terça-feira, agosto 15, 2006

Os livros tambem ardem

Há muito que não me ria tanto.
Refiro-me, caríssimo amigo,
ao personagem Mateus Colombo,
que habita e vive no livro “ O anatomista”
Mateus, que ao descobrir a sua América
no corpo de uma mulher, se arrisca por tal,
a arder numa fogueira de lenha verde,
isto claro, para a combustão ser tão lenta quanto a agonia.

Antes passei pelo ajuste de contas de dois amigos,
que não se encontravam por razões que só lendo,
numa combustão também lenta de “ As velas ardem até ao fim”
Que gente esta que salta na frigideira das palavras...

Agora estou a entrar na biblioteca dos livros esquecidos,
pela mão do pai de uma criança que já tem idade...
“ A sombra do vento “ dá por título, o que não ajuda nada
no combate aos incêndios.

Por isso, meu querido amigo,
ando jiboiando pelas letras,
tentando resistir ao desgosto pós parto
do abandono provocado
quando se chega ao fim de um livro.

Nesta secura toda
Os livros também ardem

sexta-feira, agosto 11, 2006

Democracia

De peixe espada à cinta,
é como me sinto
assim desasado e sem jeito
de águia a contrapeito...

Digam-me lampiões e adjacentes
incluindo o Belenenses
Qual a razão?
De tão desajeitado anúncio
em que o Benfica é gozado pelo
próprio de si mesmo... sim, qual a razão?
Perante um irritante em crescendo de irritação que diz:
Ninguém pára o Benfica...
Responde o anunciante enjoado e incomodado:
- já paravas...

Eu pergunto
Hum hum...

Somos como a América?
Permitimos tudo dentro de nós ao ponto da cauda escorpião?

Somos mesmo uma nação...

Democrática

terça-feira, agosto 08, 2006

O beijo suspeito






Pois é
Assim que ti vi assim
Por impulsos díspares,
Nem pensei duas
Agi por ti
Agarrei-te cheia
Uivei o teu nome
Já se sabe
Sem antes te apanhar pelo dorso
Como é obvio
Gosto das tuas costas
Dos teus dois buraquinhos no fim das costas
Desse mistério infindável
Vou desafinar-te sem remédio nem cura
Como podes calcular
Confiar-te um segredo no pescoço
O teu pescoço
Ossatura dura
Dá-te nas minhas mãos
Abraço-te
Tu só queres um abraço
Sei disso
Ou um beijo suspeito

Grita-me!!

Mar de luz






É com a devida vénia que a ti me inclino, Meu Amigo.
Estarás bem?
Sobrevives bem a este caldo que amesquinha uma catrefada de gente?
De paparazzis convenientes da estação ridícula, que fotografam
perversamente a barriga de muita gente que do tamanho se ignorava?

Estava muito bem eu na cozedura do miolo,
quando me vi na 2, em repetição na “Revolta dos Pastéis”
a quem endereço daqui a minha vénia também.
Nunca gostei de me ouvir,
e muito menos de me observar.
Não avisava a família próxima de que ia aparecer...
Vergonha...

Mas, não deixo de constatar que a arrogância não faz falta nenhuma entre
todos nós músicos, produtores e afins.
A última coisa que nos faz falta é exactamente a bacoquice petulante.
Mas prontos!!!!

Entretanto decorre no “canalmaldito” uma conversa interessantíssima
a propósito do mesmo tema.

Eis que, estando muito bem numa esplanada, ouço da voz dum banhista compatriota,
algo parecido com:
- I donte laike pórtchuguise music.
- Dizia ele para um algo interessado estrangeiro.
-Mitu de ti, retorqui pensando...
Muito bem!
Está no seu direito.
Já não o digo o mesmo do publico português, sempre atencioso e atento.

Concluo que o assunto se arrasta na ordem do dia
em linguagens desusadas,
próprias desta época estúpida comó...

Talvez à procura de um mar de luz ao fundo do túnel.

Um abracinho sim??

sexta-feira, agosto 04, 2006

4 de Agosto





Meu Querido Amigo

No dia 4 Agosto
há trinta anos atrás
na formosa e algo ventosa
Vila de Sagres,
por dias e noites nunca navegados
em areias da mareta,
deu-se luz no nosso pequeno mundo
de putos curiosos e insubmissos.
Surgia o Trovante!
Aquele nosso irmão que se foi tornando
na figura basilar e tutelar na nossa existência
familiar e quase diária.
Agora, depois destes anos todos,
encontro tantas semelhanças entre vocês os dois...

Os teus comentários rareiam sob a espuma,
Insinuas-te, fechas-te.
Porém adivinho os teus passos,
pressinto as tuas ideias.
Era precisamente o que sentíamos
com o nosso irmão Trovante.
Ele estava sempre presente e
o que dele vinha, decidia-nos.
Ele queria o nosso melhor,
E nós sacralizávamos a ideia Dele todo poderoso.
Acima de nós
Quase Deus
Como tu Deus Quase

quarta-feira, agosto 02, 2006

Apenas por nada







Caríssimo Quase

Como tens passado?
Como vai o teu trabalho?

Tenho a obstinada curiosidade do teu universo,
do que te move,
do que te emociona,
dos teus impulsos,
da tua pintura de hoje.

Por cá os dias vão... vêm... e de costume,
embasbaco sempre que o sol se põe
como se fosse o último desejo.

Um dia sonhei uma viagem ao centro da terra,
e quando entrei numa espécie de casa das máquinas,
logo perguntei o que aconteceria se travasse
o mecanismo das rodas dentadas.
Claro que seriamos projectados no espaço!!!
Soou longo nas paredes da resposta na minha cabeça ignorante.
É a vida.

Fico à espreita...
O sol afunda-se lá ao longe.
Dou-me conta da velocidade da terra a girar.


Apenas por... nada.

domingo, julho 30, 2006

SiniS




Caríssimo amigo do mundo

Cá estou de novo, vindo de mais uma jornada
gloriosa apesar do glorioso...
Ruminando laranjas e outras coisas boas,
num mar de algas qual SPA,
em falésias de xistos que a propósito,
pintalgam as areias de preto aparentemente
poluído, mas não.
Lá andei freakando o meu esqueleto comendo
sargos e pão do melhor.
Destino:
Festival Músicas do Mundo em Sines e Porto Covo.
Objectivo:
Simplesmente ouvir música.
Junto do público ou no backstage, os níveis de ozono e qualidade do ar , apresentaram-se especialmente diferentes do habitual costume.
Diferença, destacou o incrível alaudísta Libanês,
quando referiu que “ eles não precisam de músicos”
Por isso;
Este festival veio numa altura crítica
em que a musica parece ser uma tábua de salvação
na comunicação entre os povos para além do futebol,
que é apenas uma interposta pessoa, para a facilidade de contacto e usufruto do emigrante no dia seguinte após o jogo
do dia anterior.
Por isso;
Sines devia passar a SiniS
Por forma a que:
O festival pudesse ser visto de todos os ângulos,
capicuando até mais não.

Aproveito e solicito a naturalização para o novíssimo estado
De Sinis, onde no futuro, poderemos comunicar entre povos
da melhor maneira.

Pela alma!


Viva o festival de Sines!


e Viva SINIS!

quarta-feira, julho 19, 2006

Designio




Vai grua vai
Cumpre o teu desígnio
Por esses quintais
Derruba
Constrói
destrói
Abate
Não pares
Vai
Pelo mundo
Leva a boa nova
Ergue
Muros
Separa
Divide
Vai
Segue

Siga

segunda-feira, julho 17, 2006

A sombra da noite













Estimado

Estas noites andam quentes
Lisboa fica excitada com estas noites de fulgor
como se os instintos despertassem com a brisa nocturna e luarenta.
Os neurónios cozem durante o dia borbulhando na sua fervura,
queimando as impurezas e as bactérias incómodas e
à noite é que são elas.
Só apetece é comer os cérebros que por aí pululam.
Isto para te dizer que dei comigo no estado puro nipónico,
armado de objectiva acidental de Alfama em Alfama
Descendo degraus e degraus até ao Eugénio de Andrade.
Encanta-me a Lisboa que encobre as mazelas do dia.
Um destes dias vens comigo no acaso casual da descoberta
de que, perdidos é que isto tem graça.
Pago-te um copo
Vá lá!
Anda lá!

quinta-feira, julho 13, 2006

Preconceito e chuva de palmeira

Meu estimado e fadista amigo

Ando numa época fadista
recuperando e afastando fantasmas de outros...
Por mim, sem problemas de maior, há muito.
Porquê?
Diz-me porque é que as pessoas que apesar de tudo,
com níveis de sensibilidade apurados, tantos anti-corpos ao fado construíram?
Munidos de critérios que por si só são um caminho,
emprenharam pelos ouvidos?
Mal educados por falta de educação sensitiva?
Feitos de quê?
Preconceitos?
Parto a minha cabecinha à procura de explicações e zero!
Devo andar estúpido de certeza incerta...
Há-de passar!

Isto para te dizer que estava junto ao mar, quando
um sufoco desceu junto a mim.
Um peso inacreditável, de ar pesado e nuvens cheias
de electricidade incontida.
Lia o meu livro de momento cheio de boas intenções.
As folhas das palmeiras choviam ruidosamente,
e pensei, por andarias tu?

Abraço

domingo, julho 09, 2006

O Cristianismo Ronaldo

Na hora do fecho deste evento suspeito e endinheirado
que é o mundial, interessa reter coisas que, meu estimadíssimo
e fairpleísta amigo, nos devem fazer pensar no futuro, tais como:

- Os mergulhos dos atletas que fazem lembrar a fama dos Portugueses em Itália de se furtarem ao pagamento dos transportes públicos.

- A puta da realização de TV Alemã que no jogo com Portugal, chegou ao ponto de dizer que sim abanando as câmaras para cima e para baixo, escolhendo muito bem os lances que devia ou não repetir.

- A passagem para o desporto, de muitos conflitos entre povos,
pelos vistos, jamais resolvidos.

- A provocação das imprensas, apregoando coisas falsas só para venderem a merda do papel.

- A estupidez e o fanatismo do Anti-Cristianismo Ronaldo, com que os Ingleses resolvem os seus problemas e as suas derrotas.

Se vires por aí o Luís Figo dá-lhe um grande abraço.
Um tipo á maneira!

Finalmente fecho o dossier do futebol, porque sinceramente...

Já cansa!

sexta-feira, julho 07, 2006

A primeira assinatura

Hoje lembrei-me duma fase muito engraçada
para o crescimento dum homem de barba rija.
Oh oh oh.
Lembras-te de quando ensaiaste
a tua primeira assinatura?
Escolher dois nomes, ou mesmo três por questões de ordem social ou importância acrescida, ou apenas por... soar melhor.
Caramba!
Foi lindo, a semear rabiscos por tudo o que era folha.
Creio que imitava o meu Pai.
É bom imitar um Pai.
A sua mão grande e estilosa assinava o meu ponto de nota duvidosa e eu, assustado pela má consciência de mau aluno
por boas razões politicas, conjecturava...
Embora convicto, nunca o convenci.
Era a época.
Tal como o nó da gravata, também a assinatura se ensina.
A marca genética.
A morte derrotada.
Cabrona!

Não te assustes, mas por vezes vejo em ti
o meu Pai.

quinta-feira, julho 06, 2006

Suspeiçao

Meu ombro amigo

Imaginas o quanto irritado com a porcaria deste resultado me sinto...
O nosso homem do leme insinua que o árbitro
estava ao serviço de alguém.
E a coisa fica assim?
Tem ele razão?
Estava a quente?
Há um super-apito-douradíssimo?

As pessoas dizem:
- Somos um país pequenino!
Admite-se portanto que as decisões da FIFA e dos árbitros são directamente proporcionais à grandeza das bandeiras?

Creio que chegou a altura de se criarem mecanismos
que anulem o protagonismo do homem do apito e de todas as suspeições mais ou menos razoáveis.
Entre as variadas soluções, destaco duas:
- O quarto árbitro tem um monitor para rever e inverter as decisões incorrectas.
- O jogo é arbitrado por dois juízes, cada um acompanhando uma equipa.
São ajudados por quatro fiscais de linha.


Não teremos nós uma selecção que ultrapassa largo
as fronteiras das possibilidades de Portugal?
Tornaremos Portugal competitivo se melhorarmos os índices
de rendimento de toda a sociedade nos vários sectores.
A saúde a preencher o campo todo.
A educação a distribuir bem o jogo aos avançados.
A música Portuguesa a não precisar de mendigar quotas
de passagem nas rádios, marcando golos de belo efeito.
Porque é que nestas áreas somos tão permissivos?
Então... será que merecemos esta selecção?

terça-feira, julho 04, 2006

Astulticia dos abestuntos

Meu Estimado

Hoje até vinha falar-te de futebol.
Originalidade não me faltaria pela certa,
dizer-te as coisas que ainda ninguém disse, imagina...
Tácticas
Raciocínios
Estratégia pura
Comunicação
Mobilização
Conspirações
Tantas e tantas que te espantarias em espasmos
sucessivos de dores de acutilância astuta
Mas não.
Nada disso!
Lia as notícias tardias, e na três, um público delirava
da javardice das palavras.
Muito bem.
Também me rio de vez em quando assim.
Para lá do talento nocturno,
o facto dos comediantes da bolinha do écran
arrebatarem e arrancarem os aplausos
às funduras e às profundezas da sagacidade
da astúcia numa espécie de astultícia.

e apenas a isso

terça-feira, junho 27, 2006

andar andar andar






Sim
Apenas
Sim
Passear
Sim
Ouvir
Sim
De mão dada
Sim
Deixar
Sim
As pegadas
Sim
Às cegas
Sim
Em silêncio
Sim
Deambular
Sim
Vaguear
Sim

Porque sim

sexta-feira, junho 23, 2006

Fala contigo

Caro João

Este assunto que te atormenta é um já visto entre nós.
É precisamente nestas alturas quando sinto que a tua razão e argumentação vêm das entranhas emotivas,
que tenho o apelo de te falar.
Não de te acalmar.
Não de apaziguar.
Que o mar te fique sempre bravo, assim é o meu desejo.
Mas deves pensar e ver bem o que vos rodeia.
Vocês são manifestamente poucos.
Todos se conhecem como primos ainda que afastados.
Ao contrário de outros países com maior número de habitantes,
o pódio é pequeno, têm de ser uns de cada vez...
Entendes?

Usa-se por aí a expressão de “sete cães a um osso”
antagónico a “setenta cães a sete ossos”
porque se assim fosse, diluiria a ideia de inveja e tudo se arrumaria
em patamares de sobrevivência normal, sem ter de estar na
crista da onda, o que faria de vós, um Pais normal e culturalmente rico na sua diversidade criativa.

Creio que os Portugueses têm de aprender a viver com esse facto, aproximando-se dos Países nórdicos que embora pequenos, souberam criar dinâmicas próprias.
Fala com os teus amigos
Fala com os teus colegas
Fala contigo
Pensa nisso como um bem e não como uma fatalidade.
Festeja os sucessos dos teus amigos
e verás com mais naturalidade
o sucesso do teu Pais.

Um abraço

Q.

quarta-feira, junho 21, 2006

Vale a pena Portugal?

Meu querido amigo
Mando-te este texto que enviei ao blogue "canalmaldito" que discute a questão da lei da rádio.
Tentei falar em sentidos figurados, por falta de pachorra para entrar em polémicas circunstanciais.
Deixo-te aqui o texto


"Antes de mais, os meus parabéns ao blogue e à iniciativa da discussão.
Este não é um tema novo para toda uma plataforma que discutiu profundamente o assunto e da qual fiz parte.
Apesar de alguns interesses não assumidos e lobizados nem a Rádio nem os homens da Rádio, são meus-nossos inimigos.
Considero-me sim inimigo duma puta duma mentalidade preguiçosa e estúpida que domina Portugal
uns dias após o seu nascimento.
Humildemente acredito que a questão passa por inverter os hábitos e costumes de consumo.
Mas.... isso seria a inversão de Portugal, torná-lo menos periférico, mais orgulhoso da sua lingua,
numa espécie de reencaminhamento da bandeira à janela para uma elevação e evolução cultural.
Utópico que sou...
Uma espécie de Espanha, País traumático para nós, mas inviável de tanta inveja sofrermos..
Imaginem um Portugal onde se ouvisse o mais possivel de tudo o que fosse produto nacional.
Onde se consumisse em todos os formatos, todo o tipo de música de todas as áreas...
Acreditam nisso????

Portugal só é um País de vez em quando, porque tem comportamentos bizarros que se assemelham a grupos de nómadas à procura de um sítio para acampar.

Por isso estou orgulhoso de fazer parte de um grupo de pessoas inconformadas, que tentam inverter
a situação, criando um processo lento de mudança que só daqui a muitos anos terá resultados efectivos.
Acredito que os novos projectos terão nessa altura visibilidade e...
Portugal valerá a pena. "

Um abraço

Ruido

terça-feira, junho 20, 2006

O sentinela

Escapatoria




Bom dia meu amigo

Dias incríveis estes
de abandono aos rigores da rotina
Dias para cismar e questionar
Se pudesse
faria um passeio matinal
por um qualquer areal
Inspiraria a manhã
Falaria de mão dada até ao fim do dia
Ouviria tudo o que houvesse
Teria as novidades dos pescadores
Aqui por estes sítios
Há uma escapatória
ao desastre