostam de um tratamento singular, não?
Calculo que dê algum trabalho, mas caramba!
Tudo igual para todos de seguida?
Tipo salsicha emotiva?
Daquelas que, por timidez, volta para trás?
Tipo cagalhão popular, ou resquício de prisão de ventre materno em versão um pouco mais cuidada?
Sabes?
Já nem leio.
Já não respondo sequer.
Os meus amigos não gostariam de saber que ando para aí
a distribuir abraços por atacado,
juras falsas de amor pouco sério.

Há um lado que me encanta na frivolidade
de quem, muitas vezes, espalha simpatia avenida acima.
No entanto, irrita-me solenemente o esbanjamento afectivo,
esticando as peles do coração no passeio da lista de contactos abaixo.

Mas, reconheço o imenso conforto de quem recebe um SMS inesperado.

Liga-me!

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Jorge de Sangue




Meu estimado:
Sabes que é verdade.
Eu sempre gostei deste homem.
Sempre o admirei.
Temo por ele.
O meu irmão mais velho que já não tenho.

Há amigos como ele, que se eu pudesse, faria uma espécie de pacto,

Irmão de sangue.

Jorge,

Cuida de ti.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Estamos em guerra




Meu sempre:

O parlamento prepara-se para discutir e aprovar
uma nova lei que impõe regras de passagem
da música feita em Portugal.
Define a lei, no meu entender correctamente e justamente, a música a ser protegida, contemplando todos os seus aspectos.
Realço aqui, todos os que se exprimem em Inglês e todos os mais recentes projectos, que precisam sempre de mais visibilidade.

Lendo o editorial do director do Público que confunde a questão com a obesidade do estado, lendo o artigo que o DN reserva ao assunto, sem sequer ter em conta as opiniões dos autores, compositores, músicos e editores,
não é preciso ser muito inteligente para concluir que eles representam uma linha de força, nitidamente de um dos lados de uma barricada.
Para mim, a dita lei em discussão peca por ser pouco ambiciosa.
Mas entendo-a como essencial, tal como o cinto de segurança, protege a vida, embora, como se sabe, amarrote a camisa.
Estamos, evidentemente, perante uma guerra de interesses.
O que me parece estranho é que a imprensa credível não ouça. Todos os lados interessados.
Nós, sim, Nós, todos os que lutámos pela liberdade de imprensa, somos agora vítimas do seu ostracismo.
Enfim, fala-se do mar, mas não se ouvem os peixes.
Muito bem!
Obviamente, os grandes grupos de imprensa têm os seu peões de serviço.
Acredita, isto é uma guerra em que os nossos inimigos falam a mesma língua.