terça-feira, fevereiro 07, 2006

Não!

Meu estimadíssimo:

Ouve, tenho mesmo que desabafar,
que caraças!

Chego a um estabelecimento por volta do meio dia,
procuro se podem fazer uma matrícula nova.
Há dois dias que me passeava sem que ninguém desse por nada,
a não ser eu, com aquela sensação da meia rôta no dedo do pé grande... sim... no dedo grande do pé.
Toda a gente a olhar para nós...

Em menos de uma hora, tinha de novo a matrícula, e seguia viagem.

Agora que já passou, diz-me por favor, porque é que a primeira resposta do senhor ao balcão foi:
- Isso para hoje não vai ser possível.
Duvidei...

A segunda:
- Estão cerca de sete placas para fazer antes da sua.
Sorri...

A terceira finalmente:
- Se quiser esperar, pode ser que tenha sorte.
Abri o sorriso...

A sério, ajuda-me, diz-me a razão de ser para este comportamento tão estranho e tão corrente entre nós.

Porquê?

Sempre que alguém pede uma info ou um serviço,
vem de lá invariavelmente um:

NÃO!!!

Vais aqui a Espanha, entras numa tasca a abarrotar de gente,
pedes um bocadillo de qualquer coisa e a primeira coisa que tu ouves é:
Ahora mismo lo traigo!

Agora entendo as reportagens cada vez mais deprimentes,
sobre o que todos fariam se fossem os europremiados,

mudariam de emprego...
Nota-se mesmo sem prémio.

Que merda!


13 comentários:

Joana disse...

É deprimente mesmo!
Será que anda tudo a fazer o frete?
Não seria melhor atenderem-nos com um sorriso para serem retribuídos?
Para se sair da depressão o melhor é mesmo começar a sorrir. Boa João!

Beijo

Ana disse...

vem a calhar...

PORTUGAL PORTUGAL

"Tiveste gente de muita coragem
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impor a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar"

Letra e Música, Jorge Palma

Beijo,
Anapend

nascitura disse...

então e em França!

- Bon jour Monsieur/Dame
- Au revoir Monsieur/Dame

isto em cafés, restaurantes, portagens, supermercados, etc.

psicodivino disse...

Vai terminar esta prosa
Estamos na década de Salomé
Será o Apocalipse ou a torneira
a pingar no bidé?

É meio dia dia de feira
mensal em Vila Nogueira
Estamos na década do bricolage
Diz o jornal que um emigra
morreu afogado em Mira
Antes da data
Do mariage

Estamos na Europa
civilizada
já cá faltava
uma maison
pour la patrie
p'lo Volkswagen
acabou-se a forragem
viva o patron!

Já tem destino esta terra
vamos mudar para o marché aux puces
o tempo das ceroilas está no fio
agora só de trousses.

Saem quarenta mil ovos moles
Vilar Formoso
é logo ali
faz-se um enxerto
com mijo de gato
Sola de sapato
voilá Paris!

Aos grandes supermercados
chega cultura num bi-camion
Camões e Eça vendem-se enlatados
lavados com «champon»

É meio dia dia de feira
mensal em Vila Nogueira
Estamos na década do bricolage
Diz o jornal que um emigra
morreu afogado em Mira
Antes da data
Do mariage

Estamos na Europa
radarizada
já cá faltava
uma turquês
para o controle
do bravo e do manso
vivaço e do tanso
em cada mês!

A fina flor do entulho
largou o pêlo ganhou verniz
Será o Christian Dior o manajeiro
a mandar no país?

Estamos da Europa
do «estou-me nas tintas»
nada de colectivismos
chacun por si, meu
e chcaun por soi
tê vê e cama
depois da esgaça
até que lhes dê a traça
a culpa é toda
do erre Hagá.

Levam-te à caça
dos gambuzinos
com dois ouriços
em cada mão
ai velha fibra
do bairro de Alfama
a carcaça do Gama
vai a leilão!

Década de Salomé (José Afonso)

um estranho disse...

Lembro-me do meu pai.
Ainda não tinha feito a pergunta até ao fim ...

- Pai, posso...
- NÃO!

nascitura disse...

tenho a sensação que o NÃO significa frustação.
alguém feliz, pelo menos, ouve outro alguém com um sorriso nos lábios.
e porque é que anda meio mundo infeliz?

125_azul disse...

Mas tu estiveste bem, João. Tu sorriste, e à medida que abrias o sorriso, aceleravas os processos mentais do cavalheiro em questão.
Eu sorrio sempre, às vezes funciona, mas suponho que com o teu maravilhoso sorriso funcione sempre...

Mariana Matos disse...

Sorrir é o melhor remédio...

M disse...

E pintamo-nos com as tintas que temos ... a nossa bandeira às vezes é feia, mas parece-nos grande e bonita quando ganhamos nos jogos olimpicos e ouvimos o Hino!

No entanto é feia!

125_azul disse...

obrigado por explicares o teu 125 azul. o meu foi oferecido, assim, já 125, já azul...
Eu só continuei.
Continua também, escreves bonito.

um estranho disse...

A bandeira de Portugal é forte e lindissima.

Marketeer disse...

Conhece a cidade alentejana de Vendas Novas? A Geração VN vem convidar todos os visitantes deste blog a passar por lá! É só clicar no link! Até já!

muguele disse...

Até conheço uma loja onde não era costume dizerem-te não.
E até quando uma vez te adiaram o sim, não passou de uma "conspiração" para alguém te fazer uma boa surpresa.
Olivais sabes? Eu sei!