terça-feira, abril 18, 2006

Ouro





Encontrei-te
Valiosa
Bela
Sempre
No meio de um turbilhão
Ergue-se a luz
Submerge
Eterna
Serás


Q.

segunda-feira, abril 17, 2006

Na estrada


Foto: Vasco Gil


Vemo-nos por aí:

20 Abril, Ala dos Namorados (& Rui Veloso), Coliseu de Lisboa
24 Abril, Filarmónica Gil, Santiago do Cacém
2 Maio, Filarmónica Gil, Barcelos
25 Maio, Filarmónica Gil, Vidigueira
1 Julho, Filarmónica Gil, Mealhada
12 Agosto, Filarmónica Gil, Ansião
13 Agosto, Filarmónica Gil, Batalha
14 Agosto, Filarmónica Gil, Amora
15 Agosto, Filarmónica Gil, Mortágua
17 Agosto, Filarmónica Gil, Estoril – Du’Art Garden
19 Agosto, Filarmónica Gil, Penafiel
26 Agosto, Filarmónica Gil, Pico
4 Setembro, Filarmónica Gil, Palmela
10 Novembro, Filarmónica Gil, Angra do Heroísmo*
11 Novembro, Filarmónica Gil, Ponta Delgada*


* Concerto acústico.

"Eles" quem?




Estimadissimo


Dispersos vão os nossos dias
Dispersos, caminhamos nós.

Camuflado pelos óculos de sol
que nem gato escondido
esperava a minha vez pelo pão quentinho e,
imaginei:

Ó shô deputado...
Por aqui?
Sim, e olhe ali atrás...
Olha quem é ele, o...
Deixe lá!
Viemos passar férias para o mesmo sítio...
Já não bastava!
Pois...
Já viu a bronca?


Há muita coisa errada entre nós.
Quem ouviremos?
Quem respeitaremos?
Não consigo silenciar.

Amanhã começamos o protesto

Uma semana inteira em que todos os utentes das
auto-estradas e pontes decidem não pagar.
Uma semana em que faltamos à obrigação,
aos nossos deveres de bem comportados.
Não vão multar 2 milhões de eleitores pois não?

Faz-me confusão, a desactivação da consciência cívica.
Faz-me confusão que a participação se resuma a um voto
de quatro em quatro, em que se elegem irresponsáveis, como se vê.
O nosso azar é que “eles” têm muita sorte, por sermos assim,
Porque afinal “eles” são a “nossa” projecção.
A imagem do nosso lado mais feio.

Aceita o desabafo meu amigo.
Vejo-te em breve.
Um abraço

quarta-feira, abril 12, 2006

3º volume - a carneirada

Meu querido e estimado amigo

Não digas nada.
Por favor deixa-me chegar lá.
Às vezes o silêncio e a pausa são a melhor resposta às dúvidas.
Apesar de ter suspendido o acto de fumar,
só me apetece a prevaricação de tão almareado estar.
Este discurso hipócrita, esta moralidade importada nem sei de onde, esta directiva europeia mal fundamentada e explicada,
só me deixa perplexo e estupefacto.

Juro-te!
Preocupo-me por ti
pela família
pelos teus amigos que nem sequer conheço
e um pouco por todos enfim...
Não adopto nem aprovo esta inquisição dos bem comportados.
Nesta família sociedade, têm de estar todos sem excepção.
Todos!
Por isso se quiseres fumar só tens de ter algum cuidado:
Não mandes o fumo para cima de mim.
A vida é tua.
Faz dela o que te der na gana.

Não tens de dizer nada.
Não será um decreto ou uma proibição, que fará mudar as mentes, mas sim um maior conhecimento do seu próprio corpo.

Deixa de fumar se achares, mas que seja a tua força a decidir,
no momento e na hora por ti decidida.


Um abraço e... já sabes...



domingo, abril 09, 2006

2º volume

Mais umas dicas para ti, para o caso de ainda te passar pela cabeça...

Não vás muitas vezes ao estádio da luz

Vai ao estádio de Alvalade que o problema não é teu

Não leias os jornais antes de dormir

Calça uns ténis e corre 100 metros a abrir, ou... 10 apenas

Não devas dinheiro ao estado... ou a ninguém

Traça uma data e comunica aos teus filhos

Pensa que o desejo e o vício podem ser anulados
pela conquista da vitória

Boa sorte!

sexta-feira, abril 07, 2006

Como deixar de fumar. 1º volume






Meu Amigo

Por opção ou não,
quanto fumo já entrou e saiu
por esta boca que te fala?
Buf!!
Não te escondo o prazer que, afinal, só me complica a vida.
Como se fosse hoje, lembro a primeira vez lá na montanha,
ao inspirar estoicamente umas barbas de milho que me deitaram
por terra, tonto e aos tombos vomitando os pulmões pela boca.
Tunga! Caí...

Depois, fumei estilosamente como um homem durante muitos anos.
Até que, de repente, deixei... pensava convencido.
Tá bem abelha! Tinha dentro de mim a inscrição suprema,
essa pequena informação que jamais me abandonaria.

Sou um viciado!
Sou mesmo.
Que alívio afirmá-lo.

Por isso te digo, vai fazer um ano que...
Suspendi!
Palavra mais cautelosa e humilde.
Quero que te afundes adorado vício.
Sou mais forte que tu... creio... ser.
Até lá, vou-te matando um dia após outro.

Digo-te adeus meu amigo esperando as notícias tuas.
Será que suspendeste?
Sei de algumas técnicas, se quiseres...

O reconhecimento e aceitação da nossa condição,
torna-se fundamental para esta primeira fase
de uma nova vida de ares renovada.

Achas que sou paternalista com este discurso?
Às tantas...

terça-feira, abril 04, 2006

Onde me sento








Estimado amigo
Tenho outras coisas em mente
Quero lá saber.







Gosto da tua boca
Do teu lábio ligeiramente torto
Das palavras que na sua beira
Pensam dizer e dizem
Entre
Abrem-se
Vejo-te
A boca
Deve por mim beijada ser
Beijado por ti
Quem se deu primeiro?
À morte não deixo
Por mim e por ti
Serás eterna
Como um pequeno beijo
À socapa

segunda-feira, abril 03, 2006

A orgia dos falhados

Olá João

Creio que venho em boa altura não?
Por um lado, as coisas não estão fáceis,
mas sinto que existe algo em ti
que te deixa secretamente entusiasmado
e empolgado com uma boa luta.
Confessa...
Como eu te compreendo.
Na tua idade, não dispensaria tal prazer.
Já vi que as fofocas não afectam nem alteram a relação
que tens na tua memória.
Acredito que te chateie a manipulação sobre a tua cabeça,
e sintas que te condicionam a liberdade.

Sabes muito bem onde vives.
O teu País tem demasiada mediocridade que torna esse tipo
de jornalismo uma realidade, mas aviso-te que nalguns sítios da
tua Europa, o mesmo acontece, por vezes com mais voracidade.
Essa gente de merda, a que tu te referes, alimenta-se de porcaria e
como calculas, muitos dos teus compatriotas ditos de famosos, vendem o Pai-Mãe-Filhos-gato-cão-o que preciso fôr,
entregando e vendendo toda a sua intimidade, e até a sua alma, numa espécie de terapia de masturbação colectiva.
Só tens de compreender o processo:
Um negócio de bastante lucro onde por conseguinte, vale tudo.
Mas não te preocupes que esta orgia de falhados, dura quase sempre uma semana aproximadamente.
Depois... tudo acaba, eles lavam a consciência num balde de merda e adormecem com facilidade.

Haverá gente honesta no meio disso tudo?
Obviamente, assim como a classe dos taxistas não tem culpa da escumalha que anda na praça.


Como sempre, tens a minha paciência.
Um abraço do teu amigo

Q.

domingo, abril 02, 2006

Criminosos ou filhos da Puta?

Meu Querido Amigo

Nem sei bem como te abordar neste assunto.
Às vezes procuro nas palavras o sentido das coisas.
Directas ou irónicas, procuro as palavras necessárias,
as que melhor abrem as portas da minha percepção,
as que estão mais à mão da alma.

Por isso, com mil cuidados me dirijo e a ti me confio.

Tanto o jornal mais bizarro que apareceu nos últimos tempos,
que se chama “24 horas” como a revista cor de rosa “ Nova Gente”,
inventaram coisas, histórias, argumentos, legendas de fotografias minhas, imaginando cenários sobre a minha vida privada.
Como sabes, nunca da minha boca sairá seja o que fôr sobre
assuntos íntimos ou privados da esfera da minha vida.
Que fazer?

Se respondo, alimento a novela, acabando por fazer aquilo que, afinal eles querem.

Se deixo de aparecer nos sítios, tenho a minha liberdade limitada, direito esse que não é justo ver limitado.

Se os ponho em tribunal, a indmnização e esforço de todos,
para além da morosidade e inacção da justiça Portuguesa,
justificam a ideia do crime que compensa.

Vou ser superior a isto tudo.

É muito o dinheiro sujo feito por este tipo de gente.
Eles têm um nome e eu tenho uma dúvida:

Criminosos ou filhos da puta?

quinta-feira, março 30, 2006

Tique e Toque

Meu estimado Quase:
É provável que me repita de vez em quando.
Quando os factores da alergia irritadiça se repetem,
então é normal que volte ao assunto.
Pergunto:
Porque é que o pivot da informação, jornalista credível
altamente qualificado, responsável e da nossa confiança,
José Rodrigues dos Santos, pisca o olho no final do telejornal?
Digam-me, ajudem-me, expliquem-me.
Porquê?
O que é isso tem a ver com informação?
Entretenimento?
Ele tem o seu público?
Cumplicidades privadas?
Eu e vocês ???
Daaaaaa....
Não entendo.
Isto até nem é assunto!
E se calhar arrisco-me Ó:
Este gajo não tem nada para fazer...
Mas, ele há coisas que me eriçam.
É mais toque do que tique.
Pronto!
Já passou.
Desabafo apenas.
É legítimo:


Caro leitor
Precisamos de um provedor para o País.

Não de um lápis censório,

Pisquemos os olhos, meus irmãos.
E tu Quase, não me irrites, com essa tua azelhice altaneira.
Tens a mania.

quarta-feira, março 29, 2006

Proteina emotiva







Estimado:

Sempre que vou a uma casa de fados
venho de lá um pouco confuso.
Sempre dividido, estranhando e entranhado,
fico a pensar num amontoado e difuso sentimento.
As palavras por vezes bacocas de um mundo à parte,
num envolvimento musical extraordinariamente
rico em proteínas emocionais.

Fui ouvir uma cantora que veio de Angola,
Ana Maria de sua graça, carregando na voz
uma história de vida digna de seu nome.
O fado é incrível, cheio de pessoas incríveis,
que o testemunham e transportam.
É preciso meter as mãos para sentir aquele motor,
e sujar a mente de óleos velhos e gastos.
Deixem-se de merdas, os que o julgam erradamente.
As mentes equivocadas cagam sentenças anunciando
a sua constante morte.

Qualquer dia levo-te aos fados querido amigo.
Tens de ir.
Vais compreender.
É importante compreender a sua razão.
Fecha os teus olhos e... ouve


Mais ou menos como ir à catedral e desfocar na luz da luz...

domingo, março 26, 2006

Um novo clube






Meu Querido Amigo,
Há tempos que ando para te falar disto:

Hoje passei a ponte a correr.
Muita gente e ainda bem.
Ando aqui com umas ideias
que não te cheguei a contar:
Qual o efeito da iniciação à prática
de atletismo pelas crianças na pré e pós adolescência?
Convenci-me que o atletismo pode ser muito importante
no bom desempenho físico e intelectual de uma pessoa.
A aprendizagem e o conhecimento do nosso próprio corpo na idade própria, fabrica um ser livre e completo
no seu estado adulto.
Conheces as crianças mais pobres do bairro de campolide?
Diz-lhes que se inscrevam, anda lá!
Vamos ter um treinador, equipamentos, um medico,
um seguro, um autocarro, um clube!
Sempre a seguir à escola como é evidente.


O que queres?
Acredito e luto.
Absolutamente mais nada.
Peço-te apenas que não me julgues.
Não tires conclusões.
Não pretendo dividendos.
Nada.

A ponte ficou deserta....

quinta-feira, março 23, 2006

O dia do puto

Olha Quase
Antes que venha o dia da criança, deixo-te aqui o dia do puto

24 de Março






Ouve
Estica o braço
Sentes a chuva?
Guarda-a
Toma este lápis
Risca sempre
Fora do desenho
Se quiseres claro
Toma as tintas
Suja-te
Pinta-te
Calça estes sapatos
Corre contra o vento
Se te apetecer
A favor também é bom
De quando em vez
Lembra-te
Não tens culpa
Sabes uma coisa?
Desculpa

quarta-feira, março 22, 2006

The day after poetry day

My Dear Friend:


Change


Change is everywhere,
All around us.
If you do not notice any change,
You are not changing.
If you do not notice any change,
Have you seen,
The ocean,
The skies, Change


Change is everywhere,
All around us.
If you do not notice any change,
You are not changing.
If you do not notice any change,
Have you seen,
The ocean,
The skies,
The seas,
The land?
If you do not notice any change,
You, alone, will never change.

Kelland Chew




A venda de poesia do dia seguinte tem riscos ainda por descobrir.
A poesia deve ser desejada.
A poesia oral tem riscos menores.
Consulte um especialista.


Flor Garduno

terça-feira, março 21, 2006

Get yourself a gun




A velocidade sempre me fascinou.
Ou melhor, aprecio a representação da velocidade.
É mais isso.
Sem o espírito tunning que merecia,
até entendo o orgasmo da coisa,
Mas não.
Não é o caso.

Refiro-me à vida que vai passando a olhos vistos,
ainda agora estava ali...
Lembro-me sempre do genérico dos Sopranos:
Get yourself a gun...
É tudo muito depressa.
O dia é manifestamente pequeno.
O planeta também e Portugal nem se fala.
Vou acalmar os instintos, voltar devagar.
Chego e o assunto divide-se em dois aspectos:
A situação complexa do Sporting,
e o conhecimento do desconhecimento
de Durão Barroso sobre o pretexto da invasão ao Iraque.
Enganaram-se....
E agora apetece-me à brava enganar-me até porque
tão pouco se discute acerca das verdadeiras razões.
Vou pensar que Durão Barroso pelo apoio dado, recebeu de prenda o cargo que ocupa, afastando-se da crise e dos problemas que Insuflavam dia a dia em Portugal.
Se estiver enganado, OH! Direi que me baseei em dados que estavam errados!


O que achas disto tudo querido amigo?

segunda-feira, março 20, 2006

Musica e Paz



Meu Querido Amigo

Escrevo-te já na minha terra.
Voltei numa porcaria de um avião
onde o espaço disponível, está indisponível
pela falta de espaço.
Que fazer das pernas numa viagem de 11 horas?
A companhia Air France, viabiliza-se pelas suas poupanças,
poupando no espaço da viatura.
Mas isso não interessa.





Valeu muito a pena ter ido,
Encontrámos um Maestro e uma Orquestra exemplar.
Estes séculos passados em Macau,
Teriam na comunicação e no diálogo a velha questão de sempre.
É possível comunicar e encontrar um entendimento único e próprio.
Sabemos da utilidade do futebol, tal como os signos do zodíaco,
para iniciar uma bela conversa.

A Música é a Paz.
O diálogo torna-se sensitivo, subtil e sincero.
O produto final adquire uma nova nacionalidade.

A paz.

quinta-feira, março 16, 2006

O brio









Grande Quase
Como é que isso vai?
Já passaram aquelas mazelas?
Há coisas que a idade não perdoa tio...
Eheheh

Por aqui a coisa está do melhor,
A orquestra tem um maestro prestigiado
e arrojado.
Os músicos são bem comportados,
E não como alguns dos seus colegas de Portugal,
agrilhoados por fantasmas de funcionalismo-público,
de comportamentos de putos por infância não tida.

Encontro brio por estas paragens,
Uma outra maneira.

Comunicamos.
Cruzamos a informação.
Tem sido bom.
Aceita o meu abraço.

terça-feira, março 14, 2006

Luar de macau







segunda-feira, março 13, 2006

Transito




Basicamente





Meu querido estimado
Escrevo-te em pleno voo.
São uma data de horas cumprindo um programa restrito
de possibilidades para espapassar o tempo.
As pessoas são basicamente iguais.
Têm os mesmos pavores e medos.
Isso transforma os circunstanciais comportamentos
em reacções semelhantes,
Eu gosto de voar por isso ya meu tásse bem!

Pensei nessas palavras que me deixaste.
Sim é verdade,
Manuel de Oliveira é para muitos, um factor de união
pelo riso e chacota de quem julga julgar.
Ele há de tudo.
É bom rir de nós,
dessacralizar,
não nos levarmos tão a peito.
Mas não creio ser esse o caso.
As maiorias têm as suas razões.

Então vá, vou aguardar o tempo
Acertando pela hora local e fazer o que dizes:
Estarei atento e activo,
Algo que me ocorra de relevo
Fotografarei
Cuida de ti

sábado, março 11, 2006

Os papagaios da ignorancia










Antes de mais, faz boa viagem João.
Aproveita essas oportunidades raras
e retém toda a informação envolvente.

sabores
cores
rumores
amores
aromas

Dar-lhe-ás a melhor utilidade

Leva-me a escrever-te
o teu compatriota e realizador
Manuel de Oliveira.
Tornou-se entre muitas pessoas que conheces
o uso capião de escarnear M.O.
sempre a propósito de algo de muito lento,
pesado ou maçador.
Por sua vez habituados e educados segundo
as normas do cinema em que os truques substituem
e compensam o enorme vazio, mostram toda a sua deseducação e indisponibilidade aos horizontes de outras aproximações artísticas.

Presta bem atenção às entrevistas de ensinamento
que Manuel de Oliveira raramente faz.
São as lições de vida que os jovens deviam
ouvir e reflectir.
Aprender sempre com os que sabem
deveria ser o lema.
Não desactives João.

Estarei sempre aqui para o que desejares.
Diz coisas de ti e de lá.


Q.

quinta-feira, março 09, 2006

O frango etico

Ó Quase!
Lá vou eu de novo.
Pra lá de cascos de rolha mais exactamente.
Uma aldeola lá no sol posto,
mais ou menos atrás das pedras percebes?
Longe como o caneco!
No epicentro de muitas doenças para lá de perigosas.

Conheço um restaurante de cozinha Tai que é do melhor.
Passarei lá a minha vidinha não tenhas a mínima dúvida.
Arroz introduzido dentro do ananás com os pedaços do mesmo.
Bom!
Já comeste cobra?
É tipo frango com espinha vertebral.
Frango ético?
Carne algo musculada digo.
Bué bom!

Invariavelmente, terei saudades da posta de bacalhau,
com uma brutalidade de azeite.
Assim desta maneira, ligo a Pátria ao estômago nostálgico.
Um novo conceito de nação surge nas entranhas é o que é.

Entendo tão bem os emigrantes, com o bacalhau e o queijo,
embrulhados oleosamente em papel pardo.

Meu querido amigo
Vou para mais velho e volto mais novo
como de costume

Hei-de contar-te um dia porque é que os prédios
altos têm grades nas janelas.


Ah! (esta coisa do ah, lembra-me o detective Columbo)
A propósito da ética galinácea, eu por mim, se fosse deputado da bancada da dita,
teria aplaudido o novo Presidente de Portugal.

É a partir de agora e para todos os efeitos, o meu Presidente.

quarta-feira, março 08, 2006

Espelhos














Oli Quasi
Fotografê prá ócê








A bonomia de uma tarde

A primeira aula de fotografia

A nabice da focagem óbvia

A simetria mais que aborrecida


- Sim, todos tiramos a mesma e depois?

Se partir esta foto, serão sete anos de azar ou mais.


O dia do homem







Não sei o que o meu estimado amigo
pensa sobre o assunto que logo pela manhã ouvia
de um respeitado senhor a propósito deste dia 8 de Março.

Dizia então o senhor:
- Quero deixar um beijinho especial
à mulher que me atura lá em casa!

Ao princípio até achei normal,
mais um dia entre muitos,
o dia da mulher, que uma vez por ano,
por ser apenas um momento tão especial,
nós reconhecemos todo um esforço de assinalar.
que até merece uma rosa!!!!

Assim, ao urso branco, ao panda, ao S. Valentim,
E por aí fora, junta-se também a mulher, esse animal diferente,
que também tem direito a um dia.
Mas apenas um.
Não abusar.


Para mim,
dia após dia, rosa após rosa.

Fiquei sim, convencido quando ouvi
o respeitável senhor,
Que hoje é de facto mais um dia de homem.


Ah!!
Hoje pode ser o dia do Benfas!!!

terça-feira, março 07, 2006

A mulher deitada










Meu Querido Amigo


São reconfortantes e sábias, as palavras por ti
sussurradas na sua maior doce evidência.

Assunto encerrado!

Há uns dias, pelas terras do meu interior,
no crepúsculo montanheiro,
misturava no horizonte
este registo sugestivo.

Esta mulher nua e deitada parecia
nadar em braçadas de terra até ao mar.

Ou simplesmente pousava para o meu desenho?
Fixei-a retinamente


Já viste a rapidez e a velocidade dos nossos sentidos?

Vão e vêm num abrir e fechar.

Toma-a nos teus olhos e vai em paz.

segunda-feira, março 06, 2006

O campo de milho

Carissimo João

Vejo-te inteiro.
Ainda bem.



Sabes que a ponderação tem o som
da harpa que se ouve quando atravessas
um campo de milho?

Sabes que a inveja é uma das doenças
que mais mortes tem provocado no teu povo,
meticulosamente e sempre à hora certa?

Sabes que a mediocridade tem um público
fervoroso e convencido da sua arrogante
verdade?

Digo-te como teu amigo sincero:

Corta a manipulação pelo mal
da rua raíz.

Sigo-te de perto meu estimado amigo

Q.



Abbas Kiarostami

domingo, março 05, 2006

A vertigem

Estou de volta meu amigo Q.
Confio-te algumas das palavras que a mim sorriram,
apanhadas do céu mais à mão:


Cintilas meu amor
Voo mais alto
Voo mais perto
Na tua vertigem
No teu mais fundo
Eu

Agarro-te
Apanho-te
Seguro-te

Não fujas antes que o sol te encubra
Não te escondas meu amor
que a noite mata-me só
e não tarda a ser dia

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Subir ao fundo

Meu estimado

Volto à montanha.
Talvez perceba um dia
porque voo tantas vezes em sonhos
de janela em janela
pelos beirais das casas de Lisboa.

Entendo o João Garcia.

A tentação de subir ao fundo do abismo.

O perigo de morrer ao fugir dela.

A gravidade em movimento ascendente.

Apressadamente!

Somos seres estranhos, nós os humanos.

Donde vimos?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Gatuno! Gatuno! Gatuno!




Olha Quase
Digo-te, este fenómeno do futebol tem
na verdade algo de muito que se lhe diga,
e o que te trago apenas faz sentido
porque tudo o que se passa fora das quatro linhas
atinge proporções que não têm absolutamente nada a ver com o próprio desporto em causa.
Apesar da evolução tecnológica, dos interesses dos dirigentes dos clubes, do seu poder indescritível, dos inúmeros programas de TV, da imprensa altamente rentável, dos fanáticos das bandeiras e claques, dos apaixonados que libertam a sua pressão, dos ferraris, de todo o azeite que escorre das cabeças platinadas, dos gestos provocatórios, apesar de tudo e tudo o que agora não me ocorre neste texto inacabado,
realizo que a chave do segredo do sucesso do futebol assenta na incapacidade de controlo total sobre tudo o que acontece em tempo real, sem hipótese de retorno.
Se algo acontece, simplesmente já passou, já era!
Se não, vira futebol americano, com as paragens para publicidade, para a revisão dos lances e sua possível correcção.
Lá se vai a piada da coisa.
Somos levados a concluir então, que a discussão durante a semana dos casos polémicos, são a negação da essência do futebol.
Tudo se esgota no final do jogo.
Não???
Ok!
Então vá!
Continuem...
Força!

Gatuno!
Gatuno!

Metem dó...
Ainda por cima vê-se logo que nunca jogaram futebol.

A janela embaciada

Querido Amigo

Não é que a luz faltou exactamente
na parte em que o actor, aquele do matrix,
um pouco duro, canastrãozito mas enfim,
ao contrário da... nem encontro palavras,
Charlize...
Chorei baba e ranho só podia.
Às vezes chora-se nas banhadas americanas.
Porquê?
Um sinal de fraqueza!
Que franqueza!
Fui à janela para ver se era geral... a avaria entenda-se.
Apenas no meu quarteirão.
Só para chatear mesmo ali ao lado, o projector
ilumina agressivamente o prédio em frente,
A pirraça do rico... palhaço!
Enquanto espero pelo piquete da EDP à espera da sua Opá,
embacio o vidro da janela com fúria de mestre.
Atenuo a violência do chato do foco, e penso numa data de gente antes de desenhar no vidro em branco.

Se um dia escreveres algum nome na tua janela,
foi porque pensaste numa data de gente também, mas...

Que a luz nunca te falte!

sábado, fevereiro 18, 2006

A muda mudança muda?

Estimado


Sorrateiramente e como quem não quer,
o DNA finou-se.
Tinhas dado por isso?
Pois...
Mudar, tem de se mudar, fazer qualquer coisa,
mudar apenas, aparecer com outra cara,
Rejuvenescer?
Não creio.
Passou-me ao lado a justificação, se é que foi dada.
De quem é o DN?
Quem são?
Não interessa.
Olha Quase, já me convenci que nos dias que correm,
a mudança só por si, passou a ser um acontecimento,
um facto em si mesma.
Fica-se mudo de tanta mudança Meu Deus!!!
Sim, serei sempre naifezito...
Nas tintas.
Quando as coisas mudam para pior manifestamente...
Era caro fazer o DNA?
Cansaço?
Sei que um dia um amigo dirá algo que assente na mão
como a defesa pela luva de Ricardo.
Para mim, já perderam.
Já não compro o DN à sexta.
Também, quem se irá importar.

E tu Quase, estás sempre na mesma.
Vais ficar quieto?

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Os cravos de fevereiro

Carissimo João

Disse-te uma vez que não iria nunca
responder à letra sobre as coisas que te trazem a mim...

Hoje passei por aí, e vi que tinhas cravos vermelhos na tua mesa.

Pensei que seria interessante falar-te disso.
Sabes que os cravos são as flores da época?
Sim, têm a conotação de uma época que vocês viveram mais tarde em Abril de 1974.
Em Itália também curiosamente.

É claramente a estação do ano em que a natureza rompe e renasce pelos buracos do muro do inverno ainda.
Aproveitei para te falar de Liberdade,
do quanto é difícil o seu exercício,
falar-te do sítio onde acaba a nossa e começa a liberdade dos outros.
Foram séculos de experimentação.

Respeitar a diferença?
Quantas vidas não terão custado?
Qual foi o preço que se pagou na luta por tudo
o que tu e os teus amigos agora usufruem?
Olha para trás, estuda a tua civilização,
porque ela edificou-se, por sua vez, em cima de todo o tipo de
Barbárie, por invasões em nome de Deus, por todo o tipo de atropelos até que, contradição ou não, a consciência cresceu ao ponto da vossa capacidade de autocrítica e auto análise definir as margens da clarividência, com uma clareza indesmentível.
Nada mau!

Gosto de te achar eufórico, um pouco ansioso e impulsivo todavia, sim...
Conta comigo tu, e claro os teus amigos pendulares também.
Não deixes de lutar sempre.

Q.



Vieira da Silva

O dia a dia

Ó camarada Quase
Já agora o que me dizes...

Dia dos canhotos

Dia dos que usam óculos

Dia dos que ainda vêm alguma coisa

Dia do peão

Dia do gato

Dia de e do cão

Dia dos avós

Dia do neto

Dia do tuning

Dia da OPA

E mais outros tantos
que fariam do nosso dia
um verdadeiro dia a dia.

O comércio agradece.
E nós, ya! É aquela!


Um abraço

terça-feira, fevereiro 14, 2006

A cidade do namoro

Caro João

Pondera
São séculos de tradição
Os teu antepassados levaram os costumes
Cruzaram informação genética
Dizes que te sentes leve
Que não te deixas contaminar
Pensa que o povo é soberano
Eles adoram matrafonarem-se
Deixa lá
É a imagem do seu ideal
e quem sabe dualidade sexual não assumida
Desconfia quando ouvires os teus amigos
exercitando a ideia de se acharem o macho

Vai a Veneza
Subtil
Sinuoso
Sensual
Secreto

Compreendo o que te irrita
Mas

Vai por Lisboa ao acaso
Encontras o inesperado
Nada se repete
Uma rua nunca é igual a outra
E vais encontrar
Uma rapariga descalça e leve
Descendo degraus e degraus e degraus
Até ao rio

Namora
Não odeies


Um abraço sem pontuação



Q.

Odeio o carnaval

Estimadissimo Quase
Quero que saibas

Ninguém me pode levar a mal
Mas eu odeio o carnaval

Não é fácil esclarecer
Sem ofensa ou maldizer
isto assim até morrer
Desconforto de assumir
Nem sequer admitir
Sem vergonha ou que tal
Por favor e sem mal
Eu odeio o carnaval

Um dia uma canção
Sobre tema tão distinto
Seja branco seja tinto
Como o circo no natal
Depressivo e fatal
Faça chuva ou faça vento
Eis chegado o momento
Encarar o que é real
Vou lutar o ideal
O fado negro que souber
O bem haja ao que houver
Vou-me rir o ano inteiro
Como ouro a seu mineiro

Não me levem a mal
Mas eu odeio o carnaval

E toda a pontuação
O meu nome é João

Ponto

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A campainha

Caro João

Ocorreu-me que poderias achar piada:



“ Toca-me no nariz
Sempre que me encontrares
Abre a minha porta
Tocaram os sinos do teu povo
A rebate repicando
Vieram todos e todos
E no fundo dos teus olhos
A chama do teu brilho
Brilhou
Tanto que não me perdi
Tanto que nem me lembro
Onde estive “




Q.

A luz ao fundo

Meu velho amigo,
não duvides,
isto anda perigoso.
À violência da representação cartonista ocidental,
a resposta violenta que não se fez esperar.

Mudo a agulha,
falo-te de uma iniciativa em que participei,
que de tão inédita e tão interessante
faço tudo para a expandir,
com toda a minha força.

Participei num encontro promovido por várias famílias
em que abertamente se discutiram assuntos,
que no meu caso, implicitamente tiveram incidência evidente
na Música Portuguesa dos últimos anos
e no ensino, e não só mas também, na razão proporcional
de uma actividade física a começar na primeira infância.
Este encontro deu-se numa sala de estar de uma casa privada.
Toda a gente sentada em silêncio activo.

Imagina tu
que este tão pequeno evento privado
insuflaria de tal maneira,
que todos aqueles nos quais as pessoas confiaram a sua memória,
escritores, pintores, filósofos, políticos, jornalistas, etc. etc.
iriam em tournée gigantesca pelas famílias de Portugal, que se
preocupam e investem na qualidade do tempo que passam com os filhos?

Terias aqui um belo exemplo de partilha, em que as mentes se questionariam mais do que a fatal opinião formatada
por televisões de qualidade duvidosa, inevitavelmente fariam, e... fazem.

Acredita que a utopia tem um túnel cuja luz
lá no fundo adquire todas as colorações que quiseres.

No fundo... uma questão de imaginação.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Não!

Meu estimadíssimo:

Ouve, tenho mesmo que desabafar,
que caraças!

Chego a um estabelecimento por volta do meio dia,
procuro se podem fazer uma matrícula nova.
Há dois dias que me passeava sem que ninguém desse por nada,
a não ser eu, com aquela sensação da meia rôta no dedo do pé grande... sim... no dedo grande do pé.
Toda a gente a olhar para nós...

Em menos de uma hora, tinha de novo a matrícula, e seguia viagem.

Agora que já passou, diz-me por favor, porque é que a primeira resposta do senhor ao balcão foi:
- Isso para hoje não vai ser possível.
Duvidei...

A segunda:
- Estão cerca de sete placas para fazer antes da sua.
Sorri...

A terceira finalmente:
- Se quiser esperar, pode ser que tenha sorte.
Abri o sorriso...

A sério, ajuda-me, diz-me a razão de ser para este comportamento tão estranho e tão corrente entre nós.

Porquê?

Sempre que alguém pede uma info ou um serviço,
vem de lá invariavelmente um:

NÃO!!!

Vais aqui a Espanha, entras numa tasca a abarrotar de gente,
pedes um bocadillo de qualquer coisa e a primeira coisa que tu ouves é:
Ahora mismo lo traigo!

Agora entendo as reportagens cada vez mais deprimentes,
sobre o que todos fariam se fossem os europremiados,

mudariam de emprego...
Nota-se mesmo sem prémio.

Que merda!


sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Mergulho nocturno

Querido Amigo:
Queres saber o que um invisual sente?
Mergulha no oceano até ao fundo da noite
e sente apenas



Era noite quando chegaste

Vendei os meus olhos
e mergulhei ao largo no mar profundo

Todos os sentidos se apuram no estranho meio
de te não ver

Foi então que te descobri

Rápido ancorei o meu batel em ti e
sem tempo a perder na tua praia rezei a primeira missa
Trocamos objectos de boas vindas
as palavras escolhidas ao acaso poético

a silhueta da tua alma
ali na minha mão

Sei agora que se pode amar uma alma
Por isso acredita

Almo-te meu almor!

terça-feira, janeiro 31, 2006

o bocejo









Quaaaaaaase.
Estás?

Ouve:
Diz lá muito rápido:

Ó vida das vidas que a vida minha me deu,
que até a vida das mais vividas vidas,
ensina a viver com tudo o que a vida me dá.


Isto tudo dentro de um bocejo.

Já viste?

Experimenta.


Mas...também tens a alternativa do meu bocejo cristão:

Ai Jesus Maria
Santíssima do
Sacramento do
Rosário de
Fátima...
Amén!

Este tem mais groove.

Escolhe.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

7 beijos













Meu Querido Amigo:

A vida continua orgânica tal como nos foi dada a conhecer.

Uma bola parada

Um gesto provocatório

Um floco em Lisboa

Uma cidade recolhida

Uma criança salva

Uma boa notícia

Um café com vista

Um beijo de relance

Um olhar penetrante

Um frio de rachar

Um copo de vinho

Um mau resultado

Um cheiro de mar

Uma noite devida

Uma ideia feita

Um beijo

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mozart

João:

Que bom festejar.
Fantasiar.
Tantos artigos e páginas de jornais e revistas.
Endeusar um jovem compositor.
Ainda bem.
Passaram 250 anos.
Mozart continua por aí.
Podia ser um milagre da passagem de Deus pela terra.
Mas, não figuram músicos nos altares.

Mozart.

A música revela-se!

Declara-se!

A luz .

A vida.

É possível viver nos intervalos da morte.

Eleva-te!

Vai!

Q.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O custo de vida


Andreas Gursky




Desculpa-me Quase,
nem era para te ligar, mas achas normal que uma conhecida marca
de hiper-mercado se vanglorie constantemente de,
ano após ano, conseguir baixar os preços,
suportando o aumento do IVA, aguentando tudo?

Pois eu digo-te qual o sub texto de tão subtil
publicidade generosa e caridosa:

Especularam tanto e tanto,
os preços eram de tal maneira elevados,
que agora se dão ao luxo de gozar com a situação.

Fica aqui registado, da minha parte,
a certeza de que o custo de vida em Portugal
podia não ser tão elevado.

Olha Quase, há coisas de que não me importo de saber,
apesar de as compreender na sua essência,
mas gozar com a nossa cara é um pouco demais.

Imagina que na minha retrosaria faço o mesmo?

Está certo!

Delicadamente a oriente

Estimado e delicado:

Como vão as coisas Quase?
Sei que ouves sem que te sintas obrigado a responder.
É tão difícil que alguém nos ouça... apenas.
Não! Não me queixo.
Quero apenas que saibas o quanto aprecio essa tua maneira de me ouvires, sem que venha daí uma interferência ou julgamento.
Confio-me a ti.

Lembrei-me de te falar dum comportamento exemplar,
que dificilmente, a não ser por pânico geral, terá espaço entre nós.
Se fores a Tóquio, verás que todas as pessoas que têm sinais de gripe ou constipações virais de estirpes variadas,
identificam-se e protegem os demais, usando máscaras brancas,
anulando ao máximo o contágio normal transmitido por via aérea.
Nas ruas, nos autocarros, no metro, nas empresas ou em casa,
as pessoas respeitam-se a esse ponto.

Achas que um dia faremos tal?
Entrarias num táxi, cujo condutor tivesse uma máscara sem que
concluísses que tu correrias algum perigo?

Aqui entre nós, o perigo anda sempre escondido e a céu aberto.

Espero que estejas bem.
Um abraço.



Araki

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O Presidente Sampaio

Grande Quase:

Vim só para te deixar um recado,
ao qual darás o melhor seguimento:

Diz ao ainda presidente Jorge Sampaio,
que o abraço com o barulho a condizer.

Que lhe agradeço o convite que nos fez juntar de novo
no pavilhão atlântico.

Que vamos ter saudades das suas lágrimas fáceis e generosas.
Que não esqueceremos nunca a expressão da sua alma enquanto cantávamos a Timor.

Que um bom Presidente é aquele que chora por ver o seu Povo a rir de sua alegria.


Que terá de todos nós o que muito merece:




A nossa admiração.

Dois homens e um destino

Estimado:
Já sabes de tudo não?
Estamos todos felizes por aqui.

A harmonia.
A retoma vem aí com o salvador.
Viva!
De que se queixam os Portugueses?
Vá, tudo a trabalhar e alegria nisso.
Isto agora é que é!

Ganhou o candidato que melhor acerta o seu relógio
pelas políticas deste governo desenhadas previamente na europa central.
Duvidas?

Eu, se fosse o Primeiro, não hesitaria em fazer o mais possível
Para por tudo em prática.
Já!

Será que a oposição já realizou que não falta nenhuma a partir de agora?
Um pouco exagerado...
A oportunidade para a grande unidade.
O bloco central domina agora em toda a linha.

Julgas que pratico o escárnio não é?
Conheço esse teu riso.
Fico no entanto um pouco curioso sobre o desenrolar
da nova novela que está a ser rodada na OTA.
Como vai acabar?
Quem foi o assassino?


Não desejo o mal de ninguém, e muito menos do povo a que pertenço.
Para o que der e vier sou um deles.

Um abraço!

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O peixe a cana e a sabedoria

Meu querido amigo Quase:
Nunca falámos de eleições,
nunca soube o teu sentido de voto.
Creio aliás que tu nunca votaste em Portugal,
estou errado?

Queria estar no teu lugar,
queria estar em todo o lado e em nenhum,
teria outro tipo de deveres, outro tipo de obrigações.
Não estaria preocupado com assuntos pontuais de cada país,
região, cidade ou clube de esquina.

Nunca teríamos esta necessidade comum, de comprar as coisas
de que necessitamos realmente para sobreviver, e termos de ganhar dinheiro para isso.
De termos de guerrear constantemente por afirmação de identidade ou valores éticos.

Quase:
Ajuda-nos!
Não tens de nos dar o peixe, a cana ou sua aprendizagem,
Dá-nos a compreensão,
Dá-nos a lucidez
Dá-nos a sabedoria

Ensina-nos!

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Sou Angolano




Muito bem!

Julgo ter entendido Quase...
Mas que raio de coisa tu fazias em Lisboa naquele ano?
Donde vens tu?
Hei-de saber um dia.
Juro-te!

Antes de te enxovalhar na tua petulância Caravaggiana,
Dedico-te uma bela canção:
Linda é linda...
Desculpa!

Deixo-te dois contrastes que falam a mesma língua,
pode ser?

A piscadela de olhos que José Rodrigues dos Santos
decidiu implementar na informação mais credível de tão tão tão e mais tão, serviço público ser...
que por tal e tal e... mais tal, me apetece endossar para ele, o destino cúmplice da parte que me cabe nos meus impostos.
A chamada instituição do olho.

Por outro,
A comovente declaração de Pedro Mantorras, que não festejaria um golo marcado a Portugal.
Por ele e por muito, considero-me Angolano.

Agora sim Quase:

Vai-te esconder!

O mercador de Lisboa

Ouve João:
Não te vou responder à letra.
Tudo o que seja relativo à tua vida profissional,
e ao respectivo encaixe social,
será sempre uma descoberta que terás de fazer sózinho.
Pelo teu próprio pé.
Prefiro contar-te isto que se passou bem perto de mim:

Estaríamos aproximadamente no ano de 1510,
vejo um mercador de pêra e bigode, saindo apressadamente de uma casa,
uma rapariga de tez ruiva, gritando atrás dele cai desamparada.
Sem hesitar, parei o meu trânsito e ajudei a levantar aquela criatura de cabelos de fogo e olhos negros.
Beijei sua mão e deixei-a por ali, um pouco mais recomposta.
Iniciei o meu passeio pela orla ribeira, inspirado pela maresia robalina até que
dou de caras com o dito cavalheiro gritando para um Genovês,
que lhe pagaria mais pela mercadoria desejada por outro mais que viesse.
Entretanto chegou um Castelhano que exigia, com ganas, aquilo que acordara anteriormente com o Genovês.
O mercador inflectiu então num discurso inflamado, que jamais faria tal coisa a um colega.
Fosse ele cão.
Contribuí à cena com o sorriso mais generoso que me saiu ao momento.
Com meus áás continuei continuei continuei e... quando o sol há muito arrefecera,
entrei num dos muitos tascos do campo das cebolas, que nunca apreciei seja sincero
e lá estava o nosso homem, embezanado pelo vinho mais ácido até então, cantando mal, uma velha melodia que, segundo ele, teria ouvido de um cantor marinheiro vindo dos mares do norte:
-Ai lambiu beibi...
E nos intervalos de tão gemido desafinado, dizia ele para o tasqueiro que o olhava sem ser nos olhos:
Esta minha vida é um desenrascanço!

Suspirava...



Acredito João, que tu e os teus, descendem daquele mercador incansável no seu serviço.
Não te ofendas!
Às vezes lembro-me de Caravaggio,
como ele se ria desbragando as suas bandeiras.


Respeitosamente

Q.



Caravaggio, O sacrifício de Isaac

terça-feira, janeiro 17, 2006

Salva-vidas

Meu Quase:
Nesta próxima quinta-feira, será votada a lei relativa às rádios de Portugal.
Vou falar-te disto e, por favor,
promete-me que vais pensar.
Preciso de ti!

Não é uma lei para sexta–feira.
Acredito numa alteração gradual de hábitos de consumo.
Doutra maneira, somos um Povo que não existe em parte alguma, um amontoado de pessoas.
Lembras-te quando foi imposta a lei que obrigava ao uso do cinto
de segurança?
Vincava a camisinha riscadinha do jovem bolsista...
Agora é apenas mais um reflexo condicionado.

Digo-te:
Esta lei pode funcionar na medida exacta, sem constituir uma guerra aberta com os radialistas.
Eles vão tentar segurar o seu emprego. É justo mas,
provavelmente, estará em causa um País com um futuro mais longo que a nossa precária vida temporal.
Cansa-me um pouco esta mentalidade doce e passiva de quem só vê apenas a roda de sua bicicleta.
Pensa nos músicos que estão para nascer,
ajuda-me!

Portugal tem de valer a pena.

Os inimigos moram a teu lado.

Traje de luzes

Sim João, de facto a lide, e a ideia de sol e sombra,
tem suscitado de tudo um pouco.
O sol que ilumina o gesto,
a luz de um traje que pelo animal estropiado,
tem gerado palavras, cujo peso e massa
dele brilham, brotam e sangram.
A sombra feita por um animal barbarizado,
mas cuja vida depende apenas da má sorte que lhe está destinada, como uma galinha que nasce para o efeito
sem uma causa...
Nada te choro.
Quem enfrenta um animal ferido, sangrado e enfraquecido,
às penas e lamentos não deve exigir.
Sei que os códigos de afirmação entre um grupo de homens,
nascidos e criados em lezírias, encontram muitas vezes na arena,
a galhardia e a coragem de um vínculo, uma identificação ou um sinal dentro de uma tribo qualquer.
Depois, vêm suas mães lamentar e apanhar a dor que caiu por terra.
Tudo isto tem um passado.
Sim, tens razão que me deu um certo jeito,
não tenho que me justificar a ti ou a quem quer que seja,
mas não tenhas dúvidas:
É na verdade mais fácil escudar uma opinião numa verdade aparentemente justa e correcta.
Mas não chega para entrar no céu.
Consuma-se internamente no presente colectivo... apenas.
Por isso, apelo-te para a compreensão dos homens, para a explicação das estrelas.
Porquê tudo?
Não te apresses a dizer não.


Cordialmente

Q.


segunda-feira, janeiro 16, 2006

Campo de silhuetas





Quaaaaaaaaaase:
Estás aí?
Não?
Estás bom?
Já te passou aquela dor?
A idade não te perdoa...
A malta compreende.
Já tinha uma mão cheiinha de saudades.
Vinha no caminho com um olho no infinito
e o outro tentando adivinhar o centro exacto
entre os pinôcos que estão na berma do alcatrão.
E assim, batia com o pé ao encontro de uma cadência.
Uma maneira de compassar o tempo certo na velocidade constante.
A estrada sempre me encantou.
E tu, como encontras a velocidade e o movimento nas tuas abstracções coloridas?
Adorava assistir às tuas aulas, mas tu tens cá um feitiozinho... Jasus Maria...
Foi então que no outro olho, o do infinito topas? Enfrentei esta silhueta
que indentifica a léguas este enorme Pais cheio de Países.
Reconheces que esta velha questão da lide, faz de cólera os suaves Portugueses,
tornando-os bravos bravios da Paz entre os animais, não? Não! Nãuu?? Não!!!!
Vês? Não é fácil, por isso fecho-me em copas até encontrar um jeito
de exprimir seja o que for, sobre uma matéria tão controversa.
Dirás da tua justiça se achares por bem,
mas tu próprio sabes que a gestualidade tauromáquica,
foi-te de feição naquele teu quadro um pouco Goyanista mas enfim...
Havemos de falar mais sobre isto.

Agradeço-te as palavras, sei que não facilitas a ausência de não estar.

Estou-te grato por tudo.

Um Abraço meu querido amigo, e boas melhoras.

domingo, janeiro 15, 2006

A espantosa realidade

Olá João:
Na tua ausência tenho pensado nas coisas que me tens segredado.
Nos teus amigos, nas pessoas que amas,
no teu País e, por vezes, no impulso imediato que te leva por aí adiante, sempre tomado e possuído por uma intuição
que te ilude na ilusão.
Enfim lá vais, lá continuas.
Ainda esta semana, um aluno me questionava sobre a intuição que o tinha assistido na hora de uma decisão dolorosa, acerca de uma relação profissional que, uma vez chegada ao seu termo, estava agora a provocar-lhe alguns danos no sangue de sua afectividade e, enquanto ouvia..., pensava em ti,
e em que sorte foi a tua.
Preocupa-te.
Não te percas nem te distraias.
Ouve os outros.
Observa.
Já viste o que pode estar por detrás de cada rosto?
Tudo o que me dizias das traseiras de uma cidade,
também se encontra nos olhares que se cruzam casualmente.
Alguns, são tristes de castanho intenso, outros de azul esquecido e vago, muitos tocam e fogem, temerosos por desvendarem coisas da sua alma.
Lá vão na sua caminhada diária, espantados pela espantosa realidade.

Olha bem e vê.

Deixa-te levar pela intimidade da intuição.

Cordial o meu abraço.

Q.



Sebastião Salgado

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Caro Joao

Caro João :
Inesperadamente,
sou eu que te escrevo desta,
e faço-o com o gosto que imaginas.
Não te quero sentir assim ao longe, um pouco angustiado.
Tirar-te o peso da obrigação, a que a mim te obrigas,
é minha obrigação.
Tu próprio o afirmas quando me apelidas de teu quase.
Gosto de ser o teu quase, mas não te forces a mim.
Deixa-te assim.
Diariamente espero o toque do carteiro, é certo.
Estou sempre curioso de ti, das tuas coisas e problemas.
Obrigado pelos teus alguns momentos de absoluto delírio que partilhas comigo.
Mas, ouve-me:
As minhas aulas continuam como sempre,
os meus alunos entendem coisas, tocam nas cores,
fazem um esforço sincero,
isso encanta-me.
Tenho exposto os meus quadros,
a vida segue o seu rumo, o fogo não se apagou.
Auto-retrato-me sem que ninguém o entenda,
vou criando sulcos, esquizofrenando através do universo colorido.
Enfim, tal como tu, vivo!
Entende que é bom este descanso de ti.
Sucessiva, é a entrega de correspondência, e por mais que fantasies, acabas rotinando o que não queres .
Deixa-te.
Estou bem.
Espero que tu também.
Um abraço sincero.


Q.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

La fora a chuva dentro




Chove a cântaros ou chove a cantãros?
Onde fica o assento afinal?
Na Assembleia?
Ou tem acento no banco?
Onde está a çedilha?
Por baixo de mim?
Ou de ocê?
Nas confecções da seda?
Sedá que é cera?
Cerá?

Esquece!

Chove comócaraças!

Dâçe, dâsse ou da-se?

Beiços!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Adios!




Meu Amigo e Quase Diário:
Vou-me embora.
Adoro fazer esta mala apressadamente.
Deixo-te por uns dias apenas, eu que nem sou teu pai sequer, preocupado porquê?
Aguentas-te sem mim?
Tomas tudo a tempo e horas?
Sei lá, essa cena das vitaminas, e tal...
Ok!
Já tens idade.
Sim, volto para votar,
Não stresses!!!!!

Olha:
Vês?
Confio nesta coisa, sabes?
Desci muitas escarpas e montanhas preso a ela.
Desde o mais alto glaciar até aos quintais sem pendente,
confiei-lhe sempre o meu breve destino.
Vício puro.

Ouve:
Espera por mim por favor!
Informa-te!
Lê!
Não vás em conversa!
É tão fácil manipular!
Pensa pela tua cabeça!
Não! Não é tão obvio que a informação seja livre!
Cuidado!
Crucial!
Acompanha a questão de Israel.
Vai-me dizendo!

Conta nove luas

Abraço!