quarta-feira, agosto 31, 2005

Actos de coragem nas traseiras de Portugal

Um responsável do urbanismo da Câmara Municipal do Porto, quando denuncia situações muito graves, é :
Um acto de grande coragem.
Um Bombeiro que se manda com tudo o que tem, para a frente de um fogo, é :
Um acto de enorme coragem.
Um jovem compositor que se dê à morte, a cantar em Português, é :
Um acto que pode responder a um apelo mais do que o seu próprio presente. Consciente ou não, vem contra a maré.
Um qualquer político que, vindo do mercado de trabalho e não de uma jota de jovens parasitários, se entregue à missão de servir uma causa pública, e não o partido e os interesses que o suportam, é :
Uma pessoa séria, ou seja, um acto de grande coragem em terra de espertos.
Uma ou um enfermeiro anónimo, que dão diariamente dignidade e afecto, ao sofrimento sem cara, por vocação, já que, tais coisas não constam nos benefícios da penincilina, é :
Um dos actos mais extraordinários de que o ser humano é capaz.
Um partido político que integre os cidadãos da grande população africana, com todos os direitos iguais aos nossos, é :
Ou seria, um facto de tão inédito, um intervalo de lúcida coragem colectiva, e um grandioso acto de histórica coragem.
Uma pessoa que se exprima artisticamente em diversas áreas, que viva a muito ou pouco custo do seu trabalho sem o apoio do Estado, e não precise de dizer mal dele ciclicamente para sobreviver à falta do seu próprio talento, é:
De tal maneira , um acto de coragem, que deveria ser medalhada ao dia 10 de cada mês.

Muitos e muitos mais se afirmam nas traseiras de Portugal, mas apetece perguntar:

O que é a normalidade?

5 comentários:

soniaq disse...

Pois é, mto bem dito!
Não sei o porquê de Portugal não amar os seus artistas, só os ama depois do reconhecimento deles no estrangeiro, é melhor cair em graça do que ser engraçado.
Acredito que tudo poderá mudar um dia para melhor, assim o espero e desespero por isso.
Já agora, gostava de lhe dizer que o admiro e a sua humildade e disponibilidade me surpreenderam.
bjinho
sona

JL disse...

estava capaz de te dar um abraço.

um estranho disse...

é mesmo o que apetece.

Lala disse...

Estou a ver se a descubro. E cada vez há menos frequentadores das traseiras, ou é só impressão minha?!

andrezero disse...

cá vou de arquivo em arquivo a sorver esta prosa sincopada do joão gil e que bem me sabe

confesso que ando à procura de saber o que pensa o joão da eventual crise da suposta mpp

por amostra mais genérica e abstracta sobre a arte, parece-me que vou gostar