My Dear Friend:
Change
Change is everywhere,
All around us.
If you do not notice any change,
You are not changing.
If you do not notice any change,
Have you seen,
The ocean,
The skies, Change
Change is everywhere,
All around us.
If you do not notice any change,
You are not changing.
If you do not notice any change,
Have you seen,
The ocean,
The skies,
The seas,
The land?
If you do not notice any change,
You, alone, will never change.
Kelland Chew
A venda de poesia do dia seguinte tem riscos ainda por descobrir.
A poesia deve ser desejada.
A poesia oral tem riscos menores.
Consulte um especialista.
Flor Garduno
quarta-feira, março 22, 2006
The day after poetry day
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João Gil
à(s)
10:26 da manhã
terça-feira, março 21, 2006
Get yourself a gun

A velocidade sempre me fascinou.
Ou melhor, aprecio a representação da velocidade.
É mais isso.
Sem o espírito tunning que merecia,
até entendo o orgasmo da coisa,
Mas não.
Não é o caso.
Refiro-me à vida que vai passando a olhos vistos,
ainda agora estava ali...
Lembro-me sempre do genérico dos Sopranos:
Get yourself a gun...
É tudo muito depressa.
O dia é manifestamente pequeno.
O planeta também e Portugal nem se fala.
Vou acalmar os instintos, voltar devagar.
Chego e o assunto divide-se em dois aspectos:
A situação complexa do Sporting,
e o conhecimento do desconhecimento
de Durão Barroso sobre o pretexto da invasão ao Iraque.
Enganaram-se....
E agora apetece-me à brava enganar-me até porque
tão pouco se discute acerca das verdadeiras razões.
Vou pensar que Durão Barroso pelo apoio dado, recebeu de prenda o cargo que ocupa, afastando-se da crise e dos problemas que Insuflavam dia a dia em Portugal.
Se estiver enganado, OH! Direi que me baseei em dados que estavam errados!
O que achas disto tudo querido amigo?
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João Gil
à(s)
11:16 da manhã
segunda-feira, março 20, 2006
Musica e Paz

Meu Querido Amigo
Escrevo-te já na minha terra.
Voltei numa porcaria de um avião
onde o espaço disponível, está indisponível
pela falta de espaço.
Que fazer das pernas numa viagem de 11 horas?
A companhia Air France, viabiliza-se pelas suas poupanças,
poupando no espaço da viatura.
Mas isso não interessa.
Valeu muito a pena ter ido,
Encontrámos um Maestro e uma Orquestra exemplar.
Estes séculos passados em Macau,
Teriam na comunicação e no diálogo a velha questão de sempre.
É possível comunicar e encontrar um entendimento único e próprio.
Sabemos da utilidade do futebol, tal como os signos do zodíaco,
para iniciar uma bela conversa.
A Música é a Paz.
O diálogo torna-se sensitivo, subtil e sincero.
O produto final adquire uma nova nacionalidade.
A paz.
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João Gil
à(s)
3:06 da tarde
quinta-feira, março 16, 2006
O brio

Grande Quase
Como é que isso vai?
Já passaram aquelas mazelas?
Há coisas que a idade não perdoa tio...
Eheheh
Por aqui a coisa está do melhor,
A orquestra tem um maestro prestigiado
e arrojado.
Os músicos são bem comportados,
E não como alguns dos seus colegas de Portugal,
agrilhoados por fantasmas de funcionalismo-público,
de comportamentos de putos por infância não tida.
Encontro brio por estas paragens,
Uma outra maneira.
Comunicamos.
Cruzamos a informação.
Tem sido bom.
Aceita o meu abraço.
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João Gil
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2:31 da manhã
terça-feira, março 14, 2006
segunda-feira, março 13, 2006
Basicamente

Meu querido estimado
Escrevo-te em pleno voo.
São uma data de horas cumprindo um programa restrito
de possibilidades para espapassar o tempo.
As pessoas são basicamente iguais.
Têm os mesmos pavores e medos.
Isso transforma os circunstanciais comportamentos
em reacções semelhantes,
Eu gosto de voar por isso ya meu tásse bem!
Pensei nessas palavras que me deixaste.
Sim é verdade,
Manuel de Oliveira é para muitos, um factor de união
pelo riso e chacota de quem julga julgar.
Ele há de tudo.
É bom rir de nós,
dessacralizar,
não nos levarmos tão a peito.
Mas não creio ser esse o caso.
As maiorias têm as suas razões.
Então vá, vou aguardar o tempo
Acertando pela hora local e fazer o que dizes:
Estarei atento e activo,
Algo que me ocorra de relevo
Fotografarei
Cuida de ti
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João Gil
à(s)
5:32 da manhã
sábado, março 11, 2006
Os papagaios da ignorancia

Antes de mais, faz boa viagem João.
Aproveita essas oportunidades raras
e retém toda a informação envolvente.
sabores
cores
rumores
amores
aromas
Dar-lhe-ás a melhor utilidade
Leva-me a escrever-te
o teu compatriota e realizador
Manuel de Oliveira.
Tornou-se entre muitas pessoas que conheces
o uso capião de escarnear M.O.
sempre a propósito de algo de muito lento,
pesado ou maçador.
Por sua vez habituados e educados segundo
as normas do cinema em que os truques substituem
e compensam o enorme vazio, mostram toda a sua deseducação e indisponibilidade aos horizontes de outras aproximações artísticas.
Presta bem atenção às entrevistas de ensinamento
que Manuel de Oliveira raramente faz.
São as lições de vida que os jovens deviam
ouvir e reflectir.
Aprender sempre com os que sabem
deveria ser o lema.
Não desactives João.
Estarei sempre aqui para o que desejares.
Diz coisas de ti e de lá.
Q.
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João Gil
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12:40 da tarde
quinta-feira, março 09, 2006
O frango etico
Ó Quase!
Lá vou eu de novo.
Pra lá de cascos de rolha mais exactamente.
Uma aldeola lá no sol posto,
mais ou menos atrás das pedras percebes?
Longe como o caneco!
No epicentro de muitas doenças para lá de perigosas.
Conheço um restaurante de cozinha Tai que é do melhor.
Passarei lá a minha vidinha não tenhas a mínima dúvida.
Arroz introduzido dentro do ananás com os pedaços do mesmo.
Bom!
Já comeste cobra?
É tipo frango com espinha vertebral.
Frango ético?
Carne algo musculada digo.
Bué bom!
Invariavelmente, terei saudades da posta de bacalhau,
com uma brutalidade de azeite.
Assim desta maneira, ligo a Pátria ao estômago nostálgico.
Um novo conceito de nação surge nas entranhas é o que é.
Entendo tão bem os emigrantes, com o bacalhau e o queijo,
embrulhados oleosamente em papel pardo.
Meu querido amigo
Vou para mais velho e volto mais novo
como de costume
Hei-de contar-te um dia porque é que os prédios
altos têm grades nas janelas.
Ah! (esta coisa do ah, lembra-me o detective Columbo)
A propósito da ética galinácea, eu por mim, se fosse deputado da bancada da dita,
teria aplaudido o novo Presidente de Portugal.
É a partir de agora e para todos os efeitos, o meu Presidente.
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João Gil
à(s)
10:06 da tarde
quarta-feira, março 08, 2006
Espelhos

Oli Quasi
Fotografê prá ócê
A bonomia de uma tarde
A primeira aula de fotografia
A nabice da focagem óbvia
A simetria mais que aborrecida
- Sim, todos tiramos a mesma e depois?
Se partir esta foto, serão sete anos de azar ou mais.

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João Gil
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4:57 da tarde
O dia do homem

Não sei o que o meu estimado amigo
pensa sobre o assunto que logo pela manhã ouvia
de um respeitado senhor a propósito deste dia 8 de Março.
Dizia então o senhor:
- Quero deixar um beijinho especial
à mulher que me atura lá em casa!
Ao princípio até achei normal,
mais um dia entre muitos,
o dia da mulher, que uma vez por ano,
por ser apenas um momento tão especial,
nós reconhecemos todo um esforço de assinalar.
que até merece uma rosa!!!!
Assim, ao urso branco, ao panda, ao S. Valentim,
E por aí fora, junta-se também a mulher, esse animal diferente,
que também tem direito a um dia.
Mas apenas um.
Não abusar.
Para mim,
dia após dia, rosa após rosa.
Fiquei sim, convencido quando ouvi
o respeitável senhor,
Que hoje é de facto mais um dia de homem.
Ah!!
Hoje pode ser o dia do Benfas!!!
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João Gil
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1:59 da tarde
terça-feira, março 07, 2006
A mulher deitada

Meu Querido Amigo
São reconfortantes e sábias, as palavras por ti
sussurradas na sua maior doce evidência.
Assunto encerrado!
Há uns dias, pelas terras do meu interior,
no crepúsculo montanheiro,
misturava no horizonte
este registo sugestivo.
Esta mulher nua e deitada parecia
nadar em braçadas de terra até ao mar.
Ou simplesmente pousava para o meu desenho?
Fixei-a retinamente
Já viste a rapidez e a velocidade dos nossos sentidos?
Vão e vêm num abrir e fechar.
Toma-a nos teus olhos e vai em paz.
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João Gil
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11:31 da tarde
segunda-feira, março 06, 2006
O campo de milho
Carissimo João
Vejo-te inteiro.
Ainda bem.
Sabes que a ponderação tem o som
da harpa que se ouve quando atravessas
um campo de milho?
Sabes que a inveja é uma das doenças
que mais mortes tem provocado no teu povo,
meticulosamente e sempre à hora certa?
Sabes que a mediocridade tem um público
fervoroso e convencido da sua arrogante
verdade?
Digo-te como teu amigo sincero:
Corta a manipulação pelo mal
da rua raíz.
Sigo-te de perto meu estimado amigo
Q.
Abbas Kiarostami
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João Gil
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8:06 da tarde
domingo, março 05, 2006
A vertigem
Estou de volta meu amigo Q.
Confio-te algumas das palavras que a mim sorriram,
apanhadas do céu mais à mão:
Cintilas meu amor
Voo mais alto
Voo mais perto
Na tua vertigem
No teu mais fundo
Eu
Agarro-te
Apanho-te
Seguro-te
Não fujas antes que o sol te encubra
Não te escondas meu amor
que a noite mata-me só
e não tarda a ser dia
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João Gil
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12:54 da manhã
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sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Subir ao fundo
Meu estimado
Volto à montanha.
Talvez perceba um dia
porque voo tantas vezes em sonhos
de janela em janela
pelos beirais das casas de Lisboa.
Entendo o João Garcia.
A tentação de subir ao fundo do abismo.
O perigo de morrer ao fugir dela.
A gravidade em movimento ascendente.
Apressadamente!
Somos seres estranhos, nós os humanos.
Donde vimos?
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João Gil
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4:36 da tarde
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segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Gatuno! Gatuno! Gatuno!

Olha Quase
Digo-te, este fenómeno do futebol tem
na verdade algo de muito que se lhe diga,
e o que te trago apenas faz sentido
porque tudo o que se passa fora das quatro linhas
atinge proporções que não têm absolutamente nada a ver com o próprio desporto em causa.
Apesar da evolução tecnológica, dos interesses dos dirigentes dos clubes, do seu poder indescritível, dos inúmeros programas de TV, da imprensa altamente rentável, dos fanáticos das bandeiras e claques, dos apaixonados que libertam a sua pressão, dos ferraris, de todo o azeite que escorre das cabeças platinadas, dos gestos provocatórios, apesar de tudo e tudo o que agora não me ocorre neste texto inacabado,
realizo que a chave do segredo do sucesso do futebol assenta na incapacidade de controlo total sobre tudo o que acontece em tempo real, sem hipótese de retorno.
Se algo acontece, simplesmente já passou, já era!
Se não, vira futebol americano, com as paragens para publicidade, para a revisão dos lances e sua possível correcção.
Lá se vai a piada da coisa.
Somos levados a concluir então, que a discussão durante a semana dos casos polémicos, são a negação da essência do futebol.
Tudo se esgota no final do jogo.
Não???
Ok!
Então vá!
Continuem...
Força!
Gatuno!
Gatuno!
Metem dó...
Ainda por cima vê-se logo que nunca jogaram futebol.
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João Gil
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11:54 da tarde
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A janela embaciada
Querido Amigo
Não é que a luz faltou exactamente
na parte em que o actor, aquele do matrix,
um pouco duro, canastrãozito mas enfim,
ao contrário da... nem encontro palavras,
Charlize...
Chorei baba e ranho só podia.
Às vezes chora-se nas banhadas americanas.
Porquê?
Um sinal de fraqueza!
Que franqueza!
Fui à janela para ver se era geral... a avaria entenda-se.
Apenas no meu quarteirão.
Só para chatear mesmo ali ao lado, o projector
ilumina agressivamente o prédio em frente,
A pirraça do rico... palhaço!
Enquanto espero pelo piquete da EDP à espera da sua Opá,
embacio o vidro da janela com fúria de mestre.
Atenuo a violência do chato do foco, e penso numa data de gente antes de desenhar no vidro em branco.
Se um dia escreveres algum nome na tua janela,
foi porque pensaste numa data de gente também, mas...
Que a luz nunca te falte!
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João Gil
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1:15 da manhã
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sábado, fevereiro 18, 2006
A muda mudança muda?
Estimado
Sorrateiramente e como quem não quer,
o DNA finou-se.
Tinhas dado por isso?
Pois...
Mudar, tem de se mudar, fazer qualquer coisa,
mudar apenas, aparecer com outra cara,
Rejuvenescer?
Não creio.
Passou-me ao lado a justificação, se é que foi dada.
De quem é o DN?
Quem são?
Não interessa.
Olha Quase, já me convenci que nos dias que correm,
a mudança só por si, passou a ser um acontecimento,
um facto em si mesma.
Fica-se mudo de tanta mudança Meu Deus!!!
Sim, serei sempre naifezito...
Nas tintas.
Quando as coisas mudam para pior manifestamente...
Era caro fazer o DNA?
Cansaço?
Sei que um dia um amigo dirá algo que assente na mão
como a defesa pela luva de Ricardo.
Para mim, já perderam.
Já não compro o DN à sexta.
Também, quem se irá importar.
E tu Quase, estás sempre na mesma.
Vais ficar quieto?
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João Gil
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12:51 da manhã
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quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Os cravos de fevereiro
Carissimo João
Disse-te uma vez que não iria nunca
responder à letra sobre as coisas que te trazem a mim...
Hoje passei por aí, e vi que tinhas cravos vermelhos na tua mesa.
Pensei que seria interessante falar-te disso.
Sabes que os cravos são as flores da época?
Sim, têm a conotação de uma época que vocês viveram mais tarde em Abril de 1974.
Em Itália também curiosamente.
É claramente a estação do ano em que a natureza rompe e renasce pelos buracos do muro do inverno ainda.
Aproveitei para te falar de Liberdade,
do quanto é difícil o seu exercício,
falar-te do sítio onde acaba a nossa e começa a liberdade dos outros.
Foram séculos de experimentação.
Respeitar a diferença?
Quantas vidas não terão custado?
Qual foi o preço que se pagou na luta por tudo
o que tu e os teus amigos agora usufruem?
Olha para trás, estuda a tua civilização,
porque ela edificou-se, por sua vez, em cima de todo o tipo de
Barbárie, por invasões em nome de Deus, por todo o tipo de atropelos até que, contradição ou não, a consciência cresceu ao ponto da vossa capacidade de autocrítica e auto análise definir as margens da clarividência, com uma clareza indesmentível.
Nada mau!
Gosto de te achar eufórico, um pouco ansioso e impulsivo todavia, sim...
Conta comigo tu, e claro os teus amigos pendulares também.
Não deixes de lutar sempre.
Q.
Vieira da Silva
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João Gil
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11:40 da tarde
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O dia a dia
Ó camarada Quase
Já agora o que me dizes...
Dia dos canhotos
Dia dos que usam óculos
Dia dos que ainda vêm alguma coisa
Dia do peão
Dia do gato
Dia de e do cão
Dia dos avós
Dia do neto
Dia do tuning
Dia da OPA
E mais outros tantos
que fariam do nosso dia
um verdadeiro dia a dia.
O comércio agradece.
E nós, ya! É aquela!
Um abraço
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João Gil
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12:51 da manhã
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terça-feira, fevereiro 14, 2006
A cidade do namoro
Caro João
Pondera
São séculos de tradição
Os teu antepassados levaram os costumes
Cruzaram informação genética
Dizes que te sentes leve
Que não te deixas contaminar
Pensa que o povo é soberano
Eles adoram matrafonarem-se
Deixa lá
É a imagem do seu ideal
e quem sabe dualidade sexual não assumida
Desconfia quando ouvires os teus amigos
exercitando a ideia de se acharem o macho
Vai a Veneza
Subtil
Sinuoso
Sensual
Secreto
Compreendo o que te irrita
Mas
Vai por Lisboa ao acaso
Encontras o inesperado
Nada se repete
Uma rua nunca é igual a outra
E vais encontrar
Uma rapariga descalça e leve
Descendo degraus e degraus e degraus
Até ao rio
Namora
Não odeies
Um abraço sem pontuação
Q.
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João Gil
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11:48 da manhã
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Odeio o carnaval
Estimadissimo Quase
Quero que saibas
Ninguém me pode levar a mal
Mas eu odeio o carnaval
Não é fácil esclarecer
Sem ofensa ou maldizer
isto assim até morrer
Desconforto de assumir
Nem sequer admitir
Sem vergonha ou que tal
Por favor e sem mal
Eu odeio o carnaval
Um dia uma canção
Sobre tema tão distinto
Seja branco seja tinto
Como o circo no natal
Depressivo e fatal
Faça chuva ou faça vento
Eis chegado o momento
Encarar o que é real
Vou lutar o ideal
O fado negro que souber
O bem haja ao que houver
Vou-me rir o ano inteiro
Como ouro a seu mineiro
Não me levem a mal
Mas eu odeio o carnaval
E toda a pontuação
O meu nome é João
Ponto
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João Gil
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1:40 da manhã
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sexta-feira, fevereiro 10, 2006
A campainha
Caro João
Ocorreu-me que poderias achar piada:
“ Toca-me no nariz
Sempre que me encontrares
Abre a minha porta
Tocaram os sinos do teu povo
A rebate repicando
Vieram todos e todos
E no fundo dos teus olhos
A chama do teu brilho
Brilhou
Tanto que não me perdi
Tanto que nem me lembro
Onde estive “
Q.
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João Gil
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11:33 da tarde
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A luz ao fundo
Meu velho amigo,
não duvides,
isto anda perigoso.
À violência da representação cartonista ocidental,
a resposta violenta que não se fez esperar.
Mudo a agulha,
falo-te de uma iniciativa em que participei,
que de tão inédita e tão interessante
faço tudo para a expandir,
com toda a minha força.
Participei num encontro promovido por várias famílias
em que abertamente se discutiram assuntos,
que no meu caso, implicitamente tiveram incidência evidente
na Música Portuguesa dos últimos anos
e no ensino, e não só mas também, na razão proporcional
de uma actividade física a começar na primeira infância.
Este encontro deu-se numa sala de estar de uma casa privada.
Toda a gente sentada em silêncio activo.
Imagina tu
que este tão pequeno evento privado
insuflaria de tal maneira,
que todos aqueles nos quais as pessoas confiaram a sua memória,
escritores, pintores, filósofos, políticos, jornalistas, etc. etc.
iriam em tournée gigantesca pelas famílias de Portugal, que se
preocupam e investem na qualidade do tempo que passam com os filhos?
Terias aqui um belo exemplo de partilha, em que as mentes se questionariam mais do que a fatal opinião formatada
por televisões de qualidade duvidosa, inevitavelmente fariam, e... fazem.
Acredita que a utopia tem um túnel cuja luz
lá no fundo adquire todas as colorações que quiseres.
No fundo... uma questão de imaginação.
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João Gil
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10:08 da tarde
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terça-feira, fevereiro 07, 2006
Não!
Meu estimadíssimo:
Ouve, tenho mesmo que desabafar,
que caraças!
Chego a um estabelecimento por volta do meio dia,
procuro se podem fazer uma matrícula nova.
Há dois dias que me passeava sem que ninguém desse por nada,
a não ser eu, com aquela sensação da meia rôta no dedo do pé grande... sim... no dedo grande do pé.
Toda a gente a olhar para nós...
Em menos de uma hora, tinha de novo a matrícula, e seguia viagem.
Agora que já passou, diz-me por favor, porque é que a primeira resposta do senhor ao balcão foi:
- Isso para hoje não vai ser possível.
Duvidei...
A segunda:
- Estão cerca de sete placas para fazer antes da sua.
Sorri...
A terceira finalmente:
- Se quiser esperar, pode ser que tenha sorte.
Abri o sorriso...
A sério, ajuda-me, diz-me a razão de ser para este comportamento tão estranho e tão corrente entre nós.
Porquê?
Sempre que alguém pede uma info ou um serviço,
vem de lá invariavelmente um:
NÃO!!!
Vais aqui a Espanha, entras numa tasca a abarrotar de gente,
pedes um bocadillo de qualquer coisa e a primeira coisa que tu ouves é:
Ahora mismo lo traigo!
Agora entendo as reportagens cada vez mais deprimentes,
sobre o que todos fariam se fossem os europremiados,
mudariam de emprego...
Nota-se mesmo sem prémio.
Que merda!
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João Gil
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10:16 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Mergulho nocturno
Querido Amigo:
Queres saber o que um invisual sente?
Mergulha no oceano até ao fundo da noite
e sente apenas
Era noite quando chegaste
Vendei os meus olhos
e mergulhei ao largo no mar profundo
Todos os sentidos se apuram no estranho meio
de te não ver
Foi então que te descobri
Rápido ancorei o meu batel em ti e
sem tempo a perder na tua praia rezei a primeira missa
Trocamos objectos de boas vindas
as palavras escolhidas ao acaso poético
a silhueta da tua alma
ali na minha mão
Sei agora que se pode amar uma alma
Por isso acredita
Almo-te meu almor!
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João Gil
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12:22 da tarde
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terça-feira, janeiro 31, 2006
o bocejo
![]()
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Quaaaaaaase.
Estás?
Ouve:
Diz lá muito rápido:
Ó vida das vidas que a vida minha me deu,
que até a vida das mais vividas vidas,
ensina a viver com tudo o que a vida me dá.
Isto tudo dentro de um bocejo.
Já viste?
Experimenta.
Mas...também tens a alternativa do meu bocejo cristão:
Ai Jesus Maria
Santíssima do
Sacramento do
Rosário de
Fátima...
Amén!
Este tem mais groove.
Escolhe.
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João Gil
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10:48 da tarde
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segunda-feira, janeiro 30, 2006
7 beijos







Meu Querido Amigo:
A vida continua orgânica tal como nos foi dada a conhecer.
Uma bola parada
Um gesto provocatório
Um floco em Lisboa
Uma cidade recolhida
Uma criança salva
Uma boa notícia
Um café com vista
Um beijo de relance
Um olhar penetrante
Um frio de rachar
Um copo de vinho
Um mau resultado
Um cheiro de mar
Uma noite devida
Uma ideia feita
Um beijo
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João Gil
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12:59 da manhã
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sexta-feira, janeiro 27, 2006
Mozart
João:
Que bom festejar.
Fantasiar.
Tantos artigos e páginas de jornais e revistas.
Endeusar um jovem compositor.
Ainda bem.
Passaram 250 anos.
Mozart continua por aí.
Podia ser um milagre da passagem de Deus pela terra.
Mas, não figuram músicos nos altares.
Mozart.
A música revela-se!
Declara-se!
A luz .
A vida.
É possível viver nos intervalos da morte.
Eleva-te!
Vai!
Q.
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João Gil
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2:20 da tarde
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quarta-feira, janeiro 25, 2006
O custo de vida

Andreas Gursky
Desculpa-me Quase,
nem era para te ligar, mas achas normal que uma conhecida marca
de hiper-mercado se vanglorie constantemente de,
ano após ano, conseguir baixar os preços,
suportando o aumento do IVA, aguentando tudo?
Pois eu digo-te qual o sub texto de tão subtil
publicidade generosa e caridosa:
Especularam tanto e tanto,
os preços eram de tal maneira elevados,
que agora se dão ao luxo de gozar com a situação.
Fica aqui registado, da minha parte,
a certeza de que o custo de vida em Portugal
podia não ser tão elevado.
Olha Quase, há coisas de que não me importo de saber,
apesar de as compreender na sua essência,
mas gozar com a nossa cara é um pouco demais.
Imagina que na minha retrosaria faço o mesmo?
Está certo!
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João Gil
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10:52 da tarde
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Delicadamente a oriente
Estimado e delicado:
Como vão as coisas Quase?
Sei que ouves sem que te sintas obrigado a responder.
É tão difícil que alguém nos ouça... apenas.
Não! Não me queixo.
Quero apenas que saibas o quanto aprecio essa tua maneira de me ouvires, sem que venha daí uma interferência ou julgamento.
Confio-me a ti.
Lembrei-me de te falar dum comportamento exemplar,
que dificilmente, a não ser por pânico geral, terá espaço entre nós.
Se fores a Tóquio, verás que todas as pessoas que têm sinais de gripe ou constipações virais de estirpes variadas,
identificam-se e protegem os demais, usando máscaras brancas,
anulando ao máximo o contágio normal transmitido por via aérea.
Nas ruas, nos autocarros, no metro, nas empresas ou em casa,
as pessoas respeitam-se a esse ponto.
Achas que um dia faremos tal?
Entrarias num táxi, cujo condutor tivesse uma máscara sem que
concluísses que tu correrias algum perigo?
Aqui entre nós, o perigo anda sempre escondido e a céu aberto.
Espero que estejas bem.
Um abraço.
Araki
Publicada por
João Gil
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5:47 da tarde
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segunda-feira, janeiro 23, 2006
O Presidente Sampaio
Grande Quase:
Vim só para te deixar um recado,
ao qual darás o melhor seguimento:
Diz ao ainda presidente Jorge Sampaio,
que o abraço com o barulho a condizer.
Que lhe agradeço o convite que nos fez juntar de novo
no pavilhão atlântico.
Que vamos ter saudades das suas lágrimas fáceis e generosas.
Que não esqueceremos nunca a expressão da sua alma enquanto cantávamos a Timor.
Que um bom Presidente é aquele que chora por ver o seu Povo a rir de sua alegria.
Que terá de todos nós o que muito merece:
A nossa admiração.
Publicada por
João Gil
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10:45 da tarde
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Dois homens e um destino
Estimado:
Já sabes de tudo não?
Estamos todos felizes por aqui.
A harmonia.
A retoma vem aí com o salvador.
Viva!
De que se queixam os Portugueses?
Vá, tudo a trabalhar e alegria nisso.
Isto agora é que é!
Ganhou o candidato que melhor acerta o seu relógio
pelas políticas deste governo desenhadas previamente na europa central.
Duvidas?
Eu, se fosse o Primeiro, não hesitaria em fazer o mais possível
Para por tudo em prática.
Já!
Será que a oposição já realizou que não falta nenhuma a partir de agora?
Um pouco exagerado...
A oportunidade para a grande unidade.
O bloco central domina agora em toda a linha.
Julgas que pratico o escárnio não é?
Conheço esse teu riso.
Fico no entanto um pouco curioso sobre o desenrolar
da nova novela que está a ser rodada na OTA.
Como vai acabar?
Quem foi o assassino?
Não desejo o mal de ninguém, e muito menos do povo a que pertenço.
Para o que der e vier sou um deles.
Um abraço!
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sexta-feira, janeiro 20, 2006
O peixe a cana e a sabedoria
Meu querido amigo Quase:
Nunca falámos de eleições,
nunca soube o teu sentido de voto.
Creio aliás que tu nunca votaste em Portugal,
estou errado?
Queria estar no teu lugar,
queria estar em todo o lado e em nenhum,
teria outro tipo de deveres, outro tipo de obrigações.
Não estaria preocupado com assuntos pontuais de cada país,
região, cidade ou clube de esquina.
Nunca teríamos esta necessidade comum, de comprar as coisas
de que necessitamos realmente para sobreviver, e termos de ganhar dinheiro para isso.
De termos de guerrear constantemente por afirmação de identidade ou valores éticos.
Quase:
Ajuda-nos!
Não tens de nos dar o peixe, a cana ou sua aprendizagem,
Dá-nos a compreensão,
Dá-nos a lucidez
Dá-nos a sabedoria
Ensina-nos!
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João Gil
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quarta-feira, janeiro 18, 2006
Sou Angolano

Muito bem!
Julgo ter entendido Quase...
Mas que raio de coisa tu fazias em Lisboa naquele ano?
Donde vens tu?
Hei-de saber um dia.
Juro-te!
Antes de te enxovalhar na tua petulância Caravaggiana,
Dedico-te uma bela canção:
Linda é linda...
Desculpa!
Deixo-te dois contrastes que falam a mesma língua,
pode ser?
A piscadela de olhos que José Rodrigues dos Santos
decidiu implementar na informação mais credível de tão tão tão e mais tão, serviço público ser...
que por tal e tal e... mais tal, me apetece endossar para ele, o destino cúmplice da parte que me cabe nos meus impostos.
A chamada instituição do olho.
Por outro,
A comovente declaração de Pedro Mantorras, que não festejaria um golo marcado a Portugal.
Por ele e por muito, considero-me Angolano.
Agora sim Quase:
Vai-te esconder!
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9:39 da tarde
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O mercador de Lisboa
Ouve João:
Não te vou responder à letra.
Tudo o que seja relativo à tua vida profissional,
e ao respectivo encaixe social,
será sempre uma descoberta que terás de fazer sózinho.
Pelo teu próprio pé.
Prefiro contar-te isto que se passou bem perto de mim:
Estaríamos aproximadamente no ano de 1510,
vejo um mercador de pêra e bigode, saindo apressadamente de uma casa,
uma rapariga de tez ruiva, gritando atrás dele cai desamparada.
Sem hesitar, parei o meu trânsito e ajudei a levantar aquela criatura de cabelos de fogo e olhos negros.
Beijei sua mão e deixei-a por ali, um pouco mais recomposta.
Iniciei o meu passeio pela orla ribeira, inspirado pela maresia robalina até que
dou de caras com o dito cavalheiro gritando para um Genovês,
que lhe pagaria mais pela mercadoria desejada por outro mais que viesse.
Entretanto chegou um Castelhano que exigia, com ganas, aquilo que acordara anteriormente com o Genovês.
O mercador inflectiu então num discurso inflamado, que jamais faria tal coisa a um colega.
Fosse ele cão.
Contribuí à cena com o sorriso mais generoso que me saiu ao momento.
Com meus áás continuei continuei continuei e... quando o sol há muito arrefecera,
entrei num dos muitos tascos do campo das cebolas, que nunca apreciei seja sincero
e lá estava o nosso homem, embezanado pelo vinho mais ácido até então, cantando mal, uma velha melodia que, segundo ele, teria ouvido de um cantor marinheiro vindo dos mares do norte:
-Ai lambiu beibi...
E nos intervalos de tão gemido desafinado, dizia ele para o tasqueiro que o olhava sem ser nos olhos:
Esta minha vida é um desenrascanço!
Suspirava...
Acredito João, que tu e os teus, descendem daquele mercador incansável no seu serviço.
Não te ofendas!
Às vezes lembro-me de Caravaggio,
como ele se ria desbragando as suas bandeiras.
Respeitosamente
Q.
Caravaggio, O sacrifício de Isaac
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terça-feira, janeiro 17, 2006
Salva-vidas
Meu Quase:
Nesta próxima quinta-feira, será votada a lei relativa às rádios de Portugal.
Vou falar-te disto e, por favor,
promete-me que vais pensar.
Preciso de ti!
Não é uma lei para sexta–feira.
Acredito numa alteração gradual de hábitos de consumo.
Doutra maneira, somos um Povo que não existe em parte alguma, um amontoado de pessoas.
Lembras-te quando foi imposta a lei que obrigava ao uso do cinto
de segurança?
Vincava a camisinha riscadinha do jovem bolsista...
Agora é apenas mais um reflexo condicionado.
Digo-te:
Esta lei pode funcionar na medida exacta, sem constituir uma guerra aberta com os radialistas.
Eles vão tentar segurar o seu emprego. É justo mas,
provavelmente, estará em causa um País com um futuro mais longo que a nossa precária vida temporal.
Cansa-me um pouco esta mentalidade doce e passiva de quem só vê apenas a roda de sua bicicleta.
Pensa nos músicos que estão para nascer,
ajuda-me!
Portugal tem de valer a pena.
Os inimigos moram a teu lado.
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9:08 da tarde
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Traje de luzes
Sim João, de facto a lide, e a ideia de sol e sombra,
tem suscitado de tudo um pouco.
O sol que ilumina o gesto,
a luz de um traje que pelo animal estropiado,
tem gerado palavras, cujo peso e massa
dele brilham, brotam e sangram.
A sombra feita por um animal barbarizado,
mas cuja vida depende apenas da má sorte que lhe está destinada, como uma galinha que nasce para o efeito
sem uma causa...
Nada te choro.
Quem enfrenta um animal ferido, sangrado e enfraquecido,
às penas e lamentos não deve exigir.
Sei que os códigos de afirmação entre um grupo de homens,
nascidos e criados em lezírias, encontram muitas vezes na arena,
a galhardia e a coragem de um vínculo, uma identificação ou um sinal dentro de uma tribo qualquer.
Depois, vêm suas mães lamentar e apanhar a dor que caiu por terra.
Tudo isto tem um passado.
Sim, tens razão que me deu um certo jeito,
não tenho que me justificar a ti ou a quem quer que seja,
mas não tenhas dúvidas:
É na verdade mais fácil escudar uma opinião numa verdade aparentemente justa e correcta.
Mas não chega para entrar no céu.
Consuma-se internamente no presente colectivo... apenas.
Por isso, apelo-te para a compreensão dos homens, para a explicação das estrelas.
Porquê tudo?
Não te apresses a dizer não.
Cordialmente
Q.
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segunda-feira, janeiro 16, 2006
Campo de silhuetas

Quaaaaaaaaaase:
Estás aí?
Não?
Estás bom?
Já te passou aquela dor?
A idade não te perdoa...
A malta compreende.
Já tinha uma mão cheiinha de saudades.
Vinha no caminho com um olho no infinito
e o outro tentando adivinhar o centro exacto
entre os pinôcos que estão na berma do alcatrão.
E assim, batia com o pé ao encontro de uma cadência.
Uma maneira de compassar o tempo certo na velocidade constante.
A estrada sempre me encantou.
E tu, como encontras a velocidade e o movimento nas tuas abstracções coloridas?
Adorava assistir às tuas aulas, mas tu tens cá um feitiozinho... Jasus Maria...
Foi então que no outro olho, o do infinito topas? Enfrentei esta silhueta
que indentifica a léguas este enorme Pais cheio de Países.
Reconheces que esta velha questão da lide, faz de cólera os suaves Portugueses,
tornando-os bravos bravios da Paz entre os animais, não? Não! Nãuu?? Não!!!!
Vês? Não é fácil, por isso fecho-me em copas até encontrar um jeito
de exprimir seja o que for, sobre uma matéria tão controversa.
Dirás da tua justiça se achares por bem,
mas tu próprio sabes que a gestualidade tauromáquica,
foi-te de feição naquele teu quadro um pouco Goyanista mas enfim...
Havemos de falar mais sobre isto.
Agradeço-te as palavras, sei que não facilitas a ausência de não estar.
Estou-te grato por tudo.
Um Abraço meu querido amigo, e boas melhoras.
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domingo, janeiro 15, 2006
A espantosa realidade
Olá João:
Na tua ausência tenho pensado nas coisas que me tens segredado.
Nos teus amigos, nas pessoas que amas,
no teu País e, por vezes, no impulso imediato que te leva por aí adiante, sempre tomado e possuído por uma intuição
que te ilude na ilusão.
Enfim lá vais, lá continuas.
Ainda esta semana, um aluno me questionava sobre a intuição que o tinha assistido na hora de uma decisão dolorosa, acerca de uma relação profissional que, uma vez chegada ao seu termo, estava agora a provocar-lhe alguns danos no sangue de sua afectividade e, enquanto ouvia..., pensava em ti,
e em que sorte foi a tua.
Preocupa-te.
Não te percas nem te distraias.
Ouve os outros.
Observa.
Já viste o que pode estar por detrás de cada rosto?
Tudo o que me dizias das traseiras de uma cidade,
também se encontra nos olhares que se cruzam casualmente.
Alguns, são tristes de castanho intenso, outros de azul esquecido e vago, muitos tocam e fogem, temerosos por desvendarem coisas da sua alma.
Lá vão na sua caminhada diária, espantados pela espantosa realidade.
Olha bem e vê.
Deixa-te levar pela intimidade da intuição.
Cordial o meu abraço.
Q.
Sebastião Salgado
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quarta-feira, janeiro 11, 2006
Caro Joao
Caro João :
Inesperadamente,
sou eu que te escrevo desta,
e faço-o com o gosto que imaginas.
Não te quero sentir assim ao longe, um pouco angustiado.
Tirar-te o peso da obrigação, a que a mim te obrigas,
é minha obrigação.
Tu próprio o afirmas quando me apelidas de teu quase.
Gosto de ser o teu quase, mas não te forces a mim.
Deixa-te assim.
Diariamente espero o toque do carteiro, é certo.
Estou sempre curioso de ti, das tuas coisas e problemas.
Obrigado pelos teus alguns momentos de absoluto delírio que partilhas comigo.
Mas, ouve-me:
As minhas aulas continuam como sempre,
os meus alunos entendem coisas, tocam nas cores,
fazem um esforço sincero,
isso encanta-me.
Tenho exposto os meus quadros,
a vida segue o seu rumo, o fogo não se apagou.
Auto-retrato-me sem que ninguém o entenda,
vou criando sulcos, esquizofrenando através do universo colorido.
Enfim, tal como tu, vivo!
Entende que é bom este descanso de ti.
Sucessiva, é a entrega de correspondência, e por mais que fantasies, acabas rotinando o que não queres .
Deixa-te.
Estou bem.
Espero que tu também.
Um abraço sincero.
Q.
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João Gil
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sexta-feira, janeiro 06, 2006
La fora a chuva dentro

Chove a cântaros ou chove a cantãros?
Onde fica o assento afinal?
Na Assembleia?
Ou tem acento no banco?
Onde está a çedilha?
Por baixo de mim?
Ou de ocê?
Nas confecções da seda?
Sedá que é cera?
Cerá?
Esquece!
Chove comócaraças!
Dâçe, dâsse ou da-se?
Beiços!
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João Gil
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quinta-feira, janeiro 05, 2006
Adios!

Meu Amigo e Quase Diário:
Vou-me embora.
Adoro fazer esta mala apressadamente.
Deixo-te por uns dias apenas, eu que nem sou teu pai sequer, preocupado porquê?
Aguentas-te sem mim?
Tomas tudo a tempo e horas?
Sei lá, essa cena das vitaminas, e tal...
Ok!
Já tens idade.
Sim, volto para votar,
Não stresses!!!!!
Olha:
Vês?
Confio nesta coisa, sabes?
Desci muitas escarpas e montanhas preso a ela.
Desde o mais alto glaciar até aos quintais sem pendente,
confiei-lhe sempre o meu breve destino.
Vício puro.
Ouve:
Espera por mim por favor!
Informa-te!
Lê!
Não vás em conversa!
É tão fácil manipular!
Pensa pela tua cabeça!
Não! Não é tão obvio que a informação seja livre!
Cuidado!
Crucial!
Acompanha a questão de Israel.
Vai-me dizendo!
Conta nove luas
Abraço!
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João Gil
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quarta-feira, janeiro 04, 2006
Disco de ouro

Foto: Vasco Gil
10.000 discos vendidos.
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Baggio
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12:08 da tarde
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segunda-feira, janeiro 02, 2006
O sexo de Ala

Já agora ó Quase, tenta lá sair da cepa torta.
Agora que o jejum, toma conta de nós cristãos,
arrependidos e prontos à provação da abstinência, fala por ti.
Vai comprar este livro e este disco, e...
Faz um esforço!
Desfoca da TV enquanto não recomeça o campeonato, pelo menos... ao menos!
Viaja!
Vais gostar!
Nem vais acreditar!
Estou na Syria por um momento... lento!
Em sufi me encontro... monstro!
Rodopiando... ando!
Voltarei não tarda.
Espera... era!
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João Gil
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Águas de Janeiro

Aguenta-te meu amigo Quase:
Entro no meu verão,
naqueles dias de vadiagem pelo tempo.
Assumo-te a contradita:
Gosto que a água do meu janeiro,
seja gelada e fria.
O teu inverno é o meu céu.
Lá vou para a montanha!
Que Deus me veja e não dê por mim.
Barcelona, apresenta-se assim como a cidade ideal.
O mar.
A montanha.
Que sorte!
Inveja-te Lisboa!
Põe-te bonita!
Arranja-te!
Deviamos lutar mais por Barcelona,
descendentes sem fronteiras,
observamos tudo e tudo que
no sangue ibérico desagua em nós.
Até achamos graça!
A água de rosas cheira por todo o meu lado.
Minha mãe, besuntava-nos logo pela manhã.
Quando levantava o sol, entrava por um lago absolutamente gelado.
Passava dos trinta e muitos, directamente para um quase gelo.
Nunca mais parei.
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João Gil
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domingo, janeiro 01, 2006
Maresia

Seria dia não tardaria
Um novo tempo
foi anunciado.
Vou em tua direcção,
Não temos muito tempo,
Despacha-te.
Bom dia Quase,
Sou eu!
Posso?
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João Gil
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sábado, dezembro 31, 2005
quinta-feira, dezembro 29, 2005
Estamos Juntos

Meu estimado e querido Quase diário:
De acordo contigo, a última crónica 2005, deveria exigir
outra roupinha...
Isto não são maneiras de te escrever...
Mas tu, com as costas largas, já sabes.
Nestes dias lembro-me sempre de meu Pai.
Natural!
Pegava no cinzeiro mais à mão e... zás janela fora.
E nós todos lá em casa, pensávamos se não seria
o desejo, embora não correspondido, de largar aquela droga da merda dos cigarros.
Ao dia primeiro, a primeira coisa que fazia era puxar do cigarro,
depois de um pequeno almoço, rápido pretexto.
Aquela maldita tosse matinal que não me larga os ouvidos.
Se ele tivesse largado aquela porcaria, enfim...
Estava escrito!
Mas voltando,
O que é que vou deitar fora este ano?
O que nós deveríamos deitar fora deste ano?
Seria tão óbvio que não me atrevo ao consenso natalício.
Estamos, nesta matéria, justamente de acordo.
Coisas como a Paz, a Saúde... por aí fora fazem parte do desejo comum,
todavia, necessariamente diferentes, os caminhos tortuosos e divergentes.
Os partidos alternam nos favores às suas clientelas, e a coisa equilibra-se.
Apresenta-se o contrário disto tudo, como o mais excitante e inovador.
O que guardar deste ano?
É isso que te venho propôr.
Pensa nisso, porque será isso que nos faz caminhar aqui,
enquanto houver, esta estrada para andar, neste caso é mais Palmar.
Gostei de iniciar esta nossa conversa à vista de todos.
Creio que te protegi de alguma maneira,
O teu gato, os peixes, os teus filhos, os amigos,
Ah! O papagaio, embora aqui eu seja o teu químico,
a tua figura anexa, o teu xerox.
Estamos juntos.
Sempre!
Até!
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Ir a Allen pensando ver woody
Ó Quase:
O C.C.B. encheu-se para uma sessão especial de cinema.
Era um dia único.
Juntou-se o povo para ver a retrospectiva dedicada a Woody.
Como nem sempre é possível ver o realizador ao vivo,
este tipo de eventos raros revestem-se sempre de algum aparato extra.
Um certame!!!
A RTP mandou o seu repórter de charme.
A SIC e a sua pequena brigada de riso.
A TVI já se sabe.
Vieram todos a correr, numa espécie de ciclo da cinemateca.
Qualquer coisa de anos cinquenta em pleno Salazarismo,
recebendo uma estrela de cinema qualquer.
Então, lá foram todos, só que para azar,
a máquina de projecção avariou, pifou, deu o berro.
Apenas se ouviu a música... para além dos impropérios ao afamado marreco.
Uns senhores assim... já entradotes, entendes?
Qualquer coisa de... quê?
New Orleans creio, bem! Não estou lá muito seguro.
Não interessa.
Foram ver o Woody Allen, mais nada, pronto!
Não te ponhas com coisas.
Um dia, caro quase, fui a Roma ver o Papa e,
por falta de Papa, acabei por ver Roma.
Nada mau.
Tens a certeza que o pessoal foi ouvir música?
Sim, tens toda a razão.
Desculpa-me!
Há quanto tempo não ouvia esta palavra... certame.
Bué antiga!
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quarta-feira, dezembro 28, 2005
Uma bica e um blogue

Ya! Quase, tá-se?
Não sei bem porque te abordo assim.
Tantos os que duvidam deste género.
Ouvi há dias atrás um daqueles tipos,
digno representante de grupos empresariais,
misturando tudo e todos, num saco enorme de incompetentes
que não se podem comparar a jornalistas,
muito menos, substituir a imprensa credível...continuava o dito.
Praguejei e arrematei com galhardia:
Este tipo está com medo!
Gritei para o aparelho de rádio.
Estranho, o edifício literário em que vivemos.
Dominado pela ausência de regras,
ouso praticar a invenção das palavras quando calha.
Saio à rua e, zás!
Caio atingido por um raio.
Sou um fulminado, seja cão, e ladro porque não!
Somos todos iguais nessa net!
Cantava o Lins.
A delinquência da escrita de rajada?
A falta de rigor verbal?
O meio mal frequentado?
Será que esta nossa comunicação sanguínea,
retira-lhes protagonismo manipulador?
Mas, alguém pretende?
Por mim...
A todos eles o belo traque pois então.
Traga-me um café e uma água, por favor...
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João Gil
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terça-feira, dezembro 27, 2005
TV laica

Bom dia meu quase diário:
Ah! Ah! Ah!
Nesta "igreja" estatal, muito visitada pelas comunidades
de língua Portuguesa, a fé cristã é espalhada quase diariamente.
Um padre cantor à paisana, que simpaticamente se chama de Borga..., um palácio respeitado que se apelida das Necessidades,
um cemitério que de Prazeres se enterra... enfim, são os mistérios da língua Portuguesa.
Não tenho nada contra a omnipresença do Senhor pela voz daquele simpático também senhor padre, mas não te entendo, ó meu querido estado laico equidistante e justo.
Não te preocupes, nós somos todos uma cambada de carneiros, e andamos cá para ver andar os outros.
Afinal, as escolas primárias não têm audiências que se vejam por aí e além.
Deixa lá.
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João Gil
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