quinta-feira, agosto 04, 2005

É uma história de carácácá eu sei...

Não quero embirrar, mas por acaso vocês não acham estranho, que nos minutos de silêncio que têm sido praticados nos estádios de futebol, por razões mais que justas e assinaláveis de intensa solidariedade, sejam sempre acompanhados de salvas de palmas e uma enorme dessincronia caótica, em que apenas os jogadores parecem levar a sério o recolhimento, tornando-se "artistas" de um espectáculo que está a ser visto apenas , e não sentido por todos?
Devo estar maluco, mas este comportamento colectivo, dá-me cabo dos nervos.
Um minuto de silêncio, na minha terra, significa introspecção , não?
Não devia constituir o silêncio da intimidade colectiva, tal como o nome indica, uma força intimidatória e condenatória de todo o tipo de atentados, inclusivamente da morte que subitamente pode vencer a vida ainda jovem e prematura?
Eu acho que sim , mas pronto...devo estar a ficar maluco...

O silêncio intimida mesmo, caramba!

6 comentários:

Willowsss disse...

good post... thanks.

Jon
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A.P. disse...

Realmente não sei o que se passa nestes dias que há uma imensa vontade de bater palmas nos minutos de silêncio... Realmente nunca tinha pensado que poderia ser pelo facto de o silêncio ser intimidatório. Realmente é provável que as pessoas que batem essas palmas sejam as que não compreendem o significado de um minuto de silêncio.
O que é facto é que nos últimos tempos o único minuto de verdadeiro silêncio a que assisti e senti verdadeiramente que todos os que estavam à minha volta (e não eram poucos) compreenderam foi o prestado a Miklos Feher no Estádio da Luz. Foi de arrepiar... 60.000 pessoas todas envolvidas num silêncio arrepiante. E quem lá esteve de certeza que sabe do que estou a falar.
Aí sim, sentimos todos o verdadeiro significado daquele momento...

sofia disse...

O silêncio assusta-os, porque têm medo de pensar. Porque têm medo de sentir. Porque pensam que, não sentindo a fraqueza, se tornam mais fortes. Puro engano. Vazios.

vague disse...

Nem sempre o silêncio é inteiro, sofrido até de prazer.

E os aplausos depois de certos silêncios são homenagens.



Nada linear...mas entendo.

Fernanda disse...

Para ser silêncio colectivo, a dor teria de ser, também ela, colectiva. Serão poucos (tendendo mesmo para zero) os momentos, os motivos, que façam que algo nos doa a todos, em sincronia...
Concordo que o silêncio intimide e possa gerar comportamentos de fuga... porque lembra dor, e grande parte das pessoas foge dela a sete pés? porque o silêncio é intimidade (que pode ser "invadida" no colectivo)? porque...?
Quanto às palmas... parece-me uma manifestação de "uff, ainda bem que já acabou o tempo de silêncio", sentidas como (ou disfarçadas de...) homenagem.
Mas não me incomóda... na diversidade de vivências do silêncio, promovido num colectivo massivo, acredito na força que a "simples boa intenção" pode ter...

um estranho disse...

O silêncio é o que temos de melhor, quando o queremos, quando necessitamos dele, só não o temos se não quisermos.

"Se não sabes o que dizer,
fica em silêncio, por favor"

Espero, que os teus talheres também fiquem no prato de vez em quando, acho que sim.

Bom regresso!