segunda-feira, novembro 21, 2005

A dois terços de uma quase utopia

Meu querido quase diário:
Quero falar-te de uma questão quase utópica:
Vá lá!
Leva-me a sério de quando em quando.
Não sejas assim.

Quais os mecanismos que nós,(os que não estão lá na feira quando a campanha passa), poderíamos utilizar
que obrigasse a classe política a um entendimento numa determinada matéria sensível?
Explico:
Imagina que, tal como o documento da constituição, a Assembleia decidia, por maioria de dois terços, um projecto para 30 anos na área da educação, discutido abertamente por toda a sociedade civil, o tempo que fosse necessário,
até ao equilibrio mínimo de um consenso algures.
Depois, uma vez aprovado, uma vez respeitado, uma vez sacralizado,
seria por todos aplicado como mandariam as regras.
Não será esse o Portugal que nós deveríamos exigir?

Porque não nos entregamos a uma relação de novo tipo?
Uns com os outros?
Um País que saltita de quatro em quatro, nem sempre anda bem.

Deixo-te estes tópicos de uma quase utopia.
Pensa nisso.
Qualquer dia volto a chatear-te...

....Sim...continuo a pôr fotos...

10 comentários:

Fernanda disse...

É uma proposta bem interessante e desafiante para todos nós. E não será assim tão utópica... Creio que um dos países nórdicos, não me lembro agora qual, tem algo idêntico relativamente ao seu Plano de Desenvolvimento, que terá sido discutido com os diversos parceiros, e que passou a assumir valor e compromisso de Constituição.

A confusão e desânimo que se vão instalando, se calhar, podem ter um efeito positivo... lançar em nós, não políticos, o "bichinho" para uma maior intervenção no colectivo, e em colectivo.

Mensagens como a do João, que já intervêm no/para o colectivo, são "achas" bem desafiantes.

Obrigada.

Uma semana boa, enriquecedora e desafiante para si

Ah... já me esquecia de perguntar... onde posso encontrar o livro? Já espreitei em duas livrarias e não o vi...

nascitura disse...

Educar é preciso...
Educar é preciso...
Educar é preciso...

Bora lá fazer qualquer coisa.
Nem é preciso ser uma grande coisa.
Se sentimos essa necessidade e a transmitimos, então alguma coisa estamos a fazer.
Estamos a pensar no assunto.
Um bom começo.

soniaq disse...

O pior é que se não saltitamos de 4 em 4 anos isto poderá tornar-se uma ditadura, há utopias que se transformam rapidamnete em pesadelos, uma vez que são feitas por Homens, mas concordo plenamnete contigo e estou disposta a discuti-lo e a tentar ajudar em tudo o que possa.
até João e desculpa se não percebi.
beijoca

Maria disse...

Não nos podemos esquecer que as utopias estão na base dos sistemas totalitários...são demasiado arriscadas, Penso que seria suficiente que o Parlamento funcionasse e que os eleitos trabalhassem e fossem obrigados a cumprir os objectivos a que se propõem na carnavalesca campanha eleitoral. Enquanto não houver responsabilidade efectiva pelos actos que praticam, os eleitos estarão sempre num pedestal, intocáveis, e à mercê das marés dos lobbys, do dinheiro, saindo sempre incólumes e mais influentes para a sua vida profissional...Enquanto os cargos públicos não forem ocupados por pessoas competentes e com habilitações adequadas, não há sistema que aguente...Agora que a expressão político profissional está tão em voga, achoq ue faz todo o sentido, por exemplo, que a Ministra da Educação saiba o que é ser professora, conheça por dentro o sistema de ensino, que o Ministro da Saúde saiba o que é ser prossional da área e assim sucessivamente...Não lembra a ninguém que um médico vá para Ministro da Justiça, pois não? Porque há-de ir uma socióloga (investigadora sem experiência de ensino) para Ministra da Educação? Sinceramente, não compreendo, ninguém contrata um advogado, por muito bem cotado que esteja na praça, para fazer um projecto de arquitectura...

António_Pinto_de_Mesquita disse...

Oi,
Quanto a utopia, seria simpatico, mas como te dizem os teus outros posters (será assim que se diz?) o resultado practico de não haver troca-troca de 4 em 4 anos provavelmente seria ditadura.
Mas imagimando que isso era possivel sem uma ditaddura, ou seja em anarquia sincronizada (regras sim, mas não tanto com base no voto ou na ideologia, mas mais com base em fazer o que é correcto, chegando a consensos. bom acho que isso seria perfeito! talvez tivessemos crianças, jovems e adultos conscientes, cultos e aptos a participar no seu governo em vez de apenas aptos a escolher o melhor entre o que há!

Abraço e espero pelas fotos!

Giraluas disse...

Será utopia? Outros o fizeram, outros o fazem. Se sempre for para nós utópico ter um rumo, sabermos para onde queremos ir e... fazermo-nos sem dramas a essa estrada... mais vale admitir que somos como povo uma utopia. Prefiro por enquanto acreditar que essas coisas não são sonhos. Que são realidades à espera de acontecerem.

marigold disse...

Compreendo a preocupação e ate acho interessante a ideia, mas isso seria castrar a mutabilidade do tempo, de uma sociedade que não sobrevive a leis rígidas e constitucionais. Não estamos mt bem como estamos, é verdade, mas não seria essa a solução, a meu ver... contudo achei pertinente a reflexão.

Mariana Matos disse...

Hoje é o dia mundial dos músicos. Parabéns, João. ;)

soniaq disse...

Deixo aqui uma reflexão que me foi enviada por uma amiga.
Achei pertinente!

A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda, há uma lei de Gresham: o homem que visa objectivos mais nobres será expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira.
Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra nação. Vivem à custa do «ruído e da fúria, que nada significam». Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe.

Bertrand Russell, in Ensaios Cépticos: A Necessidade do Ceptcismo Político

Diogo disse...

João deixe-me deixar aqui uma palavra de obrigado por toda a boa musica que nos tem oferecido e a filarmonica entao... que som desde que comprei o cd ainda não parou de tocar parece que se torna viciante.
João uma vez mais Obrigado.